Nº 39 | Maio/ junho de 2011
Letras Vale.

Nogueira Moutinho, Comparatista Literário | Daniela da Silva Prado

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Uma primeira passada de olhos na obra À procura do número já aponta a variedade de interesses do crítico, partindo da literatura brasileira – Cecília Meireles, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, Mario de Andrade e outros – e espraiando-se pela cultura universal com Herman Hesse, Faulkner, Sartre, Henri Bergson, Balzac, Nietzsche, Kierkergaard etc. Como se pode perceber nesses exemplos, o gosto pela filosofia também se faz notório na produção do escritor.

Outro ponto a ser ressaltado, desta vez notável apenas para os que se detêm nas páginas do livro, é a capacidade do crítico em estabelecer relações entre os diversos autores, levando-nos a identificar Nogueira Moutinho com uma vertente da pesquisa literária ainda incipiente, mas que começava a se desenvolver nas universidades brasileiras a partir dos anos sessenta: a Literatura Comparada. Sandra Nitrini explica que as origens da institucionalização da disciplina no Brasil

“se situam entre 1950 e 1960, quando foi introduzida no curriculum dos cursos de Letras. Inicialmente, nas universidades dos estados da Guanabara e São Paulo, graças às sugestões e aos esforços dos professores La Fayette Cortes e Antonio Candido, respectivamente. Tal iniciativa foi seguida, depois, por outras instituições.” (1997, p. 184).

Daniela da Silva Prado é doutora em Literatura pela FFLCH da Universidade de São Paulo.

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Uma das grandes personalidades literárias do Vale do Paraíba é, sem dúvida, o crítico José Geraldo Nogueira Moutinho, atuante na imprensa paulista a partir da década de 1960, quando deu início a uma coluna de jornalismo literário na Folha de São Paulo. Muitos dos artigos escritos nesse jornal foram reunidos no livro À procura do número, lançado em 1967 pelo Conselho Estadual de Cultura, do qual iremos nos ocupar neste ensaio.

Cabe lembrar que o ano de 1961 é significativo para a crítica literária brasileira e, em especial, para a cultura valeparaibana, por dois motivos: em primeiro lugar, porque em agosto desse ano morria, no Rio de Janeiro, o crítico e cronista Brito Broca. O segundo acontecimento marcante a ser lembrado é a entrada de José Geraldo Nogueira Moutinho na Folha de São Paulo, dando início a uma produtiva coluna de crítica literária. Até este ponto, não se vislumbram grandes relações entre os dois literatos, a não ser pelo fato de ambos estarem envolvidos com o mundo da literatura e serem do Vale do Paraíba. Diga-se de passagem, Brito Broca nasceu em Guaratinguetá em 1904, enquanto Nogueira Moutinho (1933) é natural de Pindamonhangaba.

A razão pela qual decidimos fazer tal aproximação é na verdade simbólica. Brito Broca se destaca como um dos nossos últimos grandes críticos-cronistas marcados pelo diletantismo e pela erudição, sem formação universitária. Herdeiro da tradição francesa cultivada desde a infância e sobrevivente numa época em que as letras brasileiras começam a se especializar em seus métodos de pesquisa oriundos da cultura estadunidense, com a introdução do new-criticism nas universidades. Brito Broca, através de seus escritos, corre em busca do tempo perdido, tentando salvar do esquecimento autores pouco conhecidos ou que perderam seu lustro com o passar dos anos.

O crítico de Pindamonhangaba, por sua vez, entra em cena justamente quando o cronista de Guaratinguetá abandona o palco. O jovem Nogueira Moutinho representa, em certa medida, uma nova linhagem de estudiosos que começavam a despontar para o público. A formação adquirida na Universidade de São Paulo reforça o perfil desse novo fazer crítico também delineado nas páginas dos jornais. Além disso, enquanto o “arqueólogo” Brito Broca, com seu espírito “dezenovesco” – como bem o definiu o crítico Eduardo Portella em “Um ensaísta literário” (Jornal do Comércio, 07/07/19571) –, procura preservar relíquias fadadas ao olvido, Nogueira Moutinho dedica-se à atualidade literária, aos escritores contemporâneos seus.

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