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Nº 39 | Maio/ junho de 2011
Ágora

A Primeira Escola de Aviação do Brasil | Benedito Dubsky Coupé

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Ao tomar ciência da “Teoria do Caos”, segundo a qual o Universo não se rege pelas leis formuladas por Newton ou Laplace e, por conseguinte, previsões sobre o futuro são absolutamente imprevisíveis com total acerto. Lorentz, por volta de 1970, complementa o que descobrira o matemático Poincaré, ou seja, a possibilidade da existência de um sistema complexo com inúmeras variáves. Lorentz apresentou, entre outros enunciados matemáticos e físicos, célebre princípio da “Borboleta batendo as asas” e possível conseqüência: “Uma borboleta, batendo as asas na Califórnia, poderia, devido a interferências mínimas, provocar uma tempestade em Nova Iorque”. O número dessas interferências não poderia gerar uma equação matematicamente resolvível.

Parece que, pelo anteriormente exposto, interferências não previsíveis, não permitiram, que governos paulistas posteriores, levassem adiante a “Primeira Escola da Aviação do Brasil”.

Em tempo – Perguntar não ofende, dizem por aí.

As apocalípticas previsões dos ecologistas não estarão sujeitas ao caos da teoria? E se voar no caminho da Marina Silva, uma borboleta ou um vagalume?

Benedito Dubsky Coupé, do Instituto de Estudos Valeparaibanos, é autor do livro Vento Rio Acima.

Tendo assumido, pela terceira vez, a Presidência do Estado de São Paulo, o Conselheiro Rodrigues Alves1, em sua Mensagem ao Congresso Estadual, em 14/07/1912, propõe, a título de experiência, uma Escola de Aviação na Força Pública do Estado e indica como professor contratado o célebre aviador Eduardo Chaves, mais conhecido por Edu Chaves. Pedia o Presidente do Estado que o Congresso Estadual a tornasse definitiva, tendo em vista “os serviços que pode prestar este novo meio de locomoção... reputamos de grande utilidade dotar nossa organização policial de mais este melhoramento”2. Isto apenas seis anos após o voo pioneiro de Santos Dumont. E antes mesmo dos grandes feitos aeronáuticos de um “Barão Vermelho” alemão, durante a 1ª Grande Guerra (1914-1918).

Em dezembro de 1913, o Conselheiro sancionava a Lei no 1395-A, criando a Escola de Aviação da Força Pública. Inicialmente matricularam-se 43 oficiais e sargentos e alguns civis. Seu primeiro diretor era Edu Chaves, brevetado na França, e seu primeiro instrutor, o aviador Cícero Marques. Sua sede estabelecera-se no Campo do Guapira, e que, hoje, em homenagem ao seu primeiro diretor, chama-se Parque Edu Chaves. Para treinamento dos alunos, o Governo do Estado adquiriu aviões de Edu Chaves.
As Prefeituras foram instadas a criar locais de aterrisagem que facilitariam as viagens a qualquer hora do dia ou da noite, para o interior do Estado, no propósito de auxiliar a organização da Polícia.

Entretanto esses planos não foram prontamente cumpridos pelas Prefeituras. Os campos de aterrisagem só iriam se multiplicar durante a 2ª Guerra. Em Guaratinguetá foi fundado um Aeroclube que inaugurou seu campo de pouso em 1942.

Depois desta Escola de Aviação em São Paulo, surgiu uma outra no Rio de Janeiro, criada pelo Aeroclube do Brasil. Portanto a Escola de São Paulo foi a Primeira do país. Infelizmente, depois de terminado o governo de Rodrigues Alves, a Escola se extinguiu. Em 1918, Edu Chaves transferiu os aviões para a Escola do Rio de Janeiro.

Quando, hoje, reportagens televisivas mostram, por exemplo, um helicóptero da Polícia Estadual auxiliando a Polícia na localização de malfeitores ou levando acidentados aos hospitais, não se pode desconhecer o previsão de Rodrigues Alves sobre o papel da aviação como auxiliar da Polícia.

 
 

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