Nº 35 | Setembro/ outubro de 2010
Letras Vale.

Juó Bananére e o imigrante italiano | Benedito Antunes

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Juó Bananére, por sua vez, é a personagem pela qual ficou conhecido Alexandre Ribeiro Marcondes Machado. Como se pode perceber pelo nome, ele não tinha nada de italiano. Nasceu em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, em 1892, e estudou engenharia civil na Escola Politécnica de São Paulo, onde morreu aos 41 anos de idade. Criou sua personagem ao dar uma linguagem verbal a uma das mais conhecidas caricaturas de Voltolino, pseudônimo de Lemmo Lemmi (1884-1926), famoso por ter imortalizado diversos tipos italianos de São Paulo. Alexandre Machado fez aquilo que faziam muitos paulistanos que viviam no meio de imigrantes: imitou sua tentativa de falar português colorindo-a de sotaque e expressões típicas da língua italiana.

Comparando as duas personagens, observa-se um movimento que tem como centro o imigrante italiano: de um lado, o descendente de imigrantes que busca se abrasileirar; de outro, o paulista que se italianiza. Como resultado, um tipo cômico que representa de modo diverso o italiano que vivia no Brasil. José Paulo Paes, no referido ensaio, manifesta mais simpatia pela personagem de Adoniran, na que vê “a finura do humor popularesco”, do que pela de Bananére, para ele apenas “grosseria da paródia semi-erudita”. A diferença principal talvez não esteja na representação superficial do imigrante, nos dois casos o aspecto mais visível e divertido, mas sim na maneira como essa representação adquire condição artística, ou mais propriamente literária, por explorar de forma consciente o potencial revelador da linguagem. Este seria um diferencial, se não mais favorável, pelo menos mais profundo de Juó Bananére, como se pretende demonstrar a seguir.

Benedito Antunes é professor de Literatura Brasileira da Unesp, Campus de Assis, e autor do livro "Juó Bananére: As Cartas d'Abax'o Pigues", São Paulo, Editora Unesp, 1998

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Juó Bananére causou furor no início do século passado com seus textos macarrônicos, em que misturava o português com o linguajar do imigrante italiano que vivia em São Paulo na época. Configurou com isso um tipo entre ingênuo e malicioso que colocava a nu as mais variadas hipocrisias sociais, despertando, de um lado, grande interesse do leitor, a quem fazia rir, e, de outro, o temor dos políticos e autoridades, que temiam ser lembrados por aquele que se autodenominava “poeta, barbiére e giurnaliste”.

O criador de Juó Bananére morreu em 1933 e sua personagem ficou praticamente esquecida durante várias décadas. Era lembrado de vez em quando pela coletânea La Divina Increnca, de 1924, em que reunira suas mais famosas paródias publicadas na imprensa na década de 1910. Mais recentemente, sua obra voltou a ser lembrada graças a um processo de revisão da literatura produzida nas primeiras décadas do século XX, especialmente da que antecede a Semana de Arte Moderna de 1922. Parcialmente reeditados, seus textos têm sido objeto de alentados estudos de historiadores, críticos e teóricos da literatura.

Considerando que Bananére surgiu e fez sucesso num momento histórico particular de São Paulo, em que a maioria dos habitantes da cidade era constituída de italianos e muitos brasileiros falavam ou compreendiam seu idioma, cabe perguntar por que o autor continua despertando interesse quando aquelas condições já não são as mesmas. Dentre as hipóteses possíveis, pode-se destacar a natureza satírica e humorística de seus textos. Nesse sentido, o objeto de suas críticas continuaria atual e, portanto, válido para repercutir os ataques feitos há cerca de cem anos. Mas a imitação grotesca e caricata do imigrante italiano deixaria à mostra apenas seu lado datado e preconceituoso se ela não estivesse assentada em bases mais duradouras e universais, capazes de estabelecer um diálogo vivo com o publico de hoje. É essa a questão que me proponho abordar neste artigo.

Por ocasião do centenário de seu nascimento, comemorado este ano, Adoniran Barbosa, pseudônimo de João Rubinato (1910-1982), tem sido aproximado a Juó Bananére por alguns pontos em comum: o humor de suas criações e a representação do imigrante italiano. Como compositor, cantor, humorista e ator, Rubinato criou para seus programas de rádio diversas personagens, e Adoniran Barbosa tornou-se a mais conhecida delas, de forma que seu criador acabou se identificando com ela. Apresentava-se “com o chapéu de aba rebatida, o bigodinho de galã de antigamente, a gravata borboleta, a voz de lixa a sibilar nos plurais pernósticos ou a espraiar-se nas simplificações fonéticas da fala ítalo-caipira de São Paulo”, segundo a sugestiva caracterização que dele fez o poeta José Paulo Paes. João Rubinato não era italiano, e sim filho de imigrantes vênetos que procurou se adaptar ao ambiente paulistano criando uma figura abrasileirada do estrangeiro, cujos traços apareciam principalmente nos trajes e no sotaque. Representaria, nesse sentido, uma versão bem-humorada e redentora do “carcamano”, tratado com irrisão pelos nativos.

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