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Escritores
Foi Rei e foi escravo| Conceição Borges Ribeiro Camargo
  A Arte, criada na emoção, a emoção a domina.

  A Arte, criada na alma, é a própria alma da arte.

  Ele era um artista vivendo da beleza divina dos altares e da Virgem Aparecida.

  E compunha para os Santos – não ofertava flores, mas levava uma pauta musicada como se fôsse uma flor encantada.

  E a flor se despetalava entre o céu e a terra, na harmonia da música sacra!

  Hoje, no infinito, há um órgão tocando e raios de sol tecem uma pauta fina e viva.

  Morreu Benedito Júlio Barreto!

  Sobre o seu túmulo, a pauta de luz!

  “Rainha do Céui, alegrai-Vos”, de sua autoria, foi tocado na Missa da Aleluia, na véspera do seu falecimento.

  Alegrai-Vos, Rainha do Céu, os instrumentos da orquestra da Basílica pararam com trêmula alegria, porque o Maestro partiu para entregar-Vos o hino que era dele e era Vosso.

  Deveríamos escrever em linhas de ouro, toda a sua vida. Mas o vento brinca com o sol e a pauta dourada se estende e contorna o túmulo. Há uma exaltação terrena. A sua Vida se eleva e desperta a lira e a cítara. Cantam os anjos para aquele que foi o escravo de Nossa Senhora Aparecida.
  Escravo branco, com o sinete da fidelidade a marcar-lhe as horas que ficou dentro da Basílica. Podemos dizer: foi o aparecidense que mais esteve ao lado de Nossa Senhora Aparecida – a sua existência foi a Ela consagrada e por isso, viveu entre harpejos e harmonia, entre música e cânticos, no pedido da graça e no perfume do milagre.

  Quando menino, era coroinha, depois sacristão e, desde 1913, era o Maestro da Basílica Nacional, conhecido e admirado pelos peregrinos e romeiros. Agora deixa tudo com a sua morte.

  Viveu entre o som do sino e do órgão – tocava e cantava.

  Recolheu a música do sentimento e a música da palavra.

  Era assim que falava a Nossa Senhora Aparecida e por isso a sua sensibilidade se refugiava na modéstia e ao mesmo tempo vibrava a sua têmpera de herói, quando a seta do pensamento ia para o Bem e para a Justiça!


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