A solução encontrada contou com a colaboração de uma experiente colega: Ana Maria Antunes do Amaral Nogueira.
Experiência marcada pelo ineditismo, a elaboração da cartilha exigiu o dispêndio de muito tempo e viagens a São Paulo até que o material obtivesse parecer favorável da Equipe Técnica do Livro e Material Didático, condição para que a cartilha pudesse ser impressa e adotada nas escolas públicas. A cartilha também foi catalogada na Câmara Brasileira do Livro, em Brasília.
Impressa pela Editora Santuário, em 1975, Alegria da Criançada é composta de um pré-livro ilustrado, com 115 páginas, suplementado por um Manual do professor com 50 páginas.
O Manual do professor, dividido em duas partes, apresenta-se como um guia metodológico ajustado a uma pedagogia de época propondo reflexões sobre a linguagem no início da alfabetização e sugerindo atividades para aplicação do pré-livro.
Na primeira parte do manual, a autora apresenta a alfabetização como um processo de longo prazo, define linguagem como a faculdade de comunicar pensamentos por meio de símbolos intencionalmente produzidos, diz da necessidade de passar de uma linguagem com função predominantemente emotiva para a função denotativa e informativa e esboça os fundamentos sócio-psicológicos da aprendizagem que irão guiar a segunda parte.
Ouvir a professora Terezinha Mathias contar suas reminiscências é certificar-se de que a história está no entrecruzamento da memória com o pensamento. Suas reminiscências – algumas delas toldadas pelo tempo – permitem reconstituir parte da história local em seu entrelaçamento com emocionadas lembranças familiares e profissionais.
Com fino orgulho de pertencimento é que fala de sua terra natal sem deixar de lembrar da importante contribuição de seu avô, Aureliano Monteiro dos Santos, para o “progresso de Aparecida”, como ela própria diz. Foi graças a sua intrepidez que, no final do século XIX, o povoado de Aparecida, ainda pertencente a Guaratinguetá, viu assentados os primeiros trilhos de uma linha de bonde puxado por junta de burros cumprindo um trajeto que unia os largos da Igreja de Nossa Senhora Aparecida e da Estação Ferroviária.
Aureliano Monteiro dos Santos, segundo a professora Terezinha Mathias, foi o responsável por recuperar e deixar em condições transitáveis os logradouros por onde circularia o bonde de tração animal, especialmente a Rua Nova (hoje Oliveira Braga).
A ideia foi trazida do Rio de Janeiro, onde o senhor Aureliano, com a família, residiu algum tempo a fim de dar atendimento escolar especializado a um filho cego.
Mais tarde, com a instalação de energia elétrica, a tração animal foi substituída pela eletricidade e uma nova linha conectando Aparecida e Guaratinguetá foi inaugurada.
É na linhagem desta família empreendedora e entusiasta que nasceu, em 23 de junho de 1927, Terezinha dos Santos Moraes, uma futura contadora (formou-se pela Escola de Comércio do Colégio Nogueira da Gama, em Guaratinguetá) que adotaria o magistério como profissão, em 1958 (ano em que apôs o sobrenome Mathias de seu esposo Nilo Miguel), após uma equiparação com a Escola Normal feita por expediente legal.
Depois de um período como professora substituta efetiva no Grupo Escolar Chagas Pereira, em Aparecida, professora Terezinha assumiu a cadeira efetiva na cidade de São Bento do Sapucaí. De lá se removeu para Pindamonhangaba, Roseira e, finalmente, retornou para a sua terra natal, voltando a lecionar na Escola Chagas Pereira até a sua aposentadoria, após trinta anos de trabalho.
Tudo, porém, estaria no campo do ordinário não fosse uma peculiaridade da protagonista: ser gaga. A gagueira acentuada levou a alfabetizadora a criar uma estratégia própria de ensino materializada em uma cartilha: “Eu era muito gaga e precisava encontrar um jeito de fazer com que meus alunos aprendessem sem que eu precisasse falar o tempo todo”.
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