Desta forma, à história das mulheres tem se apresentadas novas reformulações e questionamentos, ocasionando processos de rupturas e adequações frente aos novos desafios, utilizando-se de auxílio de inúmeras fontes e novos enfoques. Tais interpretações possibilitaram ampliar o entendimento dos processos históricos, no momento em que se procurou novos agentes, novos sujeitos, e se aproximou da interdisciplinaridade, preocupou-se com vários aspectos, dentre eles o cultural, que elucidou o apreender a história, no universo das práticas sociais.
Na tentativa de compreender os momentos históricos construídos pela sociedade do final do século XIX, ‘revendo os papéis’ das mulheres que se destacaram socialmente dentro do espaço urbano de Pindamonhangaba, os usos, as inventividades e as práticas de trabalho, caridade pública, lazer e fé destas cidadãs. Muitas destas mulheres organizavam na cidade trabalhos normativos, ligados ao marido e aos filhos.
Gislene Alves é Mestre em História Social pela PUC - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e membro da Academia Pindamonhangabense de Letras.
Uma das opiniões mais geralmente acreditadas acerca da brasileira é que ela é preguiçosa e conserva-se ociosa todo o dia. É um engano. A brasileira não faz nada por si mesma, mas manda fazer; põe o maior empenho em não ser vista nunca em ocupação qualquer. Entretanto, quem for admitido à intimidade, achá-la á pela manhã de tamancas, sem meias, com um penteador de cassa por vestido, presidindo à fabricação de doces, cocada, arrumando-os nos tabuleiros de pretos e pretas, que os levam a vender pela cidade.(...)
A historiografia tradicional a respeito das mulheres brasileiras tendeu para a invisibilidade de suas ações. Já nos últimos anos ampliou-se essa discussão e cresceu a inserção de novos agentes históricos, no tocante a mulher, privilegiou-se dar visibilidade a sua presença até então oculta por um discurso universal masculino.
O recôndito feminino está associado a sua aproximação com o trabalho doméstico, sendo-lhe reservado conceitos obscuros, uma vez que a tarefa doméstica não era valorizada como ‘trabalho’ e sim como uma continuidade natural do ‘dom feminino’: o zelo pela família.
Os afazeres domésticos indispensáveis ao conforto familiar exigiram estratégias e táticas que incorporadas às experiências do cotidiano, revelaram movimentos femininos que ultrapassaram os ‘limites da honrosa missão’ que lhes foram historicamente construídos.
Essa ‘honrosa missão’, limitava as mulheres aos cuidados com a casa e com os criados de servir, fiscalizando a produção de doces e outros6 que pudessem acrescentar uma renda extra para o sustento familiar.
Esses ‘afazeres’ femininos que se diversificavam desde a administração de escolas, de propriedades móveis, imóveis e plantéis, entre outros, geraram questionamentos dentro do conhecimento historiográfico. Não que as indagações devam ser todas respondidas, mas, encaminhou-se o repensar sobre os papéis sociais das mulheres, para analisá-los, uma vez que foram socialmente determinados.
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