Seria esta a melhor forma de empregar o dinheiro público? Um investimento mais significativo nas salas de leitura não seria uma maneira mais adequada de desenvolver uma política educacional e cultural de incentivo à leitura que garantisse que um acervo se mantivesse útil e disponível para mais pessoas por mais tempo? Estariam os acervos das salas de leitura das escolas municipais de São José dos Campos tão completos a ponto de não precisarem de significativos acréscimos ou renovação?
Certamente são questões a serem discutidas na organização das próximas bienais, juntamente com a relevância da abertura de espaço para a divulgação de autores valeparaibanos contemporâneos e do passado. Sem dúvida, São José dos Campos é a cidade que tem a melhor estrutura para assumir a condição de liderança nas ações regionais de cultura no Vale do Paraíba. Para tanto, é necessário que suas ações tenham alcance territorial e social proporcional à sua importância.
“Cruzada pela leitura” foi a denominação encontrada pelo Secretário Municipal de Educação e Cultura de São José dos Campos para aludir a I Bienal do Livro a ser realizada na cidade.
Um evento pensado para ser grandioso. Desde o planejamento, falou-se em 10.000 m2 de área distribuída em 100 estandes ocupados principalmente por livreiros representando 600 editoras e oferecendo mais de 50 mil títulos tão variados quanto os 100 mil visitantes esperados.
Foram dez dias (8 a 17 de abril) de uma Mega-Feira que também contou com três iniciativas merecedoras de destaque por parte da organização: um auditório com 204 lugares para um bate-papo com autores, um espaço cênico para histórias destinadas ao público infantil e um estande para exposição e sessões de autógrafos de escritores joseenses.
No auditório Papo de Autor estiveram presentes Pasquale Cipro Neto, Eduardo Shinyashiki, Márcia Kups-tas, Paulo Markun e Domingos Meirelles, entre outros. No espaço Regina Drummond de Histórias, crianças e adultos se divertiram com muito teatro, shows, histórias e oficinas.
Promovido pela Secretaria Municipal da Educação, em parceria com a Fundação Cultural Cassiano Ricardo e a Associação Nacional de Livrarias, a Bienal de São José nasceu como um evento de livreiros. Algumas empresas de grande porte e sediadas na cidade também apoiaram a grande feira literária.
A presença dos recursos orçamentários da Pasta da Educação, sem dúvida, foi o principal vetor de viabilização da bienal. Sem eles, o projeto não sairia do papel. Foram R$ 738.000,00 (mais de US$ 440 mil) distribuídos em forma de bônus (cheque-livro) para alunos, professores e salas de leitura. Os valores foram assim alocados: 38.000 alunos receberam um bônus de R$ 15,00 (total de R$ 570.000,00), 2.500 professores receberam um bônus de R$ 50,00 (total de R$ 125.000,00) e 43 salas de leitura receberam um bônus de R$ 1.000,00 (total de R$ 43.000,00).
Se percentualmente considerados, os números representam a destinação de 77,23% dos recursos para os estudantes da rede municipal, 16,94% aos professores e apenas 5,83% às salas de leitura.
Leia mais textos da Seção Grafias desta edição
Supermercado Santa Cabeça Rua Benedito Macedo, 301 Ponte Alta Aparecida, SP Tel.: (12) 3105-2058 |