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Nº 38 | Março/ abril de 2011
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Aparador de Quimera

Depois de quatro anos do lançamento de seu livro de estréia, Zenilda Lua, a poetisa paraibana de alma joseense (ou seria o inverso?), brinda o Vale do Paraíba com mais uma leva de seus primores poéticos: Aparador de Quimera.

Em inéditos 54 poemas, o livro recém-lançado dá seguimento ao lirismo encontrado em Alfazema.

Abrindo seu baú de saudades, a apresentação da autora é marcada por uma só palavra que ela utiliza diversas vezes em alguns poucos e abreviados parágrafos: lembrança.

As palavras de Zenilda comovem de início:

“Esse livro nasceu de uma saudade presa e funda. De lembranças diárias que às vezes vêm e vão brincantes. Noutra ficam demorosas.

A lembrança dos avós e a mais espaçosa e envergada de motivos de amor.

A dos irmãos proseando na hora da janta é a mais presente. A florada das goiabeiras. O amadurecer secreto das siriguelas.

A alegria de esperar os domingos pela certeza da chegança do Seu Severino (nosso único e pontualíssimo pãozeiro) - carregado de pães fresquinhos e guloseimas das mais deliciosas. [...]

Lembrança do açoite fino da chuva que enchia o alpendre de Tia Maria com um cheiro molhoso e apagador de poeira. [...]

Essas lembranças me revisitam, enternecem e validam minha sorte. Ressignificam minha condição de menina beradeira que passou a primeira infância na zona rural, cuidando da fazenda de flores em parceria com a irmã, contando borboletas, morta de silêncio e desejos”.

No verso da apresentação pode-se ler o seguinte trecho de uma carta enviada pela amiga Dyrce:

“O escrever de Zenilda Lua é amplo, largo, profundo. Nada de economia, nem de palavras, nem de sentimentos.
Enluarando a palavra, Zenilda esparrama-se no denso lençol da poesia, solta de quaisquer limites, quaisquer formas pré-elaboradas. Zenilda cria formas novas de dizer coisas antigas e, por isso, eternas. Eterna é Zenilda...

Eu, tão contida que sou no meu minimalismo, que mais esconde que mostra, deixo-me levar pelas melopéias deste cantar Zenildeano.”

Diante de palavras tão reveladoras e sinceras nada resta a fazer senão abrir o livro e sorver cada gotícula de sentimento e sabedoria nele contida.

Eloy Chaves

Em sessão solene da Associação Pindamonhangabense de Letras, realizada em 25 de março, na sala de audiências do Museu Histórico e Pedagógico Dom Pedro I e Dona Leopoldina, aconteceu o lançamento do mais recente livro, o nono, do advogado e professor Francisco Piorino Filho.
A capa traz uma sobreposição de imagens fotográficas do biografado.

“Depois de ter editado opúsculos retratando um pouco da vida e obras de alguns dos grandes pindamonhangabenses”, diz o autor em seu prefácio, é chegada a vez de Eloy Chaves.

Realmente, depois de Juó Bananére, João Pedro Cardoso, Dom José Marcondes Homem de Mello e de um alentado volume contendo biografias de ilustres conterrâneos, Francisco Piorino Filho volta a sua atenção para o bacharel e político valeparaibano que ficaria para os anais da história como o “Precursor da Previdência Social no Brasil”.

Distribuído em trinta capítulos, o livro dedica suas 181 páginas ao reencontro da trajetória humana, profissional e política daquele que ficaria para a história como o “Precursor da Previdência Social no Brasil”.

Piorino retrata Eloy Marcondes de Miranda Chaves como criança bem educada, estudante inteligente e arguto, profissional dedicado, político hábil e simpático, administrador público competente, empreendedor bem sucedido, cidadão bem quisto e marido e filho exemplar.
Enriquecido documental e fotograficamente, o livro de Francisco Piorino Filho evidencia sua incessante busca pela recolocação em seu lugar de merecimento de mais um vulto de destaque nascido em Pindamonhangaba.

Alguns comentários ao longo do texto eivam-se de um natural sentimento de província notado em algumas palavras que acentuam a ligação de Eloy Chaves com sua terra natal.

Ao final, o autor apresenta uma extensa autobiografia de seis páginas e fecha o livro com um texto de própria lavra na quarta capa intitulado “O valor da aposentadoria!”.

Mapa Cultural Paulista

Sem questionamentos, o Mapa Cultural Paulista é um dos maiores projetos culturais do país.

“Criado em 1995, tem o objetivo de fomentar as produções culturais do interior, revelando valores em segmentos que não teriam acesso aos meios de comunicação e com pouca visibilidade no meio cultural.

Durante a realização do evento, são selecionados artistas de 13 regiões administrativas do Governo do Estado, para participar de atividades culturais distribuídas em quatro fases. Em todas elas os artistas que se destacam apresentam seus trabalhos, primeiro no município de origem, depois na região em que está inserido e, ao final, na fase estadual, apresentam-se na capital paulista e circulam pelos municípios do interior de São Paulo.

Teatro, Dança, Artes Visuais, Canto Coral, Música Instrumental, Literatura e Vídeo são as expressões artísticas contempladas neste projeto...”

A coletânea de contos, crônicas e poemas que compõem a categoria Literatura já está disponível e reúne os textos selecionados em cada região.

Contos, crônicas e poemas premiados estão destacados no livro de pouco mais de cem páginas.

São ótimas e não tão ótimas composições nascidas das entranhas da hinterland paulista.

Wilson Gorj (Aparecida) e Érika Siqueira Campos (São José dos Campos) foram os representantes valeparaibanos nas modalidades Crônicas e Poemas, respectivamente.

 
 

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