Nº 43 | Janeiro/fevereiro de 2012
Educação

Subsídios à História da Educação na região de Guaratinguetá | Benedicto Lourenço Barbosa

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Reconstituir a história da Educação em Guaratinguetá e, consequentemente, em Aparecida, Roseira e Potim, não é tarefa fácil e nem se fará por completo, pois quanto mais mergulhamos no passado e mais informações obtemos, novos questionamentos surgem.

Guaratinguetá, erigida em Vila em 1651, e subsequentemente instalada com Câmara própria, tendo ainda Igreja e Vigário, é consequência da vinda de povoadores de Sant’Ana de Parnaíba e São Paulo por decisão da donatária da Capitania e seus prepostos que doaram sesmarias na região.

Os povoadores eram pessoas com rendimentos, formalmente educadas, ocupando postos de Capitão e podendo assumir cargos de Juízes Ordinários, Vereadores e demais ocupações que exigissem algum saber.

A educação acontecia, à época, através da própria família e através de padres que tinham uma razoável formação. Assim sendo, a possibilidade de acesso ao conhecimento era limitada.

Não tendo sido a região valeparaibana beneficiada com Colégios Jesuítas, ao que se sabe, ficou com carências na Educação Escolar. Expulsos os jesuítas pelo poderoso Marques de Pombal, em 1759, nada se alterou em Guaratinguetá.

A implantação de uma educação laica e estatal, pelos informes que possuímos, só foi possível nas últimas décadas do século XVIII.

O mais antigo nome da educação em Guaratinguetá de que temos registro, é do Licenciado Manoel Gonçalves Franco (1742-1813). Natural da Vila de Guaratinguetá, foi casado e teve filhos. Viúvo em 1801, tornou-se sacerdote, tendo sido ainda juiz de medições e compositor sacro. Foi ainda professor do Padre Feijó, Regente do Império.

O Padre Manoel Joaquim de Oliveira foi Mestre de Primeiras Letras com Aula Régia nas primeiras décadas do século XIX, na sede da Vila. Ali, posteriormente, se tornaria Inspetor de Instrução Pública e de Aulas. Há registro do referido Padre Mestre, em 1814, como tendo sido Professor do Visconde de Guaratinguetá. Deixou o cargo em 1823, pedindo demissão.

Francisco de Paula Ferreira (1777-1833), nascido em Itabira-MG, e falecido em Guaratinguetá-SP, é nome que aparece ligado ao ensino no início do século XIX. Na Capela de Aparecida, em 1810, ensinou os escravos Francisco e Benedito a ler e escrever, conforme informa Brustoloni em seu livro História de N. S. da Conceição Aparecida (p. 187). Foi Professor de Gramática Latina, na Vila de Guaratinguetá, por provisão régia de 1812, renovadas em 1816, 1819 e 1822. Consta que exercia o magistério em 1831. Era ainda Orador, Músico e Compositor Sacro. Também foi Secretário da Câmara da Vila de Guaratinguetá-SP.

Antonia Francisca das Chagas (1794-1858) nasceu e faleceu na Vila de Guaratinguetá-SP. Era casada com o Professor Ferreira e filha do Capitão Vitoriano José da Costa e de Inês Teodora da Silva. Foi Professora de Primeiras Letras da Vila, atendendo estudantes do sexo feminino, tendo solicitado demissão em 1832.

Padre Vigário Antonio Martiniano de Oliveira, irmão do Visconde, foi Mestre de Primeiras Letras. Segundo atesto da Câmara Municipal, em 1846 atuava há como professor.

Rosa Maria do Carmo. irmã dos Visconde de Guaratinguetá, indicada para substituir Antonia Francisca das Chagas.

Maria Rita do Carmo, aprovada como Professora de Primeiras Letras, do sexo feminino, em 1838.

Padre João Euzebio de Assumpção, em 1841, ensinava Gramática Latina na Vila de Guaratinguetá.

Francisco de Assis e Oliveira, professor de Gramática Latina e Francesa a partir de 1843.

Isabel Maria Pagua Fragosa. Professora de Primeiras Letras, a partir de 1848, para o sexo feminino. Há registro de que, em 1868, ainda permanecia no cargo.

José Marcelino Cavalheiro. Mestre de Música, em 1847, e de Primeiras Letras, em 1856.

Maria Madalena de Jesus, Professora particular, do sexo feminino, em 1854.

José Antonio de Oliveira Campos, Professor de Primeiras Letras, em 1851.

João Gonçalves Bastos, Professor Público de Latim e Francês, em 1856.

Benjamim Constant de Oliveira, sobrinho do Visconde de Guaratinguetá e Professor de Primeiras Letras na Vila, a partir de 1854.

Professor Particular de Instrução Primária, aparece o português Antonio José Alvares Vicente, em 1856.

Manuel da Cunha Mattos, 1865.

Ana Carolina de Toledo Palhares, consta como professora entre 1871 e 1877.

Padre Dr. Antonio Fogaça Bittencourt (1813-1868), Guaratinguetá. Estudou no Seminário do Caraça e fez Doutorado em Teologia, em Roma. Teve um Colégio de Instrução primária e secundária em Guaratinguetá-SP

Marie Louise Masson, nascida em Nova Orleans-EUA. Em 1856, em Guaratinguetá, mantinha uma escola particular com 30 alunas. Em 1864, com Maria Teresa de Meireles, filha de Dr. Manuel de Meireles Freire, abriu um colégio para a educação feminina, e, posteriormente, o Colégio Santa Teresa, em zona central da cidade.

José Ignácio da Silveira Bueno, contratado, interinamente, para a cadeira de Primeiras Letras, em 1865, na Capela d’Apparecida.

João Ribeiro Nogueira Soares, Professor de Primeiras Letras, em Aparecida, em 1867 Antonio José Leite. Professor particular de Instrução primária e secundária. Miguel José de Araújo Toledo, filho do Dr. Benedito Antonio de Toledo. Professor Público em 1873 e 1890, com residência em Aparecida.

Padre Manoel Benedito de Jesus, Professor em 1873.

Jesuino Soares da Silva. Professor de Música, em 1873, na Capela d’Apparecida.

Estevão Gobo(?) de Oliveira. Professor, em 1873, na Capela d’Apparecida.

José Monteiro de Meireles Leite. Professor Público de Primeiras Letras, sexo masculino, em Roseira, no ano de 1870.

José de Paula dos Santos Silva, professor, alistado como eleitor em 1876 e residente em Pindaitiba, Roseira.

Dr. Manuel José da Costa França, nascido em 1824, em Guaratinguetá, filho do Comendador Antonio Galvão de França e de Maria Pereira da Candelaria (Maria Belém). Bacharel em Ciências Juridicas, em 1862, pela Academia de São Paulo. Promotor Público em Guaratinguetá-SP, em 1868. Abriu, em 1872, com Antonio Teodósio de Faria Couto, o Colégio de Santa Cruz para instrução primária e secundária de meninos. Eram professores do Colégio: Vigário Padre Benedito Teixeira Pinto, Padre Miguel Martins da Silva, Dr. Frederico Abranches, Dr. Luiz Gonzaga de Oliveira Costa e Dr. Francisco Galvão da Costa França. Para as aulas facultativas de música vocal e instrumental, o Professor e Mestre de Música Aleixo Gaudêncio de Oliveira Mafra.

No período de 1838 a 1865 nos foi possível constatar que foram Inspetores de Instrução Pública e de Aulas:

  • 1838 – os Padres Manoel Joaquim de Oliveira e Vitoriano José dos Santos Dias;
  • 1845 – o Capitão Vitoriano dos Santos Souza e Padre Manoel Joaquim de Oliveira;
  • 1846 – Dr. Manuel de Meireles Freire;
  • 1849 – os Padres Francisco Leite de Almeida e Francisco Antunes de Oliveira;
  • 1851 – Reverendo José Lopes de Camargo;
  • 1857 – Capitão José Francisco da Silva Guerra;
  • 1865 – Dr. José Manoel de Castro Santos.

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Professores da segunda metade do século XIX e início do séc. XX, com datas imprecisas:

Antonio Cuba, Capitão Manoel do Espírito Santo (foto ao lado), Francisco Vieira de Campos, Vitor Veiga, Olívia Condeira, Mariquinha Brito (mãe de Brito Broca), Ana Martins, Cardealina, Antonieta Milliet, Minervina Soares da Costa, Terezinha Perez, Clarinha e Glorinha, Eurídice Zerbini, Ana Fausta de Moraes (Nenê Moraes), responsável pelo Externato São José entre 1930 a 1950, Comendador Pereira e sua filha Cecília (extraído do Jornal “O Eco”, de 07-12-1958 – arquivado no Museu Frei Galvão – Guaratinguetá).

Por várias décadas, funcionou um internato com a direção da Professora Porcia Clementina de Castro Santos, em Guaratinguetá, das últimas décadas do século XIX às primeiras décadas do século XX. Importante escola particular para educação de moças.

Arthur Kopka Archer, fundou e dirigiu o Colégio Perseverança.

Professor Ernesto de Castro, teve uma escola “Instrutora Primária”, em 1895.

Em 1877, Lindolpho Francisco de Paula, aparece como Professor Público em Roseira.

Em 1886, José Antonio Calmon atua como Professor Público em Roseira.

Adelaide Nunes Calmon, sua esposa, como Professora Pública em Roseira, ministra aulas para o sexo feminino.

No mesmo ano, Francisco Antonio das Chagas Pereira, nascido em 16-10-1862, é Professor Público no bairro das Pedrinhas, no bairro de Roseira e no Distrito de Aparecida.

João Rafael de Lara, consta como professor na lista de eleitores de 1890, com residência no bairro dos Motas.

Ainda em 1890, Carlos Alberto Menorier, figura como Professor Particular com residência no bairro do Barranco Alto - Potim.

Francisco de Paula Santos, em 1893, era Professor Público em Roseira.

Em 1894, Lydia Cortez Rennó Ferreira atuava como Professora de Primeiras Letras (sexo feminino), em Aparecida, ano em que teve como substituta a professora Amélia Augusta Monteiro do Amaral.

(...)

Benedicto Lourenço Barbosa é Mestre em Ciência pela Escola de Sociologia e Política/USP e professor titular de Filosofia da Educaçã em Faculdades de Guaratinguetá e Lorena.

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