Um passeio com o "gatinho" pode ser perigoso (referência ao miniconto "Mãe"); aqui o universo é fantástico, mas parece tratar dos nossos medos e da violência que vigia as portas da sociedade civil. Mesmo em composição tão breve, não disfarça o gosto pelo humor e pela ironia. Nada é sem propósito. É irreverente e descortinador. Vemos pincelar, em tom, muitas vezes fantástico, com humor e criticidade as contradições do nosso dia-a-dia: a violência, a alienação, a ideologia, o autoritarismo, etc. Fico muito gratificada por dar minha contribuição ao projeto e vê-lo lançar talentos que, bem cuidados, trarão orgulho a todos nós, seus contemporâneos.
Eloísa Elena Resende Ramos da Silva é graduada em Letras e Mestre em Literatura Brasileira.
Wilson é, sem sombras de dúvidas, um escritor seleto da nossa contemporaneidade. Conheci seus trabalhos publicados na sua página virtual "O Muro e outras páginas". É, sobretudo, conciso, de discursos breves e de desfechos inusitados, o que, não raramente, causa impacto e surpresa ao leitor.
O trabalho com ícones, símbolos e imagens ajuda a construir um conceito novo em cada texto que lemos. Os textos, imediatamente, nos fazem enveredar pelos átrios de suas idéias. Seu trabalho é envolvente e super atual. O escritor é fruto dessa nova geração apaixonada pelo discurso breve e objetivo. O mundo tem pressa e lê mais na virtualidade. Wilson tem uma resposta para esse tempo...
Seus textos falam muito em poucas palavras e são sempre um convite a uma leitura que nos distancia do caos no qual vivemos mergulhado. Poderia dizer que nos leva sempre a uma reflexão de valores, a um novo posicionamento diante da realidade e, mesmo que o texto não tenha a estampa de um discurso ideológico-social, temos um profundo sentimento de encontro com a verdade. O que de melhor se encontra nele é essa crítica sagaz, que pode ser evidenciada no miniconto "Circenses", por exemplo. Um texto que adoraria ver publicado e analisado por críticos de literatura. É, com certeza, um escritor engajado. A ironia também é uma marca de seus trabalhos, a crítica pela convencionalidade e massificação de valores estéticos, oportunamente expressados em seu texto "Estátuas". As "ditaduras" em todos os campos temáticos recebem um tratamento muito peculiar de sua parte. O escritor muito nos honra por propiciar esse encontro do leitor com as "verdades" esquecidas dos nossos tempos. Convido-os todos a abeirar-se de seus textos, darem uma pausa nas suas atividades, rir com eles e depois (como fiz ao ler as OBRAS do amigo escritor), rir de si mesmo.
Wilson possui a excelência em trabalhar a plurissignificância da palavra, uma ambiguidade intencional e, explora, assim, as contradições da realidade com imensa propriedade, por isso o leitor não deverá fazer uma leitura ingênua do seu texto. Em "Desforra", mostra habilmente como o homem procura viver o ideal que muito dista da sua realidade sócio-econômica. Fala do desemprego e acusa em seus personagens a necessidade de manter uma utopia de consumo a alto custo. Nada nele é superficial; ficar nas metáforas e representações que nos apresenta poderia conduzir-nos ao engano.
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