Nº 45 | maio / junho 2012
Letras Valeparaibanas

Aula Magna do Prof. Pasquale Cipro Neto na Escola de Especialistas de Aeronáutica | Da Redação

Quando o assunto é o trato adequado da Língua Portuguesa, poucos no Brasil conseguem expor com tanta clareza de raciocínio e bom humor como Pasquale Cipro Neto.

Convidado pela Escola de Especialistas de Aeronáutica de Guaratinguetá, o professor aceitou proferir uma aula magna para mais de mil alunos e convidados desta escola militar. Um público que impressionou o convidado pela quantidade e pela disciplina.

Durante mais de duas horas o professor, que se tornou afamado por criar e apresentar, no rádio e na TV, programas voltados para o conhecimento das regras básicas da língua portuguesa, dirigiu-se ao público de mais de mil pessoas falando sobre Como fazer uma boa redação.

Prendendo a atenção de todos com humor inteligente e uma multiplicidade de exemplos factuais, Prof. Pasquale, uma vez mais, demonstrou sua grande habilidade como docente, transformando assuntos aparentemente áridos em algo agradável a despertar a curiosidade e o interesse da plateia.

Sobre a estrutura da redação, o mestre foi enfático ao destacar a informação e o conhecimento de mundo como primeiro ponto para a elaboração de qualquer texto. O exemplo utilizado pelo Professor Pasquale foi o de escrever sobre a economia de um país africano pouco conhecido no Brasil e no mundo: “Se eu pedisse para que escrevessem sobre a economia do Gabão, poucos de vocês escreveriam alguma coisa. Talvez umas poucas linhas ou nenhuma”.

Ter o que dizer é a dica inicial para quem se propõe a tarefa de escrever, ou seja, as normas em nada contribuem para a construção de um texto vazio de conteúdo. Da junção de conteúdo e forma é que nasce um bom texto.

E, segundo Pasquale, só há uma maneira de superar a dificuldade inicial de escrever bem: ler.

Elemento indispensável, a leitura torna-se conditio sine qua non para que qualquer pessoa possa constituir uma interpretação coerente e bem informada de realidade, o que lhe permitirá elaborar uma redação que cumpra sua finalidade comunicativa.

Para tanto, Pasquale propõe que se leia tudo o que tiver em mãos, de jornal a bula de remédio, de livro a propaganda de supermercado.

Para ele, nenhuma leitura é descartável.

Discorrendo sobre os aspectos formais da língua portuguesa, muitas vezes desconsiderados no momento da redação, o professor destacou a necessidade de clareza ao escrever, visto que o outro é sempre a razão do ato de redigir. “Ninguém escreve para si mesmo. Escrevemos para o outro. Não existe essa de o outro vai entender o que eu quis dizer. O que se quis dizer é o que está escrito e pronto”, realça o professor.
Assim, os cuidados com a objetividade é que permitirão subtrair do texto os aspectos subjetivos que poderão comprometer seu entendimento pelo leitor.

Pasquale não deixou de falar sobre a importância da coerência e da coesão, permitidas pelo uso correto do idioma somado ao conhecimento de contexto, como garantia de eficiência comunicacional que somente a boa redação é capaz propiciar.

Em um segundo momento de sua fala, e multiplicando exemplos, o professor apresentou situações diversas, extraídas principalmente de jornais, que demonstram como não se deve escrever.

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Dentre os muitos meios de comunicação, diz o criador do programa Nossa Língua Portuguesa, os jornais e a Internet tem sido responsáveis pela elaboração e disseminação de textos repletos de erros que geram ambiguidades e problemas de interpretação.

Para ele, a velocidade dos acontecimentos e a pressa para dar a notícia não justificam tantas incorreções: “Muitos erros poderiam ser evitados com uma simples releitura do texto”.

Concluída a palestra, Pasquale Cipro Neto recebeu mimos do Comandante da EEAR, de representantes do corpo de alunos e dos professores organizadores; posou para fotos e seguiu para uma coletiva com a imprensa local e regional.

De início, ao ser perguntado sobre o que foi tratado na palestra, respondeu: “Falamos de redação, falamos de Português, falamos de clareza textual,como escrever com clareza, com objetividade, com correção... falamos disso.”

E sobre a indagação de se o povo brasileiro fala ou não o português correto, retorquiu de pronto:
“Fala, fala. Falar é uma coisa, escrever é outra. A língua do dia-a-dia é uma coisa, a língua formal é outra. Nossa preocupação deve ser voltada para o estudo da língua no que diz respeito a necessidade de domínio dessas variedades formais, porque são elas que regulam a vida das pessoas, a vida social, né, a vida contratual, a vida formal das pessoas. Então, as pessoas tem que saber ler um contrato, tem que saber preencher um requerimento, tem que saber solicitar um emprego, e por aí vai, e claro, e tem que também entender outras coisas que estão inscritas nas modalidades formais. Por isso que o estudo das variedades formais da língua sempre é importante para quem quer frequentar territórios regidos por essas variedades.

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Entrevista concedida no dia 04 de maio de 2012

 
 
 
 
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