Depois de passar por Argélia, Cuba, Chile e Argentina, ele viverá, por oito anos, na Alemanha Oriental, atrás do que o Ocidente costumava chamar de A Cortina de Ferro.
Com a anistia, Pedro Lobo volta ao Brasil onde é reintegrado aos quadros da Polícia Militar como se sua vida encerrasse um caprichoso ciclo. Agora, um pacato capitão PM aposentado, o ex-guerrilheiro vive, há mais de vinte anos, em São José dos Campos.
O livro foi lançado no dia 28 de outubro, durante a 45ª Semana Cassiano Ricardo, no espaço de eventos do Shopping Colinas, em São José dos Campos.
João Roberto Laque é autor do livro Pedro e os Lobos – Os anos de chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano, livro que ficou em 5º lugar na final do Prêmio Jabuti deste ano na categoria livro-reportagem. Pedro Lobo, personagem principal da obra, nasceu em Natividade da Serra-SP, passou sua adolescência em Caraguatatuba e mora há mais de vinte anos em São José dos Campos.
Foram sete anos de pesquisa para o jornalista terminar a biografia, que também serve como livro de história, da história recente do nosso país que ainda fervilha a cada nova revelação de seus agentes e que tem na presidente eleita um de seus atores.
A idéia do autor foi a de dar aos jovens um painel do período político entre a posse de Jânio Quadros e o fim do governo João Figueiredo, além de fazer uma homenagem àqueles que tentaram combater os ditadores de coturnos.
Aos oitenta anos – completados em julho último – Pedro Lobo é um exemplo do desprendimento e da obstinação dessa turma que resolveu se rebelar contra aqueles que depuseram João Goulart. Sua história é fascinante, uma vez que, depois de deixar Caraguatatuba, onde viveu até os dezoito anos, ele vira boia fria, servente de pedreiro e metalúrgico até ingressar na Força Pública, hoje Polícia Militar.
Expulso da corporação por força do AI-1, o personagem principal de Pedro e os Lobos funda a Vanguarda Popular Revolucionária, sigla clandestina que irá abrigar o lendário capitão Carlos Lamarca. E, engajado na luta armada, Pedro se torna um dos mais ativos guerrilheiros urbanos da época.
Em seu vasto currículo de ações estão ataques a bancos, invasões de pedreiras, um atentado a bomba contra o Quartel General do 2º Exército do bairro paulistano do Ibirapuera, a invasão do Hospital Militar do Cambuci e a execução, a tiros, do capitão norte-americano Charles Rodney Chandler.
Capturado no início de 69, o ex-sargento será barbaramente torturado e terá de cumprir ano e meio de cadeia até ser banido do país durante o sequestro dum embaixador alemão.
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