Nº 37 | Janeiro/ fevereiro de 2010
Artes

Georgina de Albuquerque: uma modernista de vanguarda | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

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Sobre sua arte, novamente Fernando Jorge é categórico “... pintora impressionista, suas telas estão banhadas de copiosa luz tropical e apresentam-se exuberantes, opulentas de cores vivas e alegres. Os seus nus são delicados, de tons veludíneos, e existe uma poética suavidade nas suas marinhas e naturezas mortas, nas suas paisagens ensolaradas, nas suas roseiras e manacás.”2

Em 1927, ano em que foi aceita como docente da Escola Nacional de Belas Artes, declarou a Angione Costa:

“ – Eu pinto a natureza pelas sugestões que ela me causa, pelos arroubamentos que me provoca e, como tal, não posso ficar hierática e solene ante os imperativos que ela em mim produz. Depois, amo a figura humana. Vou pela praia, encantada com a paisagem; deparo-me com uma criança, enterneço e me desinteresso pelo ambiente em redor. A minha sensibilidade é presa da graça, do movimento, da vibração infantil. O impressionismo, como eu o pinto, é novo aqui e não deixou de encontrar resistências, logo que comecei a fazê-lo”.3

A Escola Nacional de Belas Artes lhe permitiria, desde então, constituir uma carreira profissional e artística de precioso lastro de obras e influências. De professora livre-docente e interina chegou a titular da cátedra de Desenho, no ano de 1948. Quatro anos depois, em 1952, aceitaria o convite para ser a primeira mulher a assumir o cargo de Diretora da instituição.

Dez anos depois, em 1962, viria a falecer, no Rio de Janeiro, a pintora que ao lado de Anita Malfatti "foram figuras importantes do Movimento Modernista Brasileiro, assim como na trajetória e conquistas femininas, em uma sociedade onde as mulheres encontravam-se em posição de buscas e conquistas sociais".4

1 Jorge, Fernando. Os 150 anos da nossa independência. Edições MM, 1972, p. 65-67

2 Ibidem

3 Costa, Angione. A inquietação das abelhas. Rio de Janeiro, 1927.

4 Pedrão, Maria Augusta Ribeiro. Georgina Albuquerque e Anita Malfatti – Representações sobre as mulheres na Primeira República. II Encontro Nacional de Estudos da Imagem, 12 a 14 de maio de 2009, Anais, p. 786-791.

Paulista de Taubaté, Georgina Moura de Andrade foi, ao lado de nomes como Eliseu Visconti e Lucílio de Albuquerque – de quem herdaria o sobrenome após o casamento – vanguardista na introdução da pintura impressionista no Brasil.

Sua trajetória artística, iniciada em sua cidade natal, seguiu, a partir de 1904, na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde estudou, entre outros, com Henrique Berardinelli.

Enquanto estudante conheceu o piauiense Lucílio, aluno veterano da mesma escola, com quem se casou em 1906. Lucílio havia acabado de ganhar um prêmio de viagem e permanência na Europa por dois anos por ter vencido um concurso com a tela Anchieta e o poema à virgem.
Em Paris, onde o casal permaneceu por cinco anos, Georgina teve a oportunidade de frequentar a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, sendo aluna de Paul Gervais e Adolphe Decheneau, e a Academia Julian, assistindo às aulas de Henry Royer. As influências recebidas da escola impressionista tornaram-se indeléveis em seu espírito e a acompanharam em seu retorno ao Brasil, em 1911.

Instalados em atelier no Rio de Janeiro, o casal Albuquerque passou a ocupar posição de proa no cenário cultural e artístico do país. Georgina participou várias vezes do Salão Nacional de Belas Artes, organizou, em 1930, a Exposição Brasileira no “Roerich Museum” de Nova Iorque, foi premiada, em 1937, no Salão de Belas Artes de Buenos Aires, se fez presente na Exposição Pan-americana de São Francisco, EUA, e participou de uma mostra de pintoras e escultoras, também nos Estados Unidos.

Um de seus famosos quadros, um óleo premiado e hoje pertencente ao acervo do Museu Histórico Nacional, é “A sessão do Conselho de Estado que decidiu a Independência”, tela vencedora de concurso realizado em 1922 por ocasião do centenário da independência do Brasil.
Em seu livro sobre os 150 anos da independência do Brasil, Fernando Jorge tece o seguinte comentário:

“No quadro predominam as cores rosa e amarela e nele vemos a Princesa Leopoldina de Habsburgo, José Clemente Pereira, Martim Francisco, Gonçalves Ledo, José Bonifácio, Miranda Montenegro, etc., etc.

A tela representa a famosa sessão de 2 de setembro de 1822, presidida pela esposa de D. Pedro I, pouco tempo depois da chegada ao Rio de Janeiro dos despachos de Portugal, os quais reduziam o Príncipe a delegado temporário das Cortes Lisboetas, com secretários de Estado nomeados na Metrópole e autoridade circunscrita às províncias em que ela se exercia de modo efetivo. Após isto, veio a ordem drástica, categórica, exigindo o afastamento de D. Pedro e a sua imediata retirada para a Europa.

No seu quadro, Georgina de Albuquerque retrata este instante crucial, mas a tela, embora seja admirável, contém um grave erro: os personagens ostentam o uniforme verde do Império, em vez do uniforme azul do Primeiro Reinado.”1

Outras telas Georgina de Albuquerque pintou trazendo temáticas de cunho nacionalista, mas suas incursões com as tintas também contemplaram paisagens, naturezas-mortas, retratos e cenas cotidianas.

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