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Nº 42 | Novembro/ dezembro de 2011
Retrato

Os 90 anos do cemitério Santa Rita | Lúcio Mauro Dias

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Em 1984, por determinação do Prefeito Aristeu Vieira Vilela, o antigo muro de taipas foi derrubado para sanar a proliferação de escorpiões. Foi construído um novo muro de blocos de cimento.

Também no final da década de 80, por determinação da vigilância sanitária, o necrotério do local passou a não mais receber corpos para eventuais autópsias ou reconhecimentos, sendo transladados para o novo IML em Guaratinguetá.

O Prefeito Cláudio Amador em sua administração colocou galinhas dentro do cemitério para tentar acabar com a grande quantidade de escorpiões e baratas no local. A idéia hilária não vingou, pois as penosas acabaram sendo “surrupiadas”. Também em sua administração foram trocadas toda a fiação e lâmpadas do local.

Depois de algumas violações e profanações, e não encontrando um vigia disposto a trabalhar durante a noite dentro do cemitério, em 2003 o Prefeito Zé Louquinho optou por colocar cães da raça Pit Bul para fazer a segurança do lugar. O fato virou manchete nacional e a prefeitura acabou recebendo inúmeros “currículos” e ligações de criadores proprietários de canis interessados em oferecer o serviço de seus cães para a municipalidade.

A capela do Cemitério velho sagrada a São Miguel Arcanjo, que ostenta ainda em sua torre a imagem de Santa Rita, foi reformada em 2008, onde recebeu vitrais, pisos e telhado novos.

Os mais ilustres ali sepultados, além do primeiro Prefeito Américo Alves, são os Prefeitos Comendador Vicente de Paulo Penido, Aristeu Vieira Vilela, o Historiador José Luiz Pasin e o ex-ministro da República Deputado Roberto Cardoso Alves além de baluartes da municipalidade em todos os segmentos e políticos de grande importância local. Descansam ali famílias tradicionais, os primeiros Padres Redentoristas, anônimos e emancipadores que ajudaram a escrever a história da cidade. Bem na entrada, à direita, num dos mais antigos túmulos dali, descansa desde outubro de 1923 o doador das terras sagradas, Simão Miné.

Estima-se que já foram sepultadas mais de 25 mil pessoas no local que não comporta mais jazigos novos, mostrando o crescimento populacional e a expansão das cidades, já que ao longo de 16 anos foram também sepultados em Aparecida moradores de Potim e Roseira, sobrecarregando os dois cemitérios que juntos possuem 4.300 túmulos. Essa falta de espaço levou a Prefeitura de Aparecida, em 2006, a estudar um projeto de lei regulamentando o aluguel de jazigos particulares a terceiros. A prefeitura teria a função de regulamentar os termos contratuais do aluguel. Neste período, os mortos desprovidos de túmulos particulares acabaram sendo enterrados em Guaratinguetá.

No ano de 1956, o Prefeito José Geraldo Lemes Valladão determinou a instalação do novo cemitério Pio XII no final da Rua 1º de maio, em terras pertencentes à Igreja. O primeiro registro de um sepultamento data de 02 de dezembro de 1956. O local vem há alguns anos com seu limite máximo em sepultamentos além de péssimas instalações e com seus muros caindo. No ano de 2009, numa obra para maquiar este descaso, foram arrumadas algumas ruas e construído um ossuário vertical onde se encontravam covas rasas.

A capela do Cemitério Pio XII abriga ainda em seu subsolo um local com várias gavetas destinadas ao descanso eterno dos membros da Irmandade do Santíssimo Redentor e aproximadamente 3 mil sepulturas.

Em 2011 foi realizado um recadastramento entre possíveis donos de jazigos dos dois cemitérios de Aparecida para viabilizar a reforma dos túmulos abandonados e ceder a outras pessoas.

A despretensão e o improviso deste levantamento não condizem com a magnitude do assunto. Este simples resgate também não traduz em profundidade tudo que os cemitérios, em particular o de Santa Rita, representam.
Os estudos deste espaço sagrado são mais que uma evidência de que os cemitérios podem um dia deixar de transmitir apenas tristezas e se transformar num local para a purificação em todos os sentidos da vida, trazendo uma complexa e abstrata simbologia através de sepulturas e mausoléus. Mensagens que fazem alusão a conceitos religiosos de um tempo e que fornecem informações sobre as pessoas idas, suas origens e nível social. Funcionam como uma rica fonte de pesquisa sociológica e cultural, pois através da observação de estátuas e lápides podem-se conhecer as características de uma época. Trata-se de um recado congelado no tempo. Uma tentativa atemporal de diálogo com vivos.

Lúcio Mauro Dias é jornalista, fotógrafo e autor do livro “Minúcias Poéticas” publicado pela Editora Multifoco.

Na década de 60, quando das escavações para se erguer a estação rodoviária de Aparecida, foram encontrados ali objetos arqueológicos de suma importância para o conhecimento das culturas indígenas que povoaram o Vale do Paraíba, dentre os quais crânios e urnas funerárias, levantando a tese de que o local foi uma espécie de cemitério há algumas centenas de anos. Pelo que foi encontrado uma certeza se tem: aqui também era solo sagrado para os indígenas, pois nele estavam seus antepassados enterrados.

A primeira “Capella d’Aparecida” é datada de 1745. No início de sua história, os benfeitores da “Capella” eram enterrados no piso da igreja. Os outros moradores eram enterrados no “Largo da Capella”.

Mas em 1828, o Imperador Dom Pedro I promulgou uma lei recomendando que as Câmaras Municipais elaborassem posturas cabíveis ao estabelecimento de cemitérios fora do recinto dos templos. Em atas do ano de 1843 o vereador Padre Israel Pereira dos Santos Castro sugere a “creação de um cemitério na freguesia de Apparecida”. A Prefeitura de Guaratinguetá compra então neste mesmo ano um terreno localizado atrás da igreja velha, na antiga Rua Major Martiniano, atual Rua Ver. Oswaldo Elache. Local onde depois se ergueu o convento das Irmãs Carlistas.

Em 1852 o cemitério estava pronto e os sepultamentos deixaram de serem feitos na “Capella” ou em seu pátio. Estima-se que Aparecida tinha uma população de mais ou menos duas mil e quinhentas pessoas nesta época. Muito tempo depois ossadas foram encontradas na escavação para a construção do moderno e enorme edifício que hoje se encontra no local.

Em janeiro de 1893 uma representação da mesa administradora da Capela de Aparecida pede a remoção do cemitério daquela localidade para outro lugar.

A existência do cemitério em Aparecida é confirmada pelas atas de orçamentos fixados em 1908. Em 1913 a direção da Basílica Velha comunica que pretendia dar outra finalidade ao terreno onde se localizava o cemitério. Os interessados que tivessem parentes ali enterrados deveriam agilizar o transladar dos mesmos para o “cemitério novo”. Em 1921 o cemitério “desceu” a Rua Major Martiniano e os mortos começaram a ser sepultados no Bairro de Santa Rita.

Em 1922 houve concessão de verbas para as obras de aumento do cemitério. No ano de 1925 é aprovado orçamento de verba para o zelador do Cemitério Santa Rita. Em 1929, o já emancipado município de Aparecida mostra no balancete da prefeitura o quadro de funcionários onde consta um zelador e um coveiro para serviços no cemitério.
Relatos redigidos por parentes do doador dizem que o local cedido para se estabelecer o novo cemitério pertencia a Simão Marcelino de Oliveira, conhecido como Simão Miné, detentor de terras que formavam o Bairro dos Machados, mais tarde, Bairro de Santa Rita.

Os limites do terreno do Cemitério Santa Rita são as Ruas Santa Rita, Rua 1º de Maio, antes Rua do Pinhão, Rua Floriano Peixoto e Travessa Pedro Guarcino, antes limites das terras do Sr. Joaquim Israel (Joaquim Raé), desapropriada para se traçar a Via Dutra na década de 50.
Houve em determinada época quatro entradas para o cemitério em cada uma dessas ruas, sendo que, a entrada pela Rua do Pinhão, um pátio da prefeitura usado para guardar carroças coletoras de lixo, era especialmente para traslados de corpos na intenção de não chamar a atenção dos transeuntes e a entrada que beirava a Via Dutra para escoamento de entulhos de obras e entrada de materiais de alvenaria. Há ainda o registro de uma entrada onde se localiza atualmente o centro de Saúde da Mulher.

Não há nos arquivos do Cemitério Santa Rita documentos ou livros que mostrem os primeiros registros de sepultamentos a partir de 1921. O livro mais antigo de registros de óbitos encontrado data de 2 de janeiro de 1924, com termo de abertura assinado pelo Prefeito de Guaratinguetá Pedro Marcondes Leite.

No mesmo termo consta ainda a assinatura do Prefeito de Aparecida Américo Alves Pereira Filho com data de 1º de abril de 1929, quatro meses após a data de emancipação do município de aparecida instalado em 30 de março de 1929.
O primeiro nome da listagem é de um “anjo”, como eram denominadas as crianças falecidas, de nome Jayme Ferreira Souza, sepultado em 1º de janeiro de 1924.

Em 1948 o Prefeito eleito Américo Alves teve como maior problema resolver o esgotamento do cemitério Santa Rita.

A solução encontrada foi a construção de túmulos verticais. Os famosos “gavetões” que se mostraram insuficientes foram construídos nos fundos do cemitério.

Em 1952, uma das armas usadas pelo candidato Solon Pereira para se eleger foi acabar com os gavetões. Eleito, Sólon Pereira derrubou a obra de seu antecessor Américo Alves e o cemitério foi estendido até as margens da Via Dutra numa ampliação onde foi necessário desapropriar uma área de 1200 metros adentrando a chácara do Sr. Joaquim Israel.

Na década de 60 foi feita uma instalação elétrica em quase toda extensão das ruas centrais do Cemitério Santa Rita que iluminava também a enorme cruz de madeira nos limites do muro. Devido ao aquecimento causado por velas, molhadas também pela chuva, as lâmpadas estouravam facilmente, deixando a iluminação da cruz inviável.

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