No final da primeira República, já na década de 19302, ocorre a Reforma Francisco Campos, com uma grande mudança, escreve Romanelli, “centralizada, determinava: a freqüência obrigatória, a implantação de um currículo enciclopédico e de um sistema de avaliação rígido” (1980, p. 135).
É iniciada a construção da ideologia do nacionalismo patriótico, momento que o Estado Novo passa a opinar com mais força a respeito da ciência geográfica no Brasil. Era o Estado forte e interventor que defendia um governo autoritário, necessário para se construir a nação moderna. (Ferraz, 1995, p. 103).
A década de 30 foi marcada pelo surgimento dos primeiros cursos de formação de professores de Geografia. Em São Paulo, em 1934, os cursos de Geografia e História apareceram pela primeira vez (juntos) na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Sob tutela francesa3, contudo, a influência de Delgado de Carvalho no modelo de geografia a ser ensinada estava cristalizada próxima aos europeus, como a proposta a ser seguida. Fugir dela era renunciar ao papel de formador de consciências modernas e científicas, anunciada pelo positivismo (Pereira, 1955, p. 439-440). Contudo, existe um debate a respeito dos estudos de caráter geográfico no Brasil anterior a criação da FFLCH-USP, sendo denominados puramente descritivos empíricos.
* Rosemberg Ferracini é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia da FFLCH da Universidade de São Paulo-USP.
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O texto que se segue tem como objetivo apresentar um debate específico a respeito do tema das humanidades presente em alguns dos livros didáticos de Aroldo de Azevedo. Afinal o que se ensinava a respeito de Geografia Humana por ele? É preciso considerar que o conteúdo do livro didático vem recebendo, indireta e diretamente, diferentes in-fluências no decorrer de suas publicações. Entre essas, discussões a respeito das reformas educacionais e os debates teórico-metodológicos desenvolvidos no interior da Geografia que de certa forma contribuem no andamento do conteúdo a ser ministrado em sala de aula.
Ainda no início da República, na década de 20, a Geografia brasileira é reconhecida como geografia moderna1, com variados especialistas estrangeiros contratados de países europeus, esses davam continuidade a perspectiva teórica e aos pensamentos de seus países de origem. De acordo com algumas leituras, observa-se que a nova Geografia foi sistematizada por pessoas de “filiações intelectuais distintas... eugenistas... simpatizantes dos estudos etnográficos... e adeptos do darwinismo social” (Machado, 1995, p. 325-326). Seus méritos são indiscutíveis: advogados, médicos, engenheiros e pesquisadores-professores.
O que pouco se fala é a respeito da repercussão dos modelos propostos e desenvolvidos no ensino de geografia. Quais eram suas bases conceituais, metodológicas, teóricas? Quais foram suas contribuições para se pensar a formação territorial do Brasil ou mesmo de alguma de suas partes? Ou mesmo, como esses conteúdos eram recebidos pela população? No momento não temos a pretensão de responder tais indagações, o que seria muita ousadia, mas sim levantar debates.
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