Clodomiro Amazonas foi contemporâneo de Baptista da Costa, grande paisagista da primeira metade do século XX. Após a morte de Baptista, Clodomiro foi considerado o “príncipe do paisagismo brasileiro”. Teve muito sucesso em vida e hoje suas telas são disputadas por colecionadores. Infelizmente, está fora da mídia e por esse motivo suas telas não alcançam o preço elevado que merecem. Recado aos proprietários de telas do autor: não se precipitem em vendê-las, aguardem sua revalorização como conseqüente entrada na mídia.
Ainda sobre Clodomiro, sua mãe, dona Maria Cândida Machado Monteiro, era uma nacionalista e isto influenciou no nome que deu à pelo menos quatro filhos: Brasília, a mais velha; o primeiro filho homem Clodomiro Amazonas; o segundo; Antônio Tapajós e José Tocantins. De acordo com o sobrinho de Clodomiro, já falecido, sua avó, dona Maria Cândida, era uma mulher de temperamento forte e o marido José Monteiro era cantor do coro do santuário do Bom Jesus de Tremembé.
Além disso, era animador de bailes e saraus. A família tinha posses (Fazenda Rodeia) que a terceira geração de descendentes não soube precisar sua localização, talvez sul de Minas Gerais. Suas irmãs estudaram no tradicional colégio Bom Conselho de Taubaté.
Agradeço a colaboração de uma sobrinha, neta do pintor, que fotografou as telas e as enviou para que constassem como ilustração dessa crônica. Não cito o nome dela a pedido da mesma. Desejo sinceramente que a cidade de Taubaté, considerada a capital cultural do vale, revalorize e cultue a memória desse filho ilustre.
Ele faleceu no ano da abertura do quarto centenário de São Paulo no dia 22 de setembro de 1953.
Referências
Braga, Teodoro. Artistas e pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Edit, 1942.
Rubens, Carlos. Pequena História das Artes Plásticas do Brasil. Rio de Janeiro: Cia Editora, 1941.
Tarasantchi, Ruth Sprunp. Pintores Paisagistas. São Paulo 1890 a 1920. EDUSP/Imprensa Oficial, 2002
Pedro Alberto de Oliveira é autor do livro Palavras Soltas, restaurador de obras de arte e membro da Academia de Letras de Lorena.
Tomei contato com a pintura de Clodomiro Amazonas pela primeira vez numa casa de São José dos Campos. Anos mais tarde pediram-me para restaurar uma das telas (Natureza Morta com Mangas Maduras). Fiz manutenção em duas outras: Paisagem com Rio Paraíba e Flamboyant Florido. Lembro-me de ter visto outras telas do autor na residência de sobrinhos deste em São José dos Campos. Uma delas me chamou a atenção: a tela luar, de dimensões pequenas, 18cm x 12cm, no máximo, em que aparece o campanário de uma igreja iluminado pela lua cheia. Busquei conhecer o pintor Clodomiro Amazonas com leitura e com conversas com um de seus sobrinhos, um senhor extremamente educado e culto. Contou-me detalhes da vida do tio que rompeu com a família e tirou o sobrenome Monteiro ficando desde então conhecido como Clodomiro Amazonas. Outro dia, ouvi num programa matinal uma referência à Rua Clodomiro Amazonas, da capital paulista. Ela está situada num trecho do Itaim-Bibi.
O jornalista não sabia nada sobre o personagem, o que fortaleceu mais minha vontade de escrever esta despretensiosa crônica sobre ele.
O pintor nasceu no dia 14 de março de 1883, na cidade de Taubaté. Foi contemporâneo de Lobato e de Georgina Albuquerque, outra pintora nascida na cidade e que viveu a maior parte de sua vida na então capital da república, Rio de Janeiro, onde morreu. Clodomiro Amazonas trabalhou na primeira editora de Monteiro Lobato, como ilustrador, ao lado de Anita Malfatti. Aos 21 anos, trabalhou no restauro de pinturas no convento de Santa Clara, em Taubaté.
Casou-se, neste mesmo ano, e transferiu-se para São Paulo onde trabalhou em agencia bancaria. Em São Paulo, aprimorou seus conhecimentos de pintura com os pintores Augusto Luís de Freitas e, em seguida, com Carlos de Servi.
Desejou ardentemente uma bolsa de estudos para a Europa o que não conseguiu devido à deflagração da primeira guerra mundial, em 1914. Em agosto de 1912, antes da deflagração, expôs 35 telas no salão Rádio, em São Paulo. O forte da produção de Clodomiro Amazonas são paisagens, notadamente do Vale do Paraíba, seu berço. É possível identificar nestas telas arvores da mata atlântica floridas como Quaresmeiras, Ipês e Flamboyants, sem esquecer-se das famosas Embaúbas.
De acordo com seu sobrinho, ele usava recursos semelhantes aos de Paul Gauguin, isto é, em muitos casos fotografava as paisagens, revelava a foto e ampliava na tela, visto que naquela época não havia o recurso do slide. Tive a felicidade de restaurar a tela Natureza Morta com Mangas Maduras e para tal pesquisei o tipo de tinta que usava, telas e secante. Constatei que na sua produção ele usava tinta francesa de melhor qualidade (Lefrac-Borgeois), secante essência de petróleo e telas de linho holandês.
Nota-se, na confecção das telas, empenhado esmero onde não se percebe nenhum vazio de tinta que deixa aparecer alvura da tela, muito menos o traço negro do crayon. O suporte das telas é composto nas extremidades por cunhas de madeira para, quando necessário, retesar as telas.