Assumar e os sete altares | Conceição Borges Ribeiro Camargo
Este ano de 1967 é de gloriosa comemoração dos duzentos e cinqüenta anos do achado da imagem milagrosa de Nossa Senhora Aparecida.
Não sabemos o dia, mas foi no espaço de 17 a 31 de outubro de 1717.
Passava por esta paragem conhecida com o nome de Morro dos Coqueiros, dirigindo-se para Guaratinguetá de onde seguiria para Minas Gerais, o novo Governador da Capitania. Era o Senhor Capitão General Dom Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcellos, 4º Conde de Assumar, depois Vice-Rei da Índia, sendo o terceiro da família designado para este posição e por este motivo recebeu o título de Marquês do Castelo Novo. As campanhas na Índia valeram-lhe a concessão de novo título: 1º Marquês de Alorna.
Chegando a Guaratinguetá, o Governador dessa vila pediu “peixes para o Conde de Assumar”.
Entre muitos que foram pescar, estavam Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, que lançaram suas redes no Porto de José Correa Leite e continuaram até o Porto de Itaguassu, onde João Alves em sua rede de arrasto tirou o corpo e depois a cabeça da Virgem Aparecida.
Evocamos mais uma vez a figura de Dom Pedro de Almeida Portugal, que neste ano de 1967 deve ser lembrada, pela nobreza dos seus ascendentes e descendentes hoje conhecida e por nós estudada e também pela projeção que deixou na História do Brasil como Governador das Minas.
A Senhora o estava preparando para unir na História o nome dele ao achado da milagrosa imagem.
O governo de Dom Pedro de Almeida, de 1717 a 1721, foi movimentado e até hoje discutido e os estudiosos, principalmente da História Mineira, pesquisam no Arquivo Público Mineiro, em Belo Horizonte.
Dois fatos principais envolveram a figura do Conde de Assumar no seu governo: a demolição e fogo nas casas de Pascoal da Silva Guimarães, no Morro de Ouro Preto e ter mandado enforcar e esquartejar Felipe dos Santos, que eram os mais implicados na revolta pela arrecadação dos quintos e abertura das Casas de Fundição, em Vila Rica, conhecida como “Sedição de Vila Rica”, em 16 de julho de 1720.
É difícil compreender que um nobre sob um conceito nítido de Justiça como o Conde de Assumar, ficasse na História como um tirano e Felipe dos Santos surgisse como um herói, precursor da Independência e contra quem havia sido expedida carta precatória para a prisão aqui no Brasil, em 30 de janeiro de 1717.
Dom Pedro subjugou heroicamente alguns levantados em Pitangui e o mesmo fez em Vila Rica. Atitude enérgica de quem governa minas de ouro. Às suas resoluções deve Portugal a sujeição da Capitania e o exemplar castigo de Felipe dos Santos aterrou os ânimos de um povo tantas vezes rebelde.
Mineiros de nascimento não havia nas minas de 1720; só em 1731 é que a família se radicou no solo mineiro. Portugueses governavam e só portugueses tomaram parte da Sedição. Diz Feu de Carvalho: “A Sedição não foi bem estudada com documentos, por espíritos desapaixonados e imparciais”.
O Conde de Assumar teve repressão – mandou demolir as casas de Pascoal da Silva e dos seus cúmplices no Morro do Ouro Preto, com a recomendação “onde encontrasse resistência puzesse fogo”, dia 16 de julho.
Era comum naquele tempo, prenderem-se os régulos, suas casas demolidas e incendiadas.
Vulgarmente afirmam ter sido tudo reduzido à cinzas e pedras da casa ficaram enegrecidas. Mas a própria casa de Pascoal Guimarães, o mais opulento da capitania, não era de pedra. Até 1730 não havia construção em pedras: os primeiros edifícios assim construídos em Ouro Preto foram as igrejas.
Como explicar que tudo foi reduzido à cinzas, no dia seguinte, 17 de julho de 1720, a publicação do Conde:
“Dom Pedro de Almeida, etc...
Tôda a pessoa que tiver casas ou vendas no Morro, as desfaça dentro de 15 dias e se venha situar nesta vila”.
Quanto a Felipe dos Santos, determinou o Conde que no mesmo dia 16 de julho “com baraço e pregão corresse às ruas sofresse morte natural e fosse esquartejado”.
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