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Nº 40 | Julho/ agosto de 2011
Artes

Georgina de Albuquerque e Anita Malfatti: mulheres e artistas | Maria Augusta Ribeiro Pedrão

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Nesse contexto encontram-se duas pintoras que resistiram a esses empecilhos e conseguiram fazer da pintura sua profissão.

Georgina de Moura Andrade nasceu no dia 04 de fevereiro de 1885, em Taubaté, no estado de São Paulo. Taubaté, cidade de tradicional riqueza (da mineração às fazendas de café) e pólo de desenvolvimento da região, recebia grande número e diversidade de pessoas por causa da linha férrea Rio de Janeiro - São Paulo que cortava a cidade, e onde, alguns artistas aproveitavam para registrar paisagens e personagens do interior.

Os primeiros estudos artísticos de Georgina foram em aulas particulares com o pintor italiano radicado em São Paulo Rosalbino Santoro. Ainda jovem muda-se para o Rio de Janeiro e matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes. Lá conhece seu futuro marido, o também pintor, Lucílio de Albuquerque. Em 1906, Lucílio recebe o prêmio de viagem ao exterior, oferecidos aos alunos regularmente inscritos na ENBA, Georgina o acompanha. Lá a artista estuda na Academie Julian ena École Nationale Supérieure dês Beaux-Arts. A academia proporcionou à artista um aprendizado aprimorado, ao incentivar os estudos com modelos vivos e de nus, o que permitiu que ela se dedicasse a gêneros diversos até mesmo ao gênero histórico (considerado como o mais importante gênero da pintura, situado no mais alto grau da hierarquia, acima dos retratos, paisagens e naturezas-mortas) como se aventurou com a tela Sessão do Conselho de Estado (1922).

Maria Augusta Ribeiro Pedrão é pós-graduada em História pela Universidade Estadual de Londrina.

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No inicio do século XX apesar das teorias e práticas liberais defenderem a igualdade entre os indivíduos, as mulheres ainda se viam sem acesso à cidadania, seu papel era o de complementar as funções de seu marido. Essa diferença entre sexos era revigorada pela medicina, pela biologia e até mesmo pelo sistema jurídico. Contudo, apesar das dificuldades impostas à mulher por essa nova sociedade que se pretendia moderna, a vontade de se construir uma nova imagem do Brasil, de um país progressista e moderno, fez crescer as discussões acerca da educação no Brasil. Dessa forma o magistério pode ser considerado uma brecha, assim como o desenvolvimento urbano e a maior ocupação feminina nos espaços públicos após a Primeira Guerra (1914-1917), para abertura de novas profissões às mulheres, entre as quais podemos citar a de telefonista, secretária e enfermeira.

A modernidade no Brasil, inspirada nos moldes europeus, significava avanço e progresso, afetou principalmente as duas maiores capitais nacionais: Rio de Janeiro e São Paulo, cidades onde viviam respectivamente, Georgina de Albuquerque e Anita Malfatti. Nesse momento as duas cidades viviam em constante disputa por uma hegemonia política e cultural.

Após o segundo quartel do século XIX, São Paulo irá investir no aprimoramento artístico-cultural da cidade. Em 1892 é criado o Pensionato Artístico de São Paulo - que aceitava como alunos apenas paulistas natos. Por causa da rivalidade entre as duas cidades e pelo fato de os paulistas julgarem São Paulo estar à frente do Rio de Janeiro, seus jovens talentos não iam estudar na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio, eles eram mandados diretamente para a Europa, pois nenhuma instituição brasileira poderia servir de base para um jovem artista paulista, segundo os preceitos estabelecidos naquele programa de incentivo e formação artística.

No Rio de Janeiro havia duas grandes instituições à escolha dos jovens que pretendiam exercer a carreira de artista, a Escola Nacional de Belas Artes e o Liceu de Artes e Ofícios. A competitividade entre as duas instituições, pela preferência do público, foi uma questão importante em termos de criação de oportunidades, principalmente para as mulheres. A Escola percebia que estava perdendo espaço para o Liceu de Artes e Ofícios por conta do difícil acesso ao ensino oficial e das regras rígidas e tradicionais.

Dessa forma podemos perceber que o ensino das artes no Brasil teve diferentes concepções, diferenças essas que se fizeram presentes na formação das artistas Anita Malfatti e Georgina de Albuquerque.

As mulheres pintoras brasileiras foram constantemente desestimuladas a continuarem suas carreiras de inúmeras formas. Somente a partir da transformação da Academia Imperial de Belas Artes em Escola Nacional de Belas Artes (1890), após a proclamação da República, é que se tornou possível, mas não garantido, o ingresso de mulheres na escola, que continuavam a buscar formação em ateliês particulares. As pintoras também eram vistas como amadoras e produtoras de uma arte feminina, recebiam prêmios de consolação ao invés de medalhas. Além desses, outros motivos como gravidez e dedicação ao lar, promoveram carreiras interrompidas.

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