Na quarta capa do mais recente lançamento do Selo Três por Quatro, da Editora Multifoco, o editor assim se refere aos breves poemas de Lúcio Mauro Dias:
“Cada um pode se apropriar destas minúcias, emprestando a si mesmo as sensações e pensamentos que elas contêm.
Outros, no entanto, nada verão além do óbvio. Poesia é reflexo onde vemos nossa própria essência. Como cacos de um espelho quebrado, estes pequenos poemas hão de refletir lembranças vivi-das ou perdidas, quem sabe demons-trar os contornos de sensações conhe-cidas ou ainda não experimentadas. São versos capazes de espelhar sorrisos para todos os gostos: irônicos, român-ticos, lúdicos, melancólicos. Seja o que for, o certo é que, ao fechar este livro, quem o leu sentirá vontade de abri-lo de novo, movido pelo desejo de se ver mais um pouco. A poesia é o melhor dos espe-lhos.”
Já os dizeres de Maurílio Reis assim prefaciam Minúcias Poéticas:
“O que dizer desta obra? Deste jovem poeta que com suas metáforas quebra paradigmas literários?
O que dizer deste livro que nos remete a gostosas rotinas que são esquecidas?
É simples, como parece ser. Mas não é.
Sua forma e graça reinventam um estilo novo, moderno e excitante.
A vida se torna mais bela na ótica de Lúcio Mauro, pois, através de sua poesia, conseguimos vivenciar os simples momentos que nada mais são do que fragmentos. Fragmentos de uma vida que se enriquece quando prestamos atenção nas minúcias de tudo que nos rodeia.
Lúcio Mauro é este poeta que ama as palavras e ama a vida mesmo em seus vãos momentos. Num jogo de futebol, numa mesa de bar ou na madrugada insone - nas suas saudades verdadeiras, no seu jeito de driblar a tristeza e rir da vida, num pedaço de papel ou num guardanapo - ele vai reinventando a poesia com suas maravilhosas releituras.
Obrigado por nos brindar com seu talento, pelo qual percebemos que a vida é feita de tempo e, precisamente, de segundos. E que precisamos prestar atenção e viver intensamente cada um deles.”
Lançado em 2010, pela Roda & Cia Editora, o livro de Izabel Fortes conta, de maneira simples e envolvente, o processo de transformação de um curumim da tribo dos Maués, povo da região amazônica, em índio.
Os rituais de passagem da infância para a adultície, compreendidos como enfrentamento e conhecimento de si mesmo, é o eixo em que se apoia o livro.
Izabel Fortes, nascida e criada em Cachoeira Paulista, onde reside até hoje, passou a infância, como ela própria diz, “num quintal com árvores centenárias, balanços de cipó, riozinho com guarus e até iaras, jabuticabeiras, cajueiros e, acredite se quiser, um querido preto velho que nos contava histórias sobre escravos e índios. Era apaixonante!”
Hoje, mãe de três filhos e avó de cinco netos, resolveu escrever as histórias que conta para os netos.
A ilustradora Vera Ferro, nascida no Rio de Janeiro, reside há mais de 30 anos em Campinas e desenha e pinta “desde que se conhece por gente”.
Especializada em Arte Educação, a artista também é gravadora e fotógrafa. Mas são suas técnicas primorosas de aquarelistas que podem ser observadas nas ilustrações do livro.
Além da história contada de um modo que somente as avós sabem, Izabel Fortes teve o cuidado de preparar um glossário com as palavras maués utilizadas no livro.
Carinho de vó, cuidado de mãe, didática de professora.
Vale ler!
O infatigável Gabriel Junqueira acaba de lançar mais um livro de poesias. Depois de Pingos e Respingos, Versos ao vento, Sonhos avulsos e Colher Estrelas, agora é a vez de Crepúsculo.
Em 103 poemas distribuídos ao longo de 96 páginas, o autor aborda temas variados que, curiosamente, apresenta em ordem alfabética.
Obra da maturidade, Crepúsculo, ao contrário do que se possa pensar, não se ocupa dos grandes e tradicionais temas existenciais. O que interessa ao poeta Gabriel é dizer com sutileza das singelas coisas. Não estaria aí sua grandeza?
Junqueira, para quem a poesia “é a elevação sublime dos sentimentos e sensações, através da sonoridade das palavras”, é um romântico que faz lembrar os sonetistas. Seus poemas parecem, ao estilo do soneto, terem sido feitos para serem cantados.
Essa preocupação com a musicalidade contida nas palavras é percebida, em nota do próprio autor, logo nas primeiras linhas do livro:
“Exponho, nesta obra, minha sensibilidade poética.
Não estabeleci minhas poesias aos cânones rígidos da disciplina linguística como: métrica, ritmo e cadência. Apenas obedeci como expressão primeira da poesia, a rima que dá o seu encanto e musicalidade e foge da linguagem comum. Usei da liberdade poética dos tempos modernos, sem desfigurar a poesia tradicional.
No canto lírico dei uma conotação de sentimentalismo. Procurei abordar outros assuntos, principalmente os fenômenos da natureza e até do cômico.
Nesta obra, talvez a última de minha vida, procurei dar um bom tom para impressionar os amantes da poesia.”
Boa Leitura!