Centenário da Estação Ferroviária | Conceição Borges Ribeiro Camargo
A Estação está localizada onde a alma poética adora e canta: do lado esquerdo avista-se o Morro dos Coqueiros, lembrando o primitivo nome de Aparecida; e de outro, avista-se a Torre da Nova Basílica.
CONDUÇÕES DO SÉCULO PASSADO – HISTÓRICO DA ESTRADA
No século passado, a condução pessoal era feita em redes, animais de montaria, cavalos, balaios, jacás, banguês, liteiras e por último, trólis, carruagens, aranhas.
Para o escoamento dos produtos de suas fazendas, os fazendeiros se utilizavam do carro de boi e quando mais distante, a tropa.
O rio Paraíba foi meio de transporte intermunicipal em canoas, batelões e pequenos vapores, mas não satisfazia o nível econômico e de conforto dos grandes cafeicultores. O vaporzinho “Piaguhy” do Engenho Central de Lorena, foi útil para pequenos transportes.
A aristocracia rural apresentava suas exigências, com o requintado pensamento da sua apresentação na Corte e na aquisição de atrativas peças para os seus sobrados.
Faltava a Estrada de Ferro ligando a Capital do Império à da Província, servindo as vilas e cidades do Vale, com toda a sua importância e grandeza.
O Regente Feijó considerou a profundidade do proveito da Estrada de Ferro e fez um decreto, em 31 de outubro de 1835.
Com poderes, a Corte obteve a concessão da linha férrea.
“Enquanto se procedia tenaz, mas algo lento, do lado fluminense do Vale, os trilhos saídos em 1869, da capital bandeirante em poucos anos, de 1871 a 1877, completavam praticamente o percurso da rota São Paulo – Rio.
Com grande e geral júbilo, concluira-se em 1875 a estrada cuja esperança de benefícios vinha sendo acalentada, havia muito tempo, por aqueles que tanto contribuíram para o progresso da nacionalidade: os fluminenses de Vassouras e Rezende, e os paulistas que comerciavam com a Corte”.
O imperador Dom Pedro II, sempre presente em aberturas de túnel, prolongamento de linha e na inauguração da luz elétrica na Estação da Corte.
A participação dos Barões do café e das Famílias do Vale do Paraíba foi de valor no empreendimento da Estrada de Ferro.
A participação dos Barões do café e das Famílias do Vale do Paraíba foi de valor no empreendimento da Estrada de Ferro.
INAUGURAÇÃO EM 1877
No dia 3 de julho de 1877, Aparecida e Guaratinguetá recebiam o trem em sua Estação, em seu primeiro edifício... Lorena, recebia o seu trem no dia 7 de julho de 1877.
Em 1879, Azevedo Marques anotou: “com os festejos costumados e a presença do Presidente da Província”, inauguram-se as estações de Aparecida e de Guaratinguetá.
Famílias aparecidenses, Barreto, Lorena, Fonseca, Souza, Ferreira e outras, doaram terreno para a construção da Estrada.
A água para a “caixa d’água” da Estação vinha do açude da fazenda de Miguel Lemes da Silva Portes, meu bisavô.
A Estrada São Paulo – Rio foi encampada pelo governo republicano em 1890 e incorporada à Estrada de Ferro Central do Brasil, substituindo a antiga Dom Pedro II.
O governo fez o alargamento da bitola no Vale do Paraíba. Atualmente é a Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima.
CEM ANOS DE ROMARIAS
Um século de romarias que chegavam cantando e com banda de música.
O sábio alemão Carlos Frederico Von Martius descreve romarias a Aparecida em 1817; em 1822 são registradas pelo historiador francês Augusto de Saint-Hilaire; em 1861, o escritor português Augusto Emílio Zaluar escrevia: “A fama da milagrosa Virgem espalhou-se por tal forma e chegou a tão longínquas paragens que, dos sertões de Minas, dos confins de Cuiabá e do extremo do Rio Grande, vêm todos os anos piedosas romarias cumprir as religiosas promessas”.
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