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Nº 41 | Setembro/ outubro de 2011
Ágora

Pensando a Educação Regional | Gerson de Freitas Junior

Valoriza-se a simplicidade, o contato com a terra e o cultivo de hortaliças, a criação de animais, a alimentação saudável, o aproveitamento da luz natural e dos instrumentos de madeira, o ensino de artes, música, o respeito ao meio ambiente e aos seus semelhantes. Nesta pedagogia valoriza-se algo quase perdido entre os imperativos da vida urbana estressante, a contemplação!

Contemplar sempre foi uma das formas de estimular o pensamento e o surgimento de ideias. As crianças precisam de tempo para se dedicar a atividades simples, contemplarem a natureza e a beleza da vida humana. Vídeo-games e computadores devem ser instrumentos complementares do ensino, não a sua essência. O legado de nossos antepassados está muito mais presente nos livros do que no Wikipédia.

Crianças e jovens passam mais tempo nas “lan houses” do que lendo livros. Conhecem “Lady Gaga”, “Justin Bieber”, “ex-BBB’s” e as fofocas do “mundo da TV”, mas desconhecem nossos escritores, artistas, trovadores, cantores, artesãos e outros personagens regionais. Nossas futuras gerações precisam ter aulas sobre História do Vale do Paraíba e Geografia Regional, precisam conhecer e contemplar os patrimônios naturais e arquitetônicos da região, conhecer Aziz Ab’Sáber, Oswaldo Cruz, Herculano Alvarenga, Renato Teixeira, Amácio Mazzaroppi, Félix Guisard, Jacques Félix, Ricardo Montenegro, Norma Marcondes, “Tar e Quar”, Monteiro Lobato, entre muitos outros personagens que têm feito a cultura regional.
Dessa forma, valorizando aquilo que lhes pertence, as crianças poderão, no futuro, zelar por um bairro, uma cidade e uma região melhores. Solicitamos às autoridades responsáveis que invistam na valorização do ensino maior, pensando em proteger nossa região da fragmentação e da perda de identidade tão presentes na globalização e na sua massificação.

Gerson de Freitas Junior é mestrando em Geografia Física pela USP

Diversos acontecimentos relacionados a atos de violência têm deixado a comunidade valeparaibana perplexa e apreensiva. Com uma incrível rapidez, passamos a ser informados pelos meios de comunicação regionais sobre todo tipo de crime. Barbáries antes restritas a cidades grandes passaram a ocorrer também nas cidades pequenas. O consumo de drogas e os crimes relacionados ao tráfico assustam cada vez mais as famílias, preocupadas com os jovens, que são o principal alvo dos traficantes.

Nas escolas, embora existam exceções, tornam-se cada vez mais comuns a falta de respeito, o desinteresse, a apatia e práticas pedagógicas desvinculadas da formação espiritual e moral dos estudantes. Foca-se de forma exagerada os aspectos quantitativos, mas coloca-se em segundo plano os aspectos qualitativos do ensino. Até mesmo as esferas maiores de governo valorizam mais os aspectos práticos do ensino, do que o desenvolvimento pleno das capacidades intelectuais das crianças. O ensino de artes manuais, de música, de esportes, de teatro e de outros conteúdos que não possuem aplicação imediata, é desvalorizado. Alcançar um espaço no mercado de trabalho ou passar no vestibular tornaram-se as metas maiores do ensino (deixando os estudantes sob estresse constante).
Mas e a formação de cidadãos livres, coerentes, que respeitem as diferenças e saibam viver na coletividade, pacientes, perseverantes, e, sobretudo, independentes? Que não precisem de drogas e do consumismo imediatista para se realizarem! Vencer na vida como filhos, como irmãos, como amigos, como cidadãos é muito mais importante do que vencer como executivo, como empresário ou como qualquer outro profissional. A forma como alcançamos nossos objetivos deve ser mais importante do que o objetivo em si.

Embora o aumento da violência seja um contexto observado em diversas partes do Brasil, ninguém pode aceitar o confinamento às próprias casas e o medo constante ao sair às ruas a pé ou de carro. O descaso social é uma forma perversa de nos fazer acreditar que a desigualdade e a banalização da vida são normais e aceitáveis. A resposta para essa situação não se restringe apenas ao aumento do policiamento e à construção de novos presídios, mas passa também pelo investimento maciço em educação, esportes, lazer e cultura!

Por isso, surge a proposta de uma perspectiva regional no ensino valeparaibano, baseada nos princípios da Pedagogia Waldorf. Nesta pedagogia, os estudantes são vistos de forma holística.

 
 

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