Florestas estas, chamadas de “Florestas Pluviais Tropicais”, pois são adaptadas ao clima tropical que ocorre em toda a região, com algumas particularidades de acordo com o relevo, como a umidade gélida das noites serranas e a neblina matutina dos fundos de vale em áreas rurais, mas que, de modo geral, é caracterizado por alta pluviosidade no verão e um curto período de estiagem no inverno.
Tais florestas protegiam e fertilizavam os solos que ocorrem no relevo declivoso e, ao serem retiradas, os solos ficaram expostos às chuvas frequentes e intensas, causando a perda de fertilidade, a erosão e o assoremento dos cursos d’água.
Com exceção dos mesmos belos contornos azulados da Mantiqueira que continuam a se destacar e encantar o olhar do observador, a maioria dos outros elementos naturais do Vale do Paraíba, que tanto chamou a atenção de cientistas estrangeiros durante o século XIX, foi radicalmente alterada.
O quadro ambiental resultante da derrubada das florestas pluviais atlânticas biodiversas em toda a região, inclusive em Roseira, é o de uma grande extensão de áreas rurais melancólicas, semelhante a um imenso “carpete de pastagens”, que cobre os morros e serras da região, com exceção de algumas serras onde ainda são encontrados fragmentos de florestas, semelhantes a “ilhas” de matas em meio aos mares de morros.
Contudo, Roseira guarda muitas possibilidades de recuperação e revitalização agrária, assim como os outros municípios da região. Para isso, é preciso unir forças, envolver e conscientizar a população com o objetivo de proteger o patrimônio natural que ainda resta: os cursos d’água rurais e urbanos, os morros e serrinhas e toda a biodiversidade de plantas e animais.
Além disso, é preciso (re)valorizar a cultura e a história, de forma integrada à Geografia do Vale do Paraíba paulista. As serras, os morros, as florestas, os cursos d’água, formaram o contexto natural dos caminhos do desbravamento, das tropas de mulas, das rotas de ligação entre Minas Gerais e o Litoral e do esplendor econômico da região durante o período cafeeiro.
Gerson de Freitas Júnior é mestrando em Geografia Física pela Universidade de São Paulo.
Introdução
Para falarmos sobre o Potencial Ambiental de Roseira é preciso que consideremos dois aspectos fundamentais em relação aos estudos ambientais: a história e a geografia do município.
Desde a colonização e a formação dos primeiros aldeamentos, dos caminhos e ranchos de pousada que serviam de ligação entre a metrópole no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, até os dias de hoje, com o fluxo intenso de pessoas, mercadorias e informações, o Vale do Paraíba paulista e seus municípios constituem mais do que um “espaço de passagem”, constituem uma Região com um grande patrimônio histórico e natural, que tem encantado viajantes e turistas há mais de dois séculos.
O primeiro aspecto se refere à história da área a ser estudada. Embora nosso interesse seja o município de Roseira, temos que lembrar sempre que, para entendê-lo, é preciso relacioná-lo com a história e a geografia de toda a região, pois há muitas coisas em comum entre os municípios valeparaibanos.
O segundo aspecto se refere ao conhecimento dos recursos naturais da área de estudo. Isto significa que devemos conhecer a geografia da área onde atualmente localiza-se o município de Roseira, incluindo os rios, as formas do relevo, o clima e a vegetação, bem como as formas de ocupação humana.
São justamente essas semelhanças históricas e geográficas que fazem do Vale do Paraíba paulista verdadeiramente uma Região, que resiste com identidade própria.
Considerando estes dois aspectos, poderemos pensar no Potencial Ambiental de Roseira, já que eles serão os pilares de uma nova época e de uma nova consciência, baseada no ecodesenvolvimento, que refletirá em melhorias na qualidade de vida da população roseirense.
A Paisagem do Município de Roseira no Contexto Ambiental Regional
Roseira é um dos municípios que fazem parte da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, que é o elemento natural que integra todos eles, não apenas por dar nome à região, mas, sobretudo, por ser a fonte de toda a água que é utilizada nas áreas rurais e urbanas dos municípios valeparaibanos. O município de Roseira localiza-se no trecho Médio desta Bacia Hidrográfica, onde o rio Paraíba do Sul apresenta muitos meandros.
A Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul possui um tipo de relevo característico, formado por morros e serranias, um conjunto que foi chamado pelo ilustre cientista valeparaibano Aziz Nacib Ab’Sáber, de “Mares de Morros”. Isto, por esse conjunto realmente se assemelhar a um mar cheio de ondas. Esses morros e serranias, que em Roseira formam um grande divisor de águas chamado “Serra da Quebra-Cangalha”, eram originalmente cobertos por exuberantes e lindas florestas atlânticas, com uma diversidade muito grande de espécies de plantas, fungos, bactérias e animais, com diversas fontes de água pura e cristalina.
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