Eloy, agasalhado sob a ternura materna, não sentiu muito a mudança. Sua mãe, de superior formação intelectual, afeita aos ambientes aristocráticos, prendada, hábil, discreta, e, por igual, boa dona-de-casa, assumiu o controle doméstico com a necessária eficiência. Instruída e possuidora de personalidade definida e marcante, ao tempo em que se associava ao marido nas representações sociais, em nível diplomático, reservava sempre algum tempo para a educação da prole, vez que, os primeiros estudos de Eloy e dos irmãos foram feitos à luz dos ensinamentos de Dona Cândida.
Aos dez anos, contudo, o pequeno pindamonhangabense retornou ao Brasil. Os pais, preocupados com o seu futuro, pois revelava excepcionais qualidades de inteligência e argúcia, resolveram mandá-lo de volta ao Brasil, a fim de que sua instrução aqui se completasse convenientemente, além de, com isso, propiciar-lhe melhor penetração nos círculos sociais brasileiros.
Foram bem sucedidos nesse passo.
Zelosamente recomendado, rumou para o Rio de Janeiro onde o Marquês de Paranaguá, dedicado amigo da família Miranda Chaves, o acolheu com especiais manifestações de carinho e o encaminhou ao Colégio Vieira de Meneses, um dos melhores educandários existentes na Corte à época.
Todavia, Eloy aí ficou apenas o tempo necessário à preparação de seu consequente ingresso no Colégio Pedro II, em que fez os preparatórios guiados por mestres como Carlos de Laet, que ministrava Latim; João Ribeiro, História Universal; Caminhoá, História Natural, e o velho Barão de Tautphoeus, Grego.
Francisco Piorino Filho é bacharel em Ciências Jurídicas, membro da Academia Pindamonhangabense de Letras e autor do livro Eloy Chaves, lançado em 2010, além de outros oito livros históricos e biográficos.
Eloy Marcondes de Miranda Chaves nasceu em Pindamonhangaba, em 27 de dezembro de 1875. Seus pais: Coronel José Guilherme de Miranda Chaves e Dona Cândida Marcondes de Andrade que passou a se chamar Cândida Marcondes de Miranda Chaves, filha de Cândido Marcondes de Andrade e de Dona Maria Amélia de Andrade.
Foi seu bisavô materno, o Coronel Domingos Marcondes de Andrade, major da guarda de honra e Sua Majestade D.Pedro I.
Eloy Chaves foi batizado na Igreja Matriz da Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, hoje Santuário Mariano, vinculada à Diocese de Taubaté, aos 17 de abril de 1876. Seus padrinhos, conforme reza a certidão fornecida pela Cúria Diocesana, foram Eloy Bicudo Varella Lessa (Barão de Lessa), e Dona Benedicta Bicudo Varella Lessa, a Baronesa de Paraybuna, tendo sido o batizado feito pelo então Vigário Cônego Tobias da Costa Resende.
Pindamonhangaba, à época, alcançava a plena força de seu desenvolvimento econômico-social graças à firme e constante expansão da cultura cafeeira – cultura que, em sua enorme capacidade de conquista de espaço e do mercado, vinha avançando planalto adentro, estendia-se à Mogiana e à Paulista, invadia a Noroeste, começava a estimular a Alta Sorocabana para, em breve e por fim, explodir em aquisições tais na Araraquarense, que essa região viria a apresentar índices de crescimento como jamais se havia verificado, em tão curto espaço de tempo, em qualquer parte do País.
Assim, Pindamonhangaba vivia dias de gloriosa fartura e o café, vigoroso sangue negro, tão democrático quanto estimulante, aromático e saboroso, desenrolava sua fascinante escalada de fruto itinerante.
Segundo filho do casal Miranda Chaves, Eloy fruiria, nos seus primeiros anos, da alegre convivência da irmã Maria Carolina, que o precedera, e dos irmãos que a seguir vieram trazer maiores estímulos ainda a seus genitores: Franklin e José Lustosa. Mas, relativamente, pouco tempo desfrutaria do ambiente pindamonhangabense. Seu pai, baiano de boa origem, bons princípios e excelente formação humanística, com raízes familiais aprofundadas na elite político-social das gentes do Recôncavo, desfrutava situação que, se não era assinaladamente vantajosa do ponto de vista financeiro, era-o, porém, privilegiada em termos sociais.
Fora companheiro de infância da Baronesa de Loreto, filha do Marquês de Paranaguá, ex-presidente do Conselho e várias vezes Ministro, e esposa do Barão de Loreto, que seria Ministro do Império do Gabinete de Ouro Preto; e quando pensou em batizar Eloy, convidou para padrinho do filho um amigo dedicado e sincero, o Barão de Lessa, da linhagem dos pró-homens de Pindamonhangaba. Se, pois, não dispunha de recursos amplos, convivia, entretanto num meio social superior, de pessoas influentes nos círculos administrativos locais e nacionais, o que o levou a participar da representação diplomática do Brasil no exterior.
Assim, deixou um dia o Vale do Paraíba e, com a família, rumou para o Peru, em Quito, para desempenhar as funções de Cônsul Geral do Brasil.
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