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Nº 37 | Janeiro/ fevereiro de 2010
Republicando

São José dos Campos, Almanach Litterario

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«Qae os jesuitas, que sempre tiveram o maior cuido em possuir indios, deram origem ás aldeãs de Carapacuibe, MBoy, Itapecerica, Itaquecetuba e S. José (hoje villa); então tinham o nome de fazenda, que elles herdaram dos paulistas com bastantes indios, cujo numero elle procuraram sempre augmentar não só com os indios vindos do sertão, mas ainda mesmo com indios de pessoas particulares, que elles seduziam, o que deu causa a serem expulsos de São Paulo, sendo restituídos em Maio de 1653, celebrando-se primeiro em S. Vicente uma composição por escriptura, na qual os padres, entre outras condições, se obrigaram expressamente a não receber e nem amparar em suas casas ou fazendas, os indios, serviços dos moradores, nem consentirem em suas fazendas e mosteiros, antes a entregarem-nos a seus donos com boas practicas para que o servissem.»

Desta memoria vê-se que a actual cidade de S. José dos Campos foi em seus princípios uma fazenda ou aldeamento de indios.

«O governador e capitão-general d. Luiz Antonio de Souza Botelho Mourão conheceu bem a necessidade de erigir em freguezias e villas as aldeãs que fossem tendo maior consideração; por effeito de suas deligencias esperançava-se muito nas de S. Miguel, Pinheiros e S. José (officio de d. Luiz Antonio ao ministerio de 21 e 22 de Dezembro de 1766); comtudo, unicamente erigio em villa a de S. José, ficando as outras em aldêas. Nota-se no procedimento daquelle governador duas incoherencias, a primeira é erigir em villa a aldêa de S. José, que não tinha e nem tem até hoje (1798) capacidade para ser villa, não obstante haver-se augmentado bastante a sua povoação com brancos e mestiços...»

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Esboço Histórico Geographico e Político desta cidade e seu município pelo Dr. Antonio de C. de Mendonça Furtado em 1878.

Consta que primitivamente a aldêa ou villa de S. José, fôra fundada pelos padres jesuítas, no alto do Rio-Comprido (margem direita), a distancia de dez kilometros da actual cidade de S. José dos Campos e a oito kilometros da cidade de Jacarehy, e á beira campo e a pouca distancia da estrada geral (e ainda disso ha vestígios); e que depois fôra mudada pelos mesmos para a actual situação; isto em éra que não se póde precisar, mas que deve ter sido no fim do seculo XVI ou principio de XVII.

Até hoje é conhecida essa localidade pelo nome de Villa Velha.

Nesta ultima edificaram a egreja e ao lado esquerdo o collegio, tendo muros de taipa e o alto barranco e banhado que vae ter ao rio Parahyba, por defesa e segurança de sua nova povoação. Ainda existem antigos que viram o resto dos muros do collegio á esquerda da matriz.

Como todos os collegios jesuíticos, era elle edificado proximo á beira do alto barranco, cortado quasi a prumo e de altura de mais de trinta metros, que em fórma de semi-circulo, margea o grande banhado que vae até o rio, com um subterrâneo que ia ter á base do barranco ou beira do banhado.

Este barranco é todo cheio de vertentes em sua base, tendo actualmente cinco fontes publicas, e muitas outras particulares, cujas agoas infiltram-se e somem-se no banhado, tornando-o quasi intransitável em seu principio, sendo que para diante na vasta planicie, o terreno é mais firme, e naturalmente para o futuro será aproveitado para cultura ou pastagens, quando houver expedição para as aguas, pois que só nas maiores enchentes do rio fica a planicie alagada e por pouco tempo; ao menos ha vinte annos não se vê essa planicie coberta de água como me asseguram que já tem ficado.

Origem da Cidade

De uma memoria do general Arouche (dr. José Arouceh de Toledo Rendon) no anno de 1798, no archivo da camara municipal da cidade de S. Paulo (livro de registro de 1639), constam as observações seguintes:

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