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Nº 33 | Maio/ junho de 2010
Focus

Grandes Médicos do Vale do Paraíba - Parte 1 | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

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Sugeriu a abertura de estradas para salvar as “cidades mortas” e conseguiu a ligação rodoviária entre São Bento do Sapucaí e Campos do Jordão.

Escreveu, como memorialista, inúmeros artigos em jornais. É autor do livro Gens Lorenensis.

Faleceu no dia 31 de maio de 1955.

Miguel da Silva Pereira (São José do Barreiro-SP)

Nascido aos 02 de julho de 1871 em pequena cidade histórica do Vale do Paraíba, Miguel Pereira fez seus estudos no Rio de Janeiro.

No tradicional Colégio Pedro II concluiu os estudos secundários e na Faculdade de Medicina realizou o seu curso superior.

Em 1893, participou do movimento armado pela permanência do Marechal Floriano Peixoto na Presidência da República no lugar do Marechal Deodoro da Fonseca que havia renunciado antes de completar dois anos de mandato, o que, segundo a legislação, exigiria a convocação de novas eleições presidenciais.

Ano seguinte, uma epidemia do cólera assola o Vale do Paraíba e Miguel Pereira prontifica-se a trabalhar como auxiliar-médico voluntário na região.

Com a tese Hematologia Tropical, doutorou-se em 1896.
Apresentando os resultados de seu estudo sobre Anemia Tropical, no qual questiona e supera a tese de que o homem brasileiro seria, por constituição genética, portador de um quadro natural anêmico se comparado ao europeu, Miguel Pereira é aceito na Academia Nacional de Medicina da qual se tornaria presidente em julho de 1910 permanecendo até 1911.

Admitido como professor de Clínica Propedêutica na faculdade em que se formou, em 1898, viria a se tornar catedrático de Patologia Interna, a partir de 1908. Em 1º de julho de 1910 assumiria a 1ª cadeira de Clínica Médica da mesma instituição.

Publicou trabalho sobre ancilostomose, sífilis e atrofias musculares, mas sua obra capital, o “Tratado de Clínica Médica”, segundo seu discípulo Dr. Almeida Prado, teve os originais, resultantes de anos de trabalho e observação, queimados pelo próprio autor ao saber que era portador de um tumor no acústico.

Como médico sanitarista, Miguel Pereira foi combativo defensor da higienização do Rio de Janeiro e do Brasil no início do século XX. Isso o demonstra em saudação feita ao Dr. Aloysio de Castro quando de seu regresso de uma viagem a Argentina, em outubro de 1916: “E bem que se organisem milícias, que se armem legiões, que se cerrem fileiras em torno da bandeira, mas melhor seria que se não esquecessem nesse paroxismo do entusiasmo que, fóra do Rio ou de S. Paulo, capitaes mais ou menos saneadas, e de algumas outras cidades em que a providencia superintende a hygiene, o Brasil é ainda um immenso hospital.” (À margem da medicina, p. 194)

Faleceu em 23 de dezembro de 1918.

Miguel Pereira é patrono da cadeira n. 2 da Academia Nacional de Medicina e o distrito de Estiva, então pertencente ao município de Vassouras-RJ, foi rebatizado com o seu nome e hoje é a cidade de Miguel Pereira.

Legenda

  1. 1
  2. Emílio Marcondes Ribas
    Antonio Gama Rodrigues
    Miguel da Silva Pereira
  3. 2
  4. Waldemar Berardinelli
    Carlos da Silva Lacaz
    José Luiz Cembranelli

  5. 3
  6. Osvaldo Cruz
    René Guimarães Rachou
    Eryclides de Jesus Zerbini

Emílio Marcondes Ribas (Pindamonhangaba-SP)

Emílio Ribas nasceu no dia 11 de abril de 1862. Filho de Cândido Marcondes Ribas e Andradina de Machado Ribas, fez seus estudos primários e secundários em sua terra natal.
Médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, graduou-se em 1887, aos 25 anos, com a tese de doutoramento “Morte aparente dos recém-nascidos”.

Recém-formado regressou para sua cidade natal onde permaneceu pouco tempo até se transferir para Tatuí e, depois, São Paulo. Casou-se com Maria Carolina Bulcão Ribas.

Profissional de carreira, teve papel de relevância na modernização da estrutura sanitária no Estado de São Paulo. Ingressou no Serviço Sanitário do Estado em setembro de 1895, chegou a Diretor Geral e foi o responsável pela organização da Divisão de Higiene Escolar, pela fundação do Serviço de Profilaxia e Tratamento do Tracoma e pelo combate a diferentes epidemias que assolaram o Estado.

Pioneiro no combate à febre amarela, atuou em cidades como Jaú, Araraquara, Campinas, Rio Claro e Pirassununga.
Sanitarista e epidemiologista, Emílio Ribas venceu um grave surto de varíola (conhecida como Alastrim), em 1898, teve importante papel no combate à peste bubônica que vitimou a população de Santos-SP, em 1899 e enfrentou a malária e a febre tifóide no Estado.

A publicação pelo Dr. Ribas, em 1901, do trabalho “O mosquito considerado como agente de propagação da febre amarela”, encontrou resistência de conceituados médicos de São Paulo.

Em memorável pesquisa sobre o modo de transmissão da febre amarela e a partir de estudos realizados em Cuba pela Comissão Militar Médica Americana, conseguiu comprovar que o vetor da doença era a picada do mosquito e não o contágio direto. O experimento contou com o médico e amigo Adolfo Lutz e consistiu em deixar-se picar pelo mosquito contaminado.

Tal averiguação permitiu que no 5º Congresso Brasileiro de Medicina e Higiene, Emílio Ribas declarasse que os meios de defesa deviam ser dirigidos aos mosquitos veiculadores, demonstrado a ineficácia dos métodos empregados pelos “contagionistas”. Os doentes foram retirados do isolamento a que eram submetidos.

Em 19 de fevereiro de 1904, os mesmos resultados foram apresentados na Inglaterra, na Society of Tropical Medicine And Hygiene of London e em várias outras sociedades científicas da Europa, chegando a ser convidado para cooperar nos serviços de profilaxia da febre amarela na Martinica.

A partir de 1913 passou a se dedicar ao acompanhamento de estudos clínicos e métodos terapêuticos empregados no tratamento da hanseníane. Escreveu vários trabalhos sobre o assunto e combateu o isolamento dos acometidos da doença em ilhas.

Aposentou-se do serviço público, em 1917, após 19 anos ininterruptos como Diretor Geral do Serviço Sanitário de São Paulo. Faleceu no dia 19 de dezembro de 1925.

Antonio da Gama Rodrigues – (Lorena-SP)

Dr. Gama Rodrigues é caso ímpar na história do Vale do Paraíba. Apesar de nascido na cidade da Bahia, em 25 de julho de 1876, construiu significativa parte de sua história pessoal e profissional em cidades valeparaibanas, especialmente em Lorena.

Com os pais, embarcou para Portugal, em 1880, de lá retornando, vinte anos depois. Em terras lusitanas foi acadêmico da Universidade de Coimbra, a partir de 1892, seguindo simultaneamente o curso anexo da Faculdade de Medicina e a Faculdade de Filosofia Natural. Aos 19 anos (1895) bacharelou-se em Filosofia Natural e aos 24 anos (1899), em Ciências Médicas.

De volta à capital baiana, apresentou tese sobre o “Goundu” junto à Faculdade de Medicina da Bahia, foi aprovado com distinção e obteve licença para clinicar em todo o território nacional.

Segue para o Rio de Janeiro e, depois, para Queluz-SP. Retorna para a capital nacional e volve ao Vale do Paraíba fixando-se em Cruzeiro.

Em 7 de fevereiro de 1903, casa-se com a neta do Barão de Castro Lima: Leduína. Em 1905, passa a residir em Guaratinguetá, onde é nomeado Inspetor da Higiene Municipal.

Como sanitarista, combate a febre amarela em Guaratinguetá, o que lhe abre caminho para trabalhar com Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e Clementino Fraga no Rio de Janeiro.

Entre 1907 e 1912 trabalha intensamente no Rio de Janeiro. Quando retorna a Lorena, recebe do Conde Moreira Lima a incumbência de viajar para a Europa e comprar equipamentos hospitalares para a Santa Casa de Lorena.

Na política, Gama Rodrigues é considerado o primeiro deputado municipalista do Brasil. Foi Deputado Estadual durante três legislaturas (1919 – 1930), foi prefeito de Guaratinguetá e Presidente da Câmara Municipal de Lorena.

Segundo seu biógrafo, Alves Motta Sobrinho, Gama Rodrigues sempre militou em torno de três grandes causas: o municipalismo, a saúde e a instrução pública.

Durante o período em que permaneceu na Assembléia Legislativa empenhou-se na defesa do voto secreto em cédula única e na criação do Tribunal de Contas do Estado; discutiu a reforma do ensino de 1920 defendendo sua democratização e melhoria, apontando os seus limites prevendo o aumento do número de analfabetos e reclamando escolas para crianças de sete anos, tendo similar responsabilidade diante da reforma do Serviço Sanitário.

 
 

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