Os temas são também inerentes à sua jovialidade e ao seu universo, e, muitas vezes, pertinentes, como em Onde está, em que questiona o estrangeirismo da língua e de sua cultura, como se o poeta se sentisse um estranho em sua própria tribo. Tal estranheza torna o poema pós-modernista extremamente contemporâneo.
Há vários recursos explorados pelo autor na tentativa de alcançar o ritmo um pouco acelerado, de apresentar sua face verdadeira (bem próprio de um primeiro livro, no qual a espontaneidade no processo de criação prevalece naturalmente sobre o fazer poético). Como se não houvesse riscos ou reescritas, os poemas vêm à luz e são apresentados ao leitor, e, junto deles, o grito de angústia, de amor, de procura, de ansiedade quanto ao futuro, a voz do autor livre de ruídos, ecoando extremamente sincera.
É um livro que encanta, que já nos permite dizer que Carlos Jr. caminha para encontrar sua voz definitiva neste universo complexo que é a poesia. E sentimos que, com o tempo, ele irá afiná-la: deixá-la mais serena, sem ser submissa; mais lírica, sem ser permissiva; mais poética, sem perder a autenticidade – e mais ouvida, pois toda surdez, cedo ou tarde, será, sim, castigada.
Tonho França - Poeta e Editor
Publicado pela Bellini Cultural, o livro de 144 páginas recém chegado ao mercado contém breves biografias de alguns representativos nomes do passado e do presente ligados ao Vale do Paraíba.
De Cunhambebe, cacique antropófago dos tamoios, aos bandeirantes Salvador Furtado e João de Siqueira Afonso; de Francisco Barreto Leme, fundador de Campinas, a Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro; do Visconde de Tremembé, em Taubaté, ao Conde de Moreira Lima, em Lorena; de Rodrigues Alves, Presidente da República, a Geraldo Alckmin, Governador do Estado; de Emílio Ribas a Oswaldo Cruz; de Monteiro Lobato a Cassiano Ricardo; de Dr. Zerbini a AzizAb’Saber, da apresentadora de programa televisivo Hebe Camargo ao engenheiro da NASA Nilto Rennó, trinta e um nomes compõem essa verdadeira galeria de notáveis do Vale do Paraíba e Litoral Norte do estado de São Paulo.
O projeto, idealizado por Antonio Bellini, é mais uma realização da Bellini Cultural que, há duas décadas edita livros temáticos ligados à arte, ao meio ambiente, aos temas sociais, entre outros.
Segundo Antonio Carlos Bellini Amorim “fazendo uso dos incentivos fiscais e da Lei Rouanet, produz exposições em museus e terminais metropolitanos, projetos de educação ambiental, de trânsito e inclusão digital. Até 2011, estes premiados projetos beneficiaram cerca de 350 mil crianças em todo o Brasil. Assim, a Bellini Cultural cumpre o seu papel na direção da descentralização e da democratização da arte e da cultura no Brasil.”
O projeto gráfico, belíssimo, é de autoria de Carlos Baptista e Ricardo Campos. A pesquisa histórica ficou por conta de Vera Lúcia Delgado Martins e Gilberto Martins, também responsável pela autoria dos textos com o auxílio de Cinthia Anhesini.
Destaque para as ilustrações de Fábio “Uru” Teixeira.
Com distribuição gratuita e dirigida, Perfil dos Tempos contou com o apoio do Governo Federal.
Na complexa seara literária, Carlos Jr. estreia anunciando, em alto e bom ritmo, a surdez da sociedade contemporânea.
O poema tem a voz jovem e a agonia do autor, por isso muitas vezes em primeira pessoa, incidindo em “um risco que poucos poetas decidem correr”.