Ó dançarinos que dançarinais à flor das horas próximas
– gestos alados entre espumas de cristal –,
é certo, podeis rir dos pés que se cansaram
sobre a distância amarga das estradas:
mas vede pelo solo a marca de seus passos...
Infância, irmã dos pássaros.
Por certo a Iara é morena,
por certo a acácia é amarela;
mas quem me pode dizer
se Loreley é donzela?
No pensamento,
esta beleza aflita que não morre;
no chão, porém,
como um sinal premonitório do holocausto,
uma gota de sangue
e um punhado de cinzas...
Os horizontes
luminosos
encolheram-se em teu rosto.
Este é meu mundo, este é meu mundo:
feudo incorpóreo,
triste reino em que a palavra sobe da alma como um canto de aflição
e rasga abismos carregados de amargura;
carregados daquelas agonias
que outrora foram sangue na vontade do Rabi...
Assume, angústia, ó doida companheira,
a funda ressonância das cavernas,
para que possa renascer de cada morte exânime a certeza:
O OLHO DE DEUS VIGIA A SUA CRIATURA,
este animal humano cuja fronte apaixonada um dia há de brilhar no Sol
transposto o umbral das provações
e o círculo do pó.
Uma lágrima nos olhos,
um soluço na graganta:
que importa, formosa minha,
– calhandra do sonho amargo –
que importa que os homens morram
cantando canções de guerra?
Que importa, camélia tonta,
que importa que a noite sangre,
se as trevas já se desfazem
numa chuva de esmeraldas?
Confia pois no futuro,
mas nem procures sorrir;
esquece, cascata em pranto,
esquece toda a alegria!...
Esquece, que a rosa de ouro
tem por preço de conquista
uma lágrima nos olhos,
um soluço na garganta...