Nº 31 | Janeiro/ fevereiro de 2010
Republicando

Péricles Eugênio da Silva Ramos e a "Geração de 45" | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

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Antes mesmo disso, em julho de 1947, a revista carioca Época publicou o artigo “O neo-modernismo”, de Tristão de Athayde, no qual o autor reconhece o movimento  como uma geração pós-modernismo, tendo com os autores de 22 uma diferença de natureza e não de tempo.

 Em artigo homônimo, abrindo a Revista Brasileira de Poesia, publicada em dezembro de 1947, Péricles Eugênio, apesar das críticas a Tristão de Athayde, conclui : “O neomodernismo, nessas condições não é nem pode mesmo ser uma negação do modernismo: ao contrário, é uma resultante, um produto fundamentado de sua evolução”.

Por ora, vale o deleite de alguns poemas extraídos do livro Lamentação Floral, publicado, em 1946, pela Editora Assunção Limitada, e conhecer um pouco da verve poética deste disciplinado escritor nascido nas terras de Guaypacaré.

O lorenense Péricles Eugênio da Silva Ramos exerceu papel de proa na definição dos rumos da poesia neomodernista no Brasil liderando a constituição do Clube de Poesia de São Paulo, a edição da Revista Brasileira de Poesia e inaugurando, ao lado de Domingos Carvalho da Silva e Ledo Ivo, entre outros, a terceira geração do modernismo brasileiro.

Seu livro de estréia, Lamentação Floral, publicado em 1946, pela Editora Assunção, traz uma poesia de forma apurada, “que não é improvisada”, nos dizeres de Guilherme de Almeida, revelando as características fundamentais de um grupo de jovens poetas que ficou conhecido como “Geração de 45”:   a revalorização da palavra, a criação de novas imagens, a revisão dos ritmos e a busca de novas soluções formais.

Esta preocupação com o rigor será reafirmada pelo próprio Péricles Eugênio quando assina, em 1948, um manifesto dos poetas da nova geração, no qual se lê que a verdadeira poesia nasce da “elevação do vulgar por meio do sentimento e da expressão bem elaborada”.

Sérgio Milliet assim se referiu ao primeiro livro de Péricles Eugênio:

“O que desde o primeiro verso impressiona em Péricles Eugênio da Silva Ramos é a depuração da forma. É a geometria nítida de sua expressão. Sóbrio, grave sem falsa solenidade (...) o poeta não desdenha os grandes temas. (...) A beleza de certos versos e a sua densidade, o cuidado vigilante de evitar a retórica, fazem de Lamentação Floral um dos melhores livros de poesia destes últimos anos. (...) Raramente se terá ouvido em nossa terra uma voz tão pura, tão humana e tão nua de convencionalismo” (in: Sol sem tempo, 1953, primeira orelha)

Após este livro, vieram Sol sem tempo (1953), Lua de Ontem (1960) e vários outros, sempre reafirmando, em nível cada vez mais elaborado, as características do grupo que liderava.

A revista Panorama da Nova Poesia Brasileira, organizada, em 1951, por Fernando Ferreira de Loanda, foi a primeira antologia de poetas neomodernistas no Brasil e o nome de Péricles Eugênio da Silva Ramos lá figurava ao lado de Bueno de Rivera,  Alphonsus de Guimarães Filho, Hélio Pelegrino,  João Cabral de Melo Neto e tantos outros.

 
 
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