Carlos Drummond de Andrade, a mineira, de Divinópolis, Adélia Luzia Prado Freitas lançou Bagagem, seu primeiro livro de poesias, pode-se ler, logo às primeiras páginas, um poema de referência a Aparecida, cidade provavelmente visitada pela escritora, assumida “cristã de confissão católica”.
Intitulada Círculo, a poesia remete a uma possível estada de Adélia Prado, em um 12 de outubro, em uma das pensões da cidade-santuário.
Eis o poema:
Na sala de janta da pensão
tinha um jogo de taças roxo-claro,
duas licoreiras grandes e ela em volta,
como duas galinhas com os pintinhos.
Tinha poeira, fumaça e a cor lilás.
Comíamos com fome, era 12 de outubro
e a Rádio Aparecida conclamava os fiéis
a louvar a Mãe de Deus, o que eu fazia
na cidade de Perdões, que não era bonita.
Plausível tudo.
As horas cabendo o dia,
as cristaleiras os cristais
- resíduo pra esta memória -
sem uma palavra demais.
Foi quando disse e entendi:
cabe no tacho a colher.
Se um dia puder,
nem escrevo um livro.
Se estava em Aparecida ou em Perdões, só a autora pode dizer.
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