Nº 60 | novembro / dezembro 2014
Artes

Natureza e Arte: o paisagismo de Laércio Vital | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

Significativa é a contribuição de vale-paraibanos para as artes visuais no Brasil, notadamente quando nos referimos às telas de reconhecidos paisagistas como o tau-bateano Clodomiro Amazonas (1883-1953), o "príncipe dos paisagistas brasileiros", e os guaratinguetaenses Gastão Formenti (1894-1974) e João Dorat (1895-1951).

Talvez por isso, não é incomum na região, vez ou outra, depararmo-nos com artistas que preferem manter-se na trilha da produção acadêmica, dedicando-se especialmente à pintura de paisagens.

Laércio da Costa Vital é um deles.

Desde que, há mais de 30 anos, recebeu o diagnóstico médico que o proibia de se dedicar à profissão de bancário, Laércio, que é contador de formação, decidiu voltar-se para as artes e logo muniu-se de tintas, pincéis e telas.

E assim, de uma dessas peripécias que a vida lhe preparou, é que o contador guaratinguetaense reencontrou-se com a arte. Reencontrou-se porque, quando menino, bem brincava com as formas que o desenho lhe permitia traçar, embora hoje diga que acha mais fácil pintar que desenhar.

Em sua mãe, Dionísia, busca encontrar a aptidão que talvez o tenha tomado pela veia: "minha mãe pintava em seda chinesa. Aprendeu quando estudou no Colégio do Carmo".

Quando decidiu, em 1982, estudar pintura, procurou, em Lorena-SP, o pintor Artur Figueiredo frequentando seu atelier por cerca de dois anos.

No final da década de 1990, Laércio conheceu o pintor paulistano Sebastião Falciano, fundador e diretor da Academia Paulista de Belas Artes, de quem receberia importante influência impressionista.

Em virtude de a esposa ser de Guaratinguetá, Falciano frequentava a cidade com certa regularidade, o que permitiu costumeiros encontros com o discípulo e a aprendizagem de preciosas técnicas repassadas pelo renomado "mestre da luz e sombra".

Empenhado, Laércio envolveu-se de tal maneira com o mundo das telas que passou a colecioná-las. Nas paredes de sua casa, além das obras de sua autoria, é possível encontrar uma pequena galeria com mais duas dezenas de excelentes paisagistas, entre eles Armando Vianna (1897-1991) e Edgar Walter (1917-1994).

Quando indagado sobre suas influências artísticas, o pintor da terra dos Quissak não hesita em relacionar Almeida Júnior (1850-1899), Antonio Parreiras (1860-1937), João Batista da Costa (1865-1926), por ele considerado um exímio pintor do verde, o ítalo-brasileiro Giovanni Castagneto (1851-1900) e o grande pintor de natureza morta Pedro Alexandrino (1856-1942).

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De sua paleta extrai o que denomina "as cores da natureza". São suas prediletas. Com uma ressalva: prefere os tons esmaecidos aos vibrantes. Esta sua forma de conceber a luz subtrai de suas telas toda intenção realista. São as impressões que o regem, embora suas telas nasçam de uma composição de atelier.

Aos poucos surgiram os casarios, mas quinze anos foram precisos para que Laércio Vital decidisse expor publicamente seus trabalhos. Em 1997, suas telas estiveram expostas no "Encontro de Cultura e Arte", em Guaratinguetá-SP, e no "Espaço Cultural Brasilton", na capital paulista.

Em seguida, vieram participações no Salão Municipal de Artes Plásticas Professor Ernesto Quissak (1999 e 2000), em sua terra natal, sendo que em 2000 foi agraciado com o prêmio aquisição; a exposição individual "Cenas do Cotidiano", no Museu Histórico e Pedagógico Conselheiro Rodrigues Alves, Guaratinguetá-SP (2001), e tantos outros salões e mostras.

Há três anos, Laércio Vital (como assina) frequenta o Atelier Silva Filho, em Lorena-SP. Os primeiros rostos humanos de traços realistas começam a surgir. Será uma nova fase?

Alexandre Marcos Lourenço Barbosa é editor do Jornal O Lince

 
 
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