Nº 50 | março / abril 2013
Letras Valeparaibanas

J B de Mello e Souza - O cronista do rio Paraíba do Sul | Sônia Maria da Silva Gabriel

“Não quero que haja a mínima conversa: Declaro em frase firme, e pura, e tersa: _ “Naci mêmo em Queluis... e cabô buia.” Cabô Buia J. Meluza1

Iniciando o livro Sete Lendas de Amor e outras poesias (1959), no tempo da reflexiva maturidade, o menino de Queluz reafirmou seu amor pela terra onde nasceu. Os versos que abrem este texto são a delicada demonstração de respeito ao ser valeparaibano, nas lembranças do homem que eternizou sua terra e sua gente em sua obra. João Baptista de Mello e Souza nasceu em Queluz, histórica cidade do estado de São Paulo, em 28 de maio de 1888, ainda em tempo das comemorações pela assinatura da Lei Áurea. Filho de um casal de professores, toda sua instrução primária ficou a cargo de sua mãe que lecionava e dirigia uma escola primária em seu próprio lar, prática necessária nas pequenas cidades do interior paulista de então.

A próspera vida familiar vai encontrar desafios com o declínio econômico das fazendas de café do hoje Vale Histórico, sem alunos a contento, o casal Mello e Souza precisou fechar as portas de seu colégio e buscar oportunidade no Rio de Janeiro onde João de Deus teria possibilidade de trabalho no Ministério da Justiça. A despedida de Queluz e do rio Paraíba do Sul é sentida com profunda tristeza pelo menino João Baptista, descrita décadas depois em Meninos de Queluz (1949). Também na capital do Brasil as dificuldades não foram poucas e a família acabou por retornar a Queluz, onde Sinhá volta a atuar como professora, e, João de Deus permanece no Rio de Janeiro vindo ter com a família nas folgas e feriados, fato que João Baptista sempre se recordaria.

A separação da meninice far-se-á na busca do saber, aos poucos, o rio Paraíba, de amigo íntimo, foi se tornando a presença que trazia saudade. João Baptista fez prova para ingressar no Ginásio Nacional (Colégio Pedro II), interno o aluno, apaixonado o mestre. Sua vida no tradicional colégio está relatada no livro Estudantes do Meu Tempo: crônicas do antigo Colégio Pedro II (1943).

Característica do primeiro quartel do século XX, políticos, escritores e professores tinham o perfil de saberem de tudo um tanto. As conversas nos saraus eram animadas e os assuntos os mais diversos possíveis. Na obra Carcassas Gloriosas (1937) de Agrippino Grieco (1888- 1973) fica evidente este perfil em nossos intelectuais. João Baptista de Mello e Souza também teve na forja de seu intelecto esta batida.

Na vida cheia de afazeres reservou espaço para duas paixões: o Esperanto e o Escotismo. Durante o Congresso Universal com a presença de Zamenhof 2 (1859-1917), recebeu o 1º prêmio de poesia. Em Oslo, representando o Brasil, também teve primeiro lugar pela brilhante participação. Em relação ao Escotismo, foi presidente da Federação Brasileira dos escoteiros do mar e, segundo consta, durante o período de sua atuação a instituição chegou a ter mais de cem barcos em intensa atividade.

Tempos de estudante



J B de Mello e Souza nasceu para a Educação e a ela se entregará com generosidade, afinco e competência. Em 1900, ingressou no então Ginásio Nacional, o tradicional Colégio Pedro II. Em seu tempo de estudante, o colégio ostentava aquele nome em detrimento deste devido à novidade da República. Em 1903, João Baptista era aluno da turma da 4ª série do internato. Neste colégio fez o curso integral de Humanidades e, em 1905, recebeu o título de bacharel em Ciências e Letras.

Ampliar imagens

Em depoimento de Luiz Pinheiro Guimarães3, o jovem estudante deixou neste a impressão registrada “de maneiras simples, comedido, revelando certa timidez provinciana, gostava de versar, principalmente, assuntos históricos e literários. Acima do tipo meão, bem proporcionado, moreno, guardava natural compostura”.4 Formado, lapidou o talento que carregaria consigo por toda vida para a História e a Literatura. Estudaria muito ainda, formando-se também em Ciências Jurídicas na então Faculdade de Direito da Universidade do Brasil. Nesta época já era professor da antiga Escola Normal, depois Instituto de Educação.

A literatura, a música, o teatro eram temas recorrentes no lar que educou Júlio César de Mello e Souza (Malba Tahan) e seu irmão João Baptista de Mello e Souza (J B de Mello e Souza, e, ainda, J. Meluza). A inclinação para a Arte se manifestou muito cedo quando ainda era estudante, veja que “as canções infantis que compôs, então, para as meninazinhas da escola rural que sua mãe dirigia, facultaram sua estréia literária e pedagógica.” 5 e o mesmo aluno foi o redator principal dos manuscritos ‘Vida de Hoje’ e ‘Ginasíadas’6, onde sua veia crítica já se apresentava, retratando o cotidiano dos estudantes e seus mestres.

Para ler o texto completo, baixe a versão em pdf clicando na imagem abaixo.

Este documento não pode ser reproduzido sem o consentimento expresso dos autores. A transgressão desta regra implicará em penalidades da lei. Baixe o texto "J B de Mello e Souza - O cronista do rio Paraíba do Sul"
   (36KB)

Sônia Maria da Silva Gabriel é pesquisadora e professora de Sociologia e História. Bacharel e licenciada em Ciências Sociais e História. Especialista em Gestão da Qualidade do Processo Pedagógico. Membro do Instituto de Estudos Valeparaibanos e do Instituto Ecocultura de Educação Patrimonial.

 
 
 
 
  © 2007 • 2014 Jornal O Lince, tem o que ler  | Tel.: (12) 9 9138 5576 | redacao@jornalolince.com.br
  Rua Alfredo Penido, 101, Jardim São Paulo
  Aparecida, SP | CEP 12570-000