O poema denominado Brasil diz:
Brasil! Ó minha pátria idolatrada!
Vede: - que grande e triunfal nação!
Em cada bosque um paraíso! em cada
folha da história, uma cintilação!
Terra de glória e amor! Urna sagrada
de imortal e radiosa tradição!
Quero por ela, manejando a espada,
enfrentar o delírio do canhão!
Na febre deste amor que o sangue escalda,
a sobra da bandeira ouro-esmeralda,
quero um dia tombar, quero morrer!
Porque adoro o Brasil, pátria que encerra
cinzas de heróis! Terra sagrada! Terra
da mulher que me faz enlouquecer!
* Leandro Pereira Gonçalves é Professor Titular do Curso de História do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora e do Colégio Cristo Redentor (Academia de Comércio); Doutorando em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; Mestre em Literatura Brasileira pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora; Especialista em História do Brasil pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; Licenciado em História pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. Pesquisador dos Grupos: Integralismo e outros movimentos nacionalistas (UFF/CNPq); Cidadania, Trabalho e Exclusão (UFJF/CNPq); Literatura e Autoritarismo (UFSM/CNPq); Observatório da Indústria Cultural (UFF/CNPq); E/Imigrações: histórias, culturas, trajetórias (MACKENZIE/CNPq) e Percursos literários brasileiros (CES-JF/CNPq).
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“Seremos lidíssimos! Insultadíssimos! Celebérrimos. Teremos nossos nomes eternizados nos jornais e na História da Arte Brasileira.” Foi assim, com uma frase de impacto e premonitória, que Mário de Andrade descreveu os participantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Não foi à toa que o líder da Ação Integralista Brasileira, Plínio Salgado (1895-1975), sentiu-se atraído pelo movimento. O evento de 1922, considerado um dos divisores da arte nacional, provocou debates, discussões e críticas, durante décadas.
Plínio Salgado é conhecido, principalmente, pela liderança no movimento integralista, que tinha como propósito a formação de um movimento nacional. A organização foi influenciada pelos movimentos fascistas europeus e priorizava a arregimentação de militantes e o enquadramento em uma estrutura hierárquica. O movimento teve intenso e rápido crescimento até a decretação do Estado Novo, em novembro de 1937.
Para entender como surgiu a lendária figura do líder integralista, é necessário conhecer suas raízes. Plínio nasceu em São Bento do Sapucaí, São Paulo, em 1895, descendente de uma família tradicional católica e política. Sua formação teve o pai como referência. O Coronel Francisco das Chagas Esteves Salgado era um forte chefe na cidade e ligado ao Partido Republicano Paulista (PRP). A mãe, Ana Francisca Rennó Cortez, era professora e grande responsável pela educação do filho. O garoto Plínio cresceu num cenário em que predominava a influência política do pai – um admirador do nacionalismo autoritário do Presidente Marechal Floriano Peixoto (1891-1894). A morte do patriarca, em 1911, obrigou o menino a abandonar os estudos aos 16 anos.
Em 1916, deu início à carreira jornalística como redator do Correio de São Bento. Aos 23 anos, casou-se com Maria Amélia Pereira. Em menos de um ano, com a morte prematura da esposa, viu-se diante da responsabilidade de cuidar da única filha, de 14 dias. Entretanto, a vida particular não interrompeu o ideal político – no mesmo ano, 1918, participava da organização do Partido Municipalista formado por líderes do vale do Paraíba. O objetivo da agremiação era claro: combater o governo estadual. Para Salgado era inadmissível o desequilíbrio político entre o poder central, os Estados e os Municípios. Não podendo mais permanecer na cidade por motivos político locais, tenta a sorte na capital do Estado. A mudança para São Paulo contribuiu para o surgimento de um novo Plínio Salgado.
O trabalho no Correio Paulistano, órgão do PRP, impulsionou uma série de discussões políticas na redação do jornal, e Plínio encontrou o ambiente político e intelectual de que necessitava. O momento foi decisivo para sua formação. Nos primeiros anos em São Paulo, ganhou destaque e lançou, em 1919, aos 24 anos, sua primeira obra: Thabôr, uma coletânea de poemas dedicada à mulher e ao pai. Os poemas ufanistas e de exaltação extrema ao país foram publicados pelo jornal Estado de São Paulo.
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