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Nº 37 | Janeiro/ fevereiro de 2010
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Publicações

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Vozes de Campos do Jordão

A reedição de Vozes de Campos do Jordão representa mais um passo decisivo para a compreensão e desvendamento de uma fase particularmente importante da história das ciências sociais no Brasil. Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti prossegue o seu trabalho de resgate da obra de Oracy Nogueira e, por meio dela, da influência e efeitos da chamada Escola de Chicago na produção intelectual brasileira.

Este livro tem vários aspectos que sublinham o seu pioneirismo. Mesmo antes de ir para Chicago, Oracy Nogueira, certamente graças à orientação de Donald Pierson, lida com temáticas que já vinham dando frutos, e que dariam ainda mais, nas pesquisas ligadas à liderança intelectual de Robert Park com seus colegas e alunos. É inevitável identificar no trabalho de Nogueira afinidades com as obras de Anselm Strauss e Erving Goffman, por exemplo. A problemática da doença, do hospital e questões mais gerais sobre instituições totais, de modo mais ou menos direto, sublinham a criatividade intelectual e a seriedade da pesquisa que foi desenvolvida alguns anos depois de sua experiência da doença como interno para tratamento de tuberculose em outra instituição hospitalar do estado de São Paulo. Portanto, também sobre esse aspecto há que se chamar atenção para a capacidade de Nogueira de desenvolver uma observação participante em que ele, como ex-paciente, reflete sobre a sua própria experiência anterior em meio institucional específico.

De modo geral, a divulgação desses trabalhos, sobretudo graças ao esforço de Maria Laura, permite detectar toda uma linha de influência da melhor ciência social norte-americana no Brasil. Na realidade, valoriza-se a dupla Donald Pierson e Oracy Nogueira a partir da experiência da Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo. Nos anos que se seguiram, essa produção foi relegada, de certa forma, a segundo plano e colocada um pouco à margem diante da crescente importância de uma sociologia funcionalista e do pensamento marxista em geral. Hoje temos a possibilidade de recuperar essas diferentes tradições e correntes de pensamento, buscando identificar fronteiras mas, também, estabelecer pontes e espaços de diálogo. (texto de Gilberto Velho extraído da orelha do livro)

I Coletânea da Academia de Letras de Lorena – 2010

Reunidos em 104 páginas, os poemas, contos, crônicas e outros textos que compõem a coletânea, lançada no final de 2010, reúne vinte e três dos trinta membros do sodalício lorenense.

Nelson Pesciotta, presidente da ALL, assim apresenta a coletânea:

“O aparecimento desta modesta obra, que revela um pouco da qualidade literária dos membros da Academia de Letras de Lorena, no seu primeiro aniversário de fundação, nos enche de satisfação, por ser a oportunidade para tornar mais conhecido o trabalho dos integrantes de nossa entidade. [...]

Verificarão os leitores a variedade de estilos e de inclinações, pois pessoas que usam a linguagem escrita nem sempre a usam sob a forma de romances, poesias, crônicas e outras tantas modalidades, perfeitamente definidas e aceitas como literatura, mas sob a forma de peças teatrais, relatórios, pareceres, arrazoados jurídicos, teses científicas, ou assinam colunas nos jornais, ou preparam orações para o rádio e a televisão.

A atividade acadêmica, ressalto, resgata uma tradição cultural de Lorena, que vem da fundação da sua Biblioteca Pública de 1876, das aulas dos grandes mestres salesianos, desde o início do século XX, dos antigos saraus que encantaram nas noites lorenenses, dos seus artistas da música e da pintura, dos mestres que aqui aportaram para o ensino em seus tantos colégios, onde a mocidade descobriu sólidas inclinações literárias.”

O projeto foi coordenado por Conceição Fenille Molinaro.

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Motivos

Conheço Nicoli há uns vinte anos. Muitas coisas me chamam a atenção nele: criativo, inteligente, original, sem dúvida. Dono de uma personalidade complexa, profunda, capaz de magníficas composições contraditórias. Por vezes, possuidor de um olhar crítico, de uma clareza racional quase germânica, por outras, espontâneo, de gestos largos, amoroso, quase passional – um perfeito latino. Mas, o que mais admiro em Nicoli, o que mais me fascina, é a sua coragem.

Coragem de ousar (neste mundo tão mascarado e covarde) ser ele mesmo.

Coragem para dizer sim à sua paixão pela arte, independente do preço a ser pago por isso.

Coragem de dizer a sua verdade e de ser coerente com ela.

Coragem de dizer não ao sistema, não se deixando usar por aqueles que por vaidade e sede de poder nem sabem mais o que é arte.

Acho que Guaratinguetá seria muito mais pobre se não existisse Nicoli.

Lucilena Amann

 
 

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