Jurandir, esse poeta de cidades e serra, universal e valeparaibano, que em Acontecência, já nos brindou com uma poesia marcada não só pela influência dos grandes nomes da literatura bem como da música – Acontecência é extremamente musical.
Sua prosa revela-nos em seus contos um ritmo acentuado, dinâmico, que não contradiz sua poesia, a essência do poeta está intacta, mas como se sufocado pelos personagens do cotidiano, pela "inventividade", pela magnitude do que é a boa literatura, viu-se na seara dos contos, com propriedade e um grito de alarde, de dor, de quem cria, de quem traz à vida.
Não há lapsos em tessituras, a construção é a arma e alma do autor, e a unidade dos contos mostra-nos com clareza a automaticidade que vem substituindo a sensibilidade dos dias.
Precisamos todos de nossos baús, precisamos todos dos sábados com vinho e cinema, encaramos os relacionamentos na "rotina", o lado escuro que todos nós abrigamos, mas não revelamos, como no belo conto "Liberdade".
Há nos contos e nas narrativas, faces da alma humana, do dia a dia, isso surpreende, encanta e faz pensar.
Assim em "Lapsos e tessituras", nos vemos, nos reconhecemos, esse talvez o maior mérito da obra, pois a meu ver, esta é uma das faces da arte - ser visível e compreensível, ser uma continuação de nós, enquanto pessoa, não só do artista. Por isso, universal.
E Jurandir Rodrigues, com êxito, faz de Lapsos e Tessituras essa agradável viagem pela prosa.
Como um bom vinho, deguste-o de conto em conto.
Do prefácio de Tonho França
Alferes – posto da hierarquia militar situado abaixo do tenente e acima do 1o sargento. Correspondia ao primeiro degrau na escala do oficialato e designava-se também como 2o tenente. Acima do alferes estavam os postos dos oficiais: tenente, capitão, sargento-mor e tenente-coronel.
Capitão-Mor – no período colonial, sua função era manter a paz na localidade, vigiando estranhos e prendendo criminosos. O cargo corresponderia hoje ao de delegado de polícia.
Guarda-Mor – autoridade colonial administrativa, nomeada pelo rei, sua função era fiscalizar, repartir e distribuir datas.
Juiz – função introduzida no Brasil durante o século XVI. Os primeiros cargos foram ocupados por mesteres, representantes das classes populares, que os denominavam juízes do povo. Posteriormente, em cada município havia um ouvidor (quando sede da comarca) e um juiz de órfãos, um ou dois juízes ordinários (eleitos anualmente, eram integrantes da Câmara) e um juiz de vintena (menor autoridade judiciária). Ao final do século XVII, foi instituído, para cada município, um juiz denominado de “fora” (usava uma vara branca como insígnia), nomeado pelo rei.
Juiz Ordinário – maior autoridade judiciária de vila que não fosse sede de comarca; presidente da Câmara e agente executivo municipal. Trazia consigo, como insígnia, uma vara vermelha, como estabeleciam as Ordenações Manuelinas e as Ordenações Filipinas e, por isso, era designado como Juiz de Vara Vermelha. Eram eleitos anualmente dois juízes ordinários, que se revezavam no cargo, mensalmente, para cuidar de seus negócios pessoais, pois não recebiam vencimento fixo. Normalmente, os juízes ordinários eram pessoas sem grande instrução formal no campo do direito, sendo comum pagarem advogados para auxiliá-los nas sentenças.
Juiz de Órfãos – autoridade judiciária criada nas vilas com mais de 400 moradores, na Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. A criação do cargo, pelo rei de Portugal, D. João V, entre os anos de 1709 e 1711, significou um corte nas atribuições do juiz ordinário. Cabia ao juiz de órfãos encaminhar os expostos (abandonados) para o recrutamento pelas tropas militares e para o aprendizado de ofícios, além de cuidar de sua herança e outros interesses.
Ordenações Filipinas – código de leis aprovado por Filipe I, publicado por Filipe II, em 1603 e confirmado em 1643, reformava as Ordenações Manuelinas. Sofrendo alterações, só deixou de vigorar no Brasil em 1917, com a publicação do Código Civil Brasileiro.
Fonte: Botelho, Angela Vianna & Reis, Liana Maria. Dicionário Histórico Brasil – Colônia e Império. Belo Horizonte, Autêntica, 4. ed., 2003, 320 p. ilust.
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