Instalado em 05 de março de 1890, tendo como fundador o Reverendo James Lillbourne Kennedy, o Colégio cobrava uma taxa mensal de 30$000 para a instrução em regime de externato e 320$000, com direito a todos os materiais, em regime de internato, valores que só poderiam ser assumidos por famílias das camadas média-alta que reivindicavam uma educação nos moldes dos melhores sistemas de ensino norte-americanos. Essa elite que apoiou a instalação do Colégio, ainda conservava suas tradições religiosas por meio de estreitos relacionamentos com a Igreja Católica. É preciso ficar claro que apoiar a instalação do Colégio, não significava aderir à causa protestante na cidade, mas apenas por se declararem favoráveis à instalação do mesmo na cidade, os indivíduos eram cobrados nas páginas dos jornais, por estarem se desviando do catolicismo – argumento utilizado largamente pelo vigário da cidade, Antonio do Nascimento Castro.
Graduada em História e Pedagogia, Mestre em Educação pela PUC/SP (Educação: História, Política, Sociedade).
Com a proclamação da República, a instrução foi concebida como meio de concretização de uma nova ordem estabelecida, inaugurando uma fase promissora no país. Os republicanos paulistas iniciam então a primeira reforma da instrução pública em 1892, com o objetivo de implementar um novo modelo educacional que apresentava uma nova organização administrativo-pedagógica, para atender a um grande número de alunos e cumprir os desígnios do que chamavam de ideal da educação popular. Um modelo que pressupunha profundas transformações no ensino primário, pautadas por um ensino graduado, com classes homogêneas, emprego do ensino simultâneo, vários professores, instituição do método intuitivo em uma escola laica. Um modelo que culminaria na instalação dos chamados grupos escolares. Mas, a questão da laicização do ensino tornou-se um ponto nevrálgico na reforma empreendida pelos republicanos paulistas, especialmente em uma cidade como Taubaté, com forte tradição católica que utilizava da imprensa para fazer valer seu discurso sobre o que considerava o melhor caminho para uma educação renovadora. Analisando dois periódicos com posicionamentos antagônicos, pude avaliar como se deu esse debate na imprensa, especialmente com a instalação na cidade de um colégio de confissão protestante: o Colégio Americano de Taubaté.
As disputas aconteciam entre aqueles que acreditavam ser o Colégio, símbolo de uma nova postura religiosa, política e pedagógica dos valores modernos da jovem República brasileira, liderados por indivíduos declaradamente republicanos como o professor João Penna, o Engenheiro Fernando de Mattos e o professor José Antonio Lopes Ferreira, colaboradores do Jornal do Povo e os representantes da igreja católica, liderados pelo vigário Nascimento Castro, colaboradores do Noticiarista, que viam no Colégio Americano uma ameaça às bases católicas da cidade, especialmente por ser usado como um símbolo de renovação e modernidade. Utilizando o argumento de que a laicização do ensino facilitava a “entrada” dos colégios de confissão protestante na sociedade, o vigário Nascimento Castro atacava violentamente todos aqueles que atribuíam ao Colégio um caráter renovador e moderno. Segundo Hilsdorf (1977), já no século XIX, quando se instalaram na província paulista, as escolas americanas de confissão protestante foram um dos meios de propagação desses novos métodos de ensino.
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