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Nº 41 | Setembro/ outubro de 2011
Editorial

Outras trilhas, novas Bandeiras | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

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O que importa, entretanto, é reconhecer que os aparentemente despretensiosos artigos do Professor Benedicto Lourenço Barbosa são, a um só tempo, um alerta a inércia intelectual – sequer conhecemos nossos antepassados – e um convite à reflexão permanente sobre o que nos acerca. Isso é fundamental em sua produção e imprescindível para a substituição do ideológico pelo científico, do literário pelo histórico, do fictício pelo factual, o que não se faz senão à luz de documentos e de sua hermenêutica.

Assim, ao comemorar mais um aniversário, O Lince não poderia deixar de prestar sua homenagem àquele que, exemplo de desprendimento das frivolidades e dedicação às questões mais fundamentais da existência, permitiu, com o espírito de um bravo, que possamos continuar à procura dos maiores tesouros amealhados ao longo da história. Tesouro enorme porque reunido a muitas mãos, valioso porque pertencente a todos que o procuram, único porque tangível apenas pelo espírito: nós próprios.

Bendito seja O Lince!

Brava gente que desbrava
Em pesquisas incansáveis
Nomes, datas e raízes
Enriquecendo nossa história pessoal
Doutor sem ostentação
Inteligência analítica
Cultura a serviço do saber
Tratados e teses revelando
Origens de todos nós

Por natureza também sois
Piraquara e bandeirante
Tua linhagem é honrosa
És Lourenço Barbosa

Com invariável bom humor e invejável capacidade artística, o amigo e artista plástico Beto Leite encontrou no desenho uma maneira criativa de homenagear o fundador do Jornal O Lince em seu aniversário de 70 anos.

Acompanhado de um acróstico, retrata o professor Benedicto Lourenço Barbosa como um bandeirante desbravador, munido de livros e de uma pena, a serviço da história e da cultura.

Em 1969, certamente o jovem idealista de 28 anos não imaginava que desdobramentos aguardavam a sua criação 42 anos depois. Todavia, hoje atua com dedicação tamanha que chega a surpreender. Disciplinado, frequenta arquivos e cartórios, visita sebos, compra livros, solicita certidões e garimpa fotografias e documentos de famílias.

Da pesquisa com fontes primárias nascem levantamentos, árvores genealógicas e artigos que adicionam preciosas informações para a composição de uma nova historiografia da região.

Com denodo, seu bandeirantismo intelectual diz, especialmente, de uma Aparecida histórica, construída nos primórdios do povoamento do Vale do Paraíba.

Talvez aí a sua maior contribuição: fazer perceber que a história de Aparecida não corresponde ao desenvolvimento do culto à imagem de Nossa Senhora da Conceição, embora a ele ligado. É anterior e coetâneo ao culto, embora a ele não se reduza.

É inegável que ao longo de quase trezentos anos, e, de modo particular, a partir da chegada da Congregação do Santíssimo Redentor para administrar o grande projeto católico de criar um santuário como símbolo do catolicismo nacional, a influência local da igreja católica ampliou-se em tal medida que seu poder de interferência na definição das políticas públicas e na vida social e econômica ganhou proporções inimagináveis no século XVIII.

 
 
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