Nº 33 | Maio/ junho de 2010
Panopticum

A Frente do Vale do Paraíba na Revolução de 1932 | Ricardo Della Rosa

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Além de alguns tiroteios em São José do Barreiro, os lados opostos apenas se observavam no início da guerra.

Em meados de Julho, o Coronel Daltro Filho, do 3º Regimento de Infantaria, toma a iniciativa e avança sobre as tropas paulistas na estação de Engenheiro Passos, ponto estratégico entre os três estados  situada às margens da Rodovia Presidente Dutra.

Houveram inúmeras outras investidas federais, mas foi no final de julho que Góes Monteiro comandou uma grande ofensiva em toda a linha do Vale.

Dispondo de artilharia e canhões da Marinha montados em vagões ferroviários, bombardeou fartamente posições paulistas em Queluz e Vila Queimada.

Era incontestável a fragilidade das linhas paulistas, compostas por soldados repletos de civismo e senso de dever, porém mal armados, inexperientes e carentes de liderança militar.

No Setor do Túnel, os paulistas eram atacados por duas unidades completas do Exército e mais de 1500 policiais mineiros. Foram aproximadamente noventa dias de combates neste setor, até dia 8 de setembro.

Piquete, Fazenda Boa Vista, Pinheirinho, Lavrinhas, Jataí eram tomadas pelos federais e a defesa paulista centralizou-se em Guaratinguetá – que acabou se tornando alvo do mais intenso bombardeio da campanha.

Inúmeras cidades do Vale sofreram terrivelmente com a guerra.

Ricardo Della Rosa, 37 é publicitário e colecionador de objetos relativos a Revolução de 1932. Neto de Mario Della Rosa e Manoel Maia Netto, ambos combatentes de 32, sendo que este último foi voluntário do Batalhão Piratininga que esteve em combate na região de Queluz e Vila Queimada.

Ricardo mantém o blog http://tudoporsaopaulo1932.blogspot.com/ aonde apresenta semanalmente objetos históricos da Revolução em fotos nítidas e com grande apelo visual.

O “museu virtual” já foi acessado por mais de 3500 visitantes nos últimos cinco meses sem ser divulgado por nenhum outro meio a não ser pelas redes sociais na internet. Seu trabalho foi reconhecido pela Sociedade Veteranos do MMDC de São Paulo como de relevância a memória da revolução paulista.

Para ler o texto completo, baixe a versão em pdf clicando na imagem abaixo.

Este documento não pode ser reproduzido sem o consentimento expresso dos autores. A transgressão desta regra implicará em penalidades da lei. Baixe o texto "A Frente do Vale do Paraíba na Revolução de 1932"
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Desde o início das operações de Guerra em 1932, os paulistas enxergaram na região do Vale do Paraíba um importante teatro de operações, pois seria por ali que as forças constitucionalistas alcançariam o Rio de Janeiro para então depor o ditador Getúlio Vargas.  Além disso, sendo eixo de ligação entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro era de vital importância estratégica para ambos os lados.

Ali se travaram alguns dos mais sangrentos combates do período.

Também conhecida como Frente Norte, a Frente do Vale do Paraíba estava sob o comando do Coronel Euclydes Figueiredo sob a designação de Segunda Divisão de Infantaria em Operações, ou simplesmente 2º DIO – que compreendia os destacamentos Coronel Andrade, Coronel Abílio de Resende, Coronel Paiva Sampaio e o Destacamento Coronel Mario da Veiga Abreu.

Operaram no setor as seguintes tropas paulistas:

Batalhões de Voluntários: Amador Bueno, Borba Gato, Voluntários de Piratininga, José Bonifácio, Bahia, Jaques Félix (Taubaté); General Osório, 1º de Justiça, Santos Dumont, Saldanha da Gama, 1º Batalhão de Funcionários Públicos, Arquidiocesano, 7 de Setembro, Piracicabano, Ferroviário, Henrique Dias (1º Batalhão da Legião Negra), Campos Sales, Liga de Defesa Paulista,  Tiro Naval de Santos,  Brigada Minas Gerais, Paes Leme,  Bento Gonçalves, Batalhão Operários de Santos, Batista da Luz, Destacamento Agnelo do Batalhão de Assalto, Falange Acadêmica de Santos, Coluna Capitão Sandim do Batalhão Marcílio Franco, Batalhão de Marília, Batalhão de Mato Grosso, Batalhão d´Oeste, 1º e 2º Batalhões de Engenharia do MMDC.   

Batalhões da Força Pública e do Estado: 1º, 2º, 5º e 8º Batalhões de Caçadores, 2ª Cia do Corpo de Bombeiros, 1º e 3º Esquadrões do Regimento de Cavalaria,  4ª Cia Extra, 8º Batalhão de Caçadores da Reserva, 2º Corpo de Voluntários Auxiliar da Força Pública, 5º Corpo Provisório.

Batalhões do Exército: 4º RC de Quitaúna, 5º RI de Lorena, 6º RI de Caçapava, 4º BC da Capital, 1º, 2º, 4º, 5º, 7º e 9º Batalhões de Caçadores da Reserva, 2º RDC Pirassununga, 5º RCD Castro (Paraná), 2º GAP de Quitaúna, 2º GAP de Jundiaí, 4º RAM de Itú, 12º RI de Minas Gerais e Trem Blindado Nº 6.

Os paulistas chegaram no túnel da Estrada de Ferro da Central do Brasil, na Mantiqueira já no dia 10 de Julho.

Forças dos Destacamentos Agnelo e Andrade chegaram em Salto e aguardaram mineiros e gaúchos para juntos entrarem no Rio de Janeiro.

A estratégia paulista previa a rápida conquista da cidade fluminense de Resende, e apoiada por tropas mineiras, a marcha em direção à cidade do Rio de Janeiro.

Porém com a falta de apoio de Minas Gerais as tropas paulistas demoraram a se mover em direção a Resende e logo se viram defendendo o território paulista das tropas federais.

Ficava então estabelecida uma guerra estacionária de defesa e de trincheiras neste setor.

Nas memórias de Euclydes Figueiredo ele destaca que tentou em vão convencer seus comandados da necessidade do avanço para Resende, mas a falta de armas e equipamentos fez a tropa paulista ficar detida em Cruzeiro.

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