O Vale nada mais era que apenas “amontoados” de matas silvestres, como relata Sobrinho
“[...] a vertente da Serra da Mantiqueira, o vale do rio Paraíba e a Serra do Mar, foram, primitivamente, ocupados por uma formação vegetativa silvestre”
Portanto, em primeira análise, o vale de trilhas abertas por bandeirantes rumo às Minas do ouro e de alguns pequenos lugarejos é um espaço não totalmente conhecido.
E prossegue Alves Motta Sobrinho:
“Eram cobertos de florestas majestosas, de que sobrou uma ou outra mancha, em ponto mais inacessível. Talvez mais viridentes que a mata virgem de entre Parati e Cunha, onde até pouco tempo, o machado não entrara, não havia estradas de rodagem, nem extração vegetal que a desfalcasse de sua pureza natural”.
Antes da penetração do branco europeu, na figura de portugueses principalmente, não houvera nenhuma modificação elevada no território, permanecendo quase o mesmo antes da espoliação dos capitalistas cafeicultores.
Este mesmo Vale, desbravado por brancos, transformaria-se em terras férteis para a produção do ouro verde que sustentaria, por longo período, todas as despesas monetárias do país – “Nunca houve ocorrência de um caso sequer de malaria, no Vale privilegiado”.
Os meios adotados pelos desbrava-dores não foram, no entanto, vistos somente sob o aspecto da lamentação, mas de possibilidades para o desenvolvimento e o progresso na região valeparaibana. O vale, antes tido como edênico possuidor de terras virginais, representará o desenvolvimento e o caminhar da progressão social brasileira, seu impulso progressivo desmanchará a visão dos desbravadores como destruidores territoriais.
Thiago José de Souza Oliveira é graduado em História e bacharelando em Direito pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo, U.E. Lorena
Durante a transposição das ideologias monárquicas para as republicanas, o Brasil se viu permear e sustentar por uma economia primordialmente tida, em seu início de implementação, como meio de subsistência e produção em pequena escala, sem a elevada comercialização que a caracterizaria: a cafeicultura.
Na Província de São Paulo, o café não representou somente uma instituição meramente econômica, mas, política, social e também cultural. O novo produto trazido de Paris, no desenrolar do século XVIII, por mãos de Francisco de Mello Palheta, e inicialmente cultivado como experimento, em Belém do Pará, será símbolo de progresso cultural para elevado número de imigrantes em busca das novas oportunidades dispostas pela produção em questão.
Fonte do desenvolvimento social-urbano da região, a produção de café conduziu um processo de aculturação presente na atual sociedade brasileira e percebida através da arquitetura encontrada na região. São construções estruturadas em contornos afrancesados, venezianos e de outras nacionalidades mais.
Antes de o café chegar ao Vale do Paraíba Paulista, instala-se na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Sem grande defasagem de tempo, adentra as Províncias do Rio de Janeiro e de São Paulo quase que no mesmo instante, por volta de 1774.
Foi pelas mãos de um belga, Moke, que se formou o primeiro dos vários cafezais que trariam a rica agricultura do país, tirando-o de seu impiedoso declínio econômico.
“Tanto êxito financeiro lhe foi proporcionado, que não demorou a ser seguido por todos quantos no Rio e no Brasil de norte a sul compreenderam que uma nova mina havia aparecido. Da cor atraente das esmeraldas, produzia frutos de rubi”.
Desta maneira, como descreve Sobrinho, será conhecida a produção cafeeira no Brasil: ouro verde.
Julgo desnecessário detalharmos pormenores acerca da historiografia cafeeira em todo território brasileiro, pois se desmembra da razão pela qual dispus a dissertar. Cabe, portanto, descrever que o café construiu importantes oportunidades dentro do âmbito nacional, acarretando na elevação demográfico-urbana e também na expansão populacional por terras antes despovoadas e/ou desconhecidas.
A implementação da cultura cafeeira no Vale do Paraíba, onde antes só se permitia reconhecer os caminhos percorridos por bandeirantes em busca de ouro, servindo como mero caminho às Minas, dá início a uma nova fase de desenvolvimento.
O Vale, antes da penetração cultural do café, era somente uma mata silvestre e possuidora de esplêndida beleza.
Nas palavras de José Luiz Pasin, o vale do Paraíba foi uma das primeiras regiões no interior do Brasil a ser explorada por desbravadores em busca de índios e, mais importante ainda, em busca dos metais preciosos; portanto, o Vale se fazia conhecer em algumas partes isoladas, partes estas que correspondiam ao percurso utilizado por tais desbravadores.
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