A criação e o desenvolvimento da Cerâmica Weiss é uma história à parte que merece ser perpetuada para que as gerações futuras reconheçam o valor e o espírito criativo dos primeiros empreendedores. Tudo começou em 1923, quando o italiano Eugênio Bonádio construiu a primeira fábrica de São José com o nome de Fábrica de Louça Santo Eugênio. Nessa mesma época, chegou à cidade a família Weiss, também de origem italiana.
Das seis filhas de Eugênio Bonádio, duas se casaram com os descendentes dos Weiss. Ines Bonádio se uniu a Roberto Weiss e Sergia Bonádio, à Mário Weiss. Após o casamento, eles decidiram deixar a Fábrica de Louça Santo Eugênio para fundar seu próprio negócio.
Nascia então, em 1942, a Cerâmica Weiss. O cenário não era dos melhores porque o mundo estava no auge da 2º Guerra Mundial. No entanto, a crise internacional não afetou a disposição e criatividade dos jovens que queriam fazer sucesso nos negócios.
As mulheres assumiram a criação artística da cerâmica. Eram elas quem realizavam a criação das louças, vasos e enfeites que seriam produzidos para a venda. Os homens por sua vez, ficaram responsáveis pela administração da fábrica.
A união deu certo. As peças produzidas na Cerâmica Weiss começaram a fazer sucesso e logo ganharam mercado. As louças foram vendidas inicialmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Em pouco tempo, a produção era comercializada em diversas cidades do Brasil.
Sérgio Weiss, filho do casal Inês Bonádio e Roberto Weiss, lembra que as primeiras peças produzidas eram feitas de forma manual. "Minha mãe criava as peças e as funcionárias da empresa produziam manualmente o que ia ser vendido" , contou.
Com o sucesso das vendas, a Cerâmica Weiss teve que se modernizar. A partir da década de 60, o processo manual foi sendo substituído pela linha de produção. Nos anos 70 e 80, a empresa já exportava para os Estados Unidos, Japão e Europa. Um contrato firmado com a empresa Avon, garantiu o crescimento dos negócios que já iam muito bem.
A criadora artística da cerâmica, Ines Weiss, buscava várias fontes de inspiração para compor as peças para a fábrica. O fato mais curioso ocorreu no final da década de 40. A nora de Ines, Maria Helena Weiss, 67 anos, conta que a sogra se inspirou para fazer uma peça após assistir um filme no final da década de 40. "Ela assistiu o filme Yankee in Raf, que contava a trajetória de um americano na Força Aérea inglesa. Ines viu um vaso e copiou igual. Ela mandou um dos criadores da cerâmica ver a fita três vezes para pegar mais detalhes da peça", disse Maria Helena.
"As vendas da Cerâmica Weiss fizeram sucesso na época da 2º Guerra porque as pessoas compravam as peças produzidas em uma fábrica em São José dos Campos pensando que estavam comprando louças importadas da Alemanha. Os consumidores achavam que as peças eram importadas por causa do nome Weiss" conta Sérgio Weiss com emoção, um dos fatos que marcam as lembranças que a família tem da época de ouro da Cerâmica Weiss em São José.
A história de São José dos Campos se funde com a do maestro Sérgio Weiss, cidade que o viu nascer no dia 7 de novembro de 1928 e que lhe deve o reconhecimento por ter levado o nome do município pelo Brasil afora com sua criatividade musical e visão pioneira na forma de se apresentar e a persistência em defesa da boa música para curtir e dançar. Seus pais criaram a Cerâmica Weiss que durante muitos anos produziu e vendeu peças aos viajantes que passavam pela cidade. A tradição em cerâmica pertence à mãe, Inês Bonádio, ligada à família que dirigia a Fábrica de Louças e Pó de Pedra Santo Eugênio, a primeira de São José dos Campos.
No início da década de 40 São José dos Campos se enquadrava entre as chamadas “cidades mortas” do Vale do Paraíba, que após a época áurea do café tiveram suas economias estagnadas. Foi neste período que Sérgio Weiss decidiu seguir sua vocação artística, incentivada apelo avô, Eugênio Bonádio, que além de ser o fundador da primeira indústria de São José, a Cerâmica Santo Eugênio, era pianista.
O grande impulso na carreira vitoriosa de Weiss aconteceu no ano de 1948, em uma festa junina do recém fundado Tênis Clube, quando um grupo de jovens liderados por Weiss improvisou uma batucada no rústico e inacabado salão de festas do clube. A aceitação dos presentes foi tão grande assim como o incentivo da diretoria do clube o que representou o primeiro passo para a formação de um dos mais famosos conjuntos de danças do centro-sul do país: o Biriba Boys. Durante 18 anos Sérgio Weiss liderou este grupo que se apresentou em todas as cidades da região, nas principais cidades do Estado, no Rio de Janeiro e em várias capitais do país.
Nos anos 60 a presença do Biriba Boys era sinônimo de sucesso nos bailes, tendo sua agenda sempre tomada. Teve ainda um programa semanal na então TV Paulista canal 5, gravou sete Long-Plays e participou do filme “Rio a Noite”. Por meio da Câmara municipal e imprensa local, o conjunto musical recebeu o título de “Embaixadores Sonoros da Cidade”, pois a cidade havia ficado conhecida como a “terra do Biriba Boys”.
Paralelamente à atividade musical, Weiss se dedicava à prática esportiva do tênis e basquete, com o objetivo de projetar a cidade também no cenário esportivo nacional. É sócio fundador do Tênis Clube e do São José Esporte Clube e sócio proprietário do Clube de Campo Santa Rita e do Clube Luso Brasileiro.
Mas a música sempre falou mais alto na vida de Sérgio Weiss e ele foi o organizador de dos clubes de dança: o Elite Clube e o Estrela Dalva que se destacaram por reunir apaixonados pela dança, que curtiam com a alma esta atividade criando um ambiente sempre saudável.
Sérgio Weiss também se dedicou ao jornalismo, tendo lançado o Impar News, órgão de divulgação de sua empresa de representações, a Impar Representações Artísticas. Durante algum tempo escreveu para os jornais diários locais; O Valeparaibano e o Agora, mantendo uma página dominical com o título Vitrine da Cidade.
Em 1974, ao completar 25 anos de atividades artísticas foi concedida a ele, pela Câmara Municipal a primeira medalha Cassiano Ricardo, uma honraria dedicada aos filhos de São José dos Campos que tenham se distinguido no cenário nacional, elevando o nome da cidade. Nesta oportunidade recebeu de diversas entidades sociais da região uma quantidade apreciável de medalhas, placas e troféus que ele guarda em sua vasta galeria com especial carinho e justificável orgulho.
Defensor incondicional da música brasileira, Weiss contabiliza mais de 4 mil bailes em sua carreira. Ele lembra que na década de 70 quando passou a novela Dancing Days as pessoas só queriam discoteca. Depois vieram os Beatles e o Woodstock, afastando as pessoas dos bailes tradicionais. Mas ele jamais se entregou, depois dos Biribas Boys criou o Brasília Modern Six e depois a orquestra Silverstar, que retomou o glamour dos grandes bailes e reconquistou o sucesso trilhado pelo Biriba Boys.
Entre as 20 composições de sua carreira, a música Minha Cidade se destaca por se tornar tema do aniversário de São José. As músicas que alcançaram maior sucesso popular foram Caraguatatuba, que fez em parceria com J.Cursino, e São José Bom de Bola, marcha carnavalesca que foi declarada hino oficial do carnaval de 1981, ano em que os clubes da cidade foram campeões paulistas em basquete, futebol e natação. Este ano foi considerado o carnaval da vitória e a marcha São José Bom de Bola foi a mais cantada nos salões da cidade.
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