[...] sem os artigos de primeira necessidade, os homens não saberiam como viver, e, o que é mais, viver com felicidade.
A autoridade e a obediência não constituem coisas necessárias, apenas, mas são também coisas úteis. Alguns seres, quando nascem, estão destinados a obedecer; outros, a mandar. [...] A autoridade tanto mais elevada é quanto mais perfeitos os que a ela se submetem.
[...] a obra feita por criatura mais perfeita tem maior perfeição; uma obra existe, quando há comando de uma parte, e obediência de outra.
[...] não falo dos homens degenerados ou predispostos à corrupção, em que o corpo comanda o espírito, por serem viciados e desviados da natureza.
O entendimento dirige o instinto, como um juiz aos cidadãos e um soberano aos seus súditos. É evidente, portanto, que a obediência do corpo ao espírito, da parte afetiva à inteligência e à razão, é coisa útil e de acordo com a natureza.
Existem, na espécie humana, seres tão inferiores a outros quanto o corpo o é em relação à alma, ou a besta ao homem; são aqueles para os quais a utilização da força física é o melhor que deles se consegue. Segundo os nossos princípios, esses indivíduos são destinados, por natureza, à escravidão; pois, para eles, não há nada mais simples do que obedecer.
Do livro A Política, Aristóteles, Livro Primeiro, Capítulos I e II
Sabemos que uma cidade é como uma associação, e que qualquer associação é formada tendo em mira algum bem; pois o homem luta apenas pelo que ele considera um bem.
Pois aquele que tem inteligência capaz de prever tem, de modo natural, autoridade e poder de chefe; aquele que não tem senão a força física para executar, deve, obrigatoriamente, obedecer e servir.
O homem compôs os deuses à sua imagem; conferiu-lhes também seus costumes.
[...] a finalidade para a qual cada ser foi criado, é de cada qual ser bastante a si mesmo; ora, a condição de bastar-se a si mesmo é o ideal a que todo indivíduo aspira, e o que de melhor pode haver para ele.
Na ordem natural, o Estado antepõe à família e a cada indivíduo, visto que o todo deve, obrigatoriamente, ser posto antes da parte.
Todas as coisas são definidas pelas suas funções; e desde o instante em que elas venham a perder os seus característicos, não mais se poderá afirmar que são as mesmas; somente ficam entendidas sob a mesma denominação.
Ora, o que não consegue viver em sociedade, ou que não necessita de nada porque se basta a si mesmo, não participa do Estado; é um bruto ou uma divindade. A natureza faz assim com que todos os homens se associem.
As armas que a natureza fornece ao homem são a prudência e a virtude. Não possuindo a virtude, torna-se o mais ímpio e os mais feroz de todos os entes vivos; não sabe, para sua vergonha, mais do que amar e comer.
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