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Nº 37 | Janeiro/ fevereiro de 2010
Panopticum

Considerações sobre as origens do Homem Americano e o povoamento inicial da América | Hugo Di Domenico

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Interessante assinalar o que disse o Dr. E. A. Hooten após seus estudos antropológicos relativos aos esqueletos dos índios de Peco, cidade “pré-histórica” da época pré-colombiana.

“Entre os diversos tipos de crâneos que estudou, o Dr. Hooten constatou a existência de um negróide. Tirou de seus estudos a certeza duma migração, por via do Estreito de Behring e após a retirada dos últimos gelos, dum grupo misto de dolicocéfalos, compreendendo um elemento mediterrâneo, um elemento negróide e um elemento mais primitivo representando em parte os Aino, do Japão. Numa época posterior ter-se-ia dado a invasão mongolóide do Novo Mundo tendo os invasores suplantado seus predecessores ou se mesclado com eles”. (do livro Paleontologia Brasileira – Série A-1 de Carlos de Paula Couto – Paleontólogo do Museu Nacional)

Também o arquipélago das Aleutas que se prolonga em direção ao sudoeste do Alasca e limita ao sul o mar de Behring supõe-se ter sido caminho para esta travessia.
Os polinésios, como excelentes navegadores que eram, em levas sucessivas teriam atingido o litoral da América do Sul através do Oceano Pacífico apesar das frágeis embarcações feitas com troncos de árvores, possibilidade esta perfeitamente demonstrada nos tempos modernos pelo navegador sueco Thor Heyerdhal que em uma embarcação semelhante as que usavam os polinésios realizou a travessia do Pacífico viajando do Chile até a Melanésia.

Hugo Domenico é membro da Academia Taubateana de Letras e da Academia de Letras de Lorena.

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Este documento não pode ser reproduzido sem o consentimento expresso dos autores. A transgressão desta regra implicará em penalidades da lei. Baixe o texto "Considerações sobre as origens do Homem Americano e o povoamento inicial da América"
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O assunto do qual vamos tratar neste artigo representa um despertar da consciência dos brasileiros nestes últimos tempos  para o estudo de uma pré-história brasileira abrangente não apenas nos aspectos e achados arqueológicos, mas, sobretudo, no conhecimento, na análise e na interpretação das muitas verdades que se ocultam no linguajar primitivo dos indígenas brasileiros, especialmente os do tronco Tupi, cujos dialetos são estudados sob o nome geral de Língua Tupi ou Língua Tupi-Guarani.

A proto-história da literatura oral tupi e tapuia compreende todos os acontecimentos, lendas, mitos, contos guerreiros, poesias religiosas, poemas e epopéias épicas orais em prosa e verso que eles guardam na memória de suas tradições, e que expressam os seus sentimentos, suas emoções, seus amores, a criação do mundo, das plantas, dos animais, a origem das raças, a beleza do Sol e da Lua, das florestas, dos rios, dos lagos, das montanhas, do mar, tudo isto dito com a sonoridade tão rica e dominante da língua brasílica, com bem o disse Adaucto Fernandes em sua Gramática Tupi (Histórica, Comparada e Expositiva).

Considerações gerais sobre as origens do homem americano são necessárias posto que as línguas indígenas estão intimamente relacionadas com o contingente racial que para cá emigrou através dos milênios que se sucederam.

Por esta razão abrimos a nossa conversa de agora com o tema “Considerações sobre as origens do homem americano e o povoamento inicial da América. Numa segunda fase prosseguiremos com comentários sobre a influência do Tupi no Português do Brasil.

Parece fora de dúvida que no estudo da antropologia física e cultural dos povos indígenas americanos os autores estejam de acordo que os elementos raciais mais impotantes na formação dos povos indígenas do Novo Continente foram o mongol-asiático – como o mais preponderante –, o malaio-polinésio e o australiano. Houve ainda uma concorrência uraliana (esquimó) e outra sino-tibetana.

Durante milênios estas tribos invasoras, nômades, principalmente cita-mongóis, penetrando em território americano, mesclaram as suas culturas, os seus hábitos de vida, as suas linguagens, as suas lendas, estabelecento uma ética de conduta condizente com o progresso evolutivo e cultural que a natureza lhes oferecia e suas necessidades primordiais lhes exigiam.

O Istmo de Behring, entre o Alaska e a Rússia, foi sem dúvida alguma a principal rota de migração dos povos asiáticos, o corredor de entrada, uma vês que tempo houve em que a América estava ligada à Ásia e onde é hoje o Estreito de Behring era um istmo que poderia ser transposto a pé sobre as geleiras então ali existentes.

 
 


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