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Nº 31 | Janeiro/ fevereiro de 2010
Editorial

Transposição das águas | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

- a eficiência ou ineficiência do sistema escolar  na formação de uma consciência ambiental que permita a inoculação de valores preservacionistas e de recusa ao consumismo exacerbado;

- a adoção de práticas políticas libertas de toda forma de servilismo, principalmente ao Capital; e

- a assunção de práticas de gestão menos corporativas e locais, visto que a natureza do problema exige um pensar as relações em sua complexidade espaço-temporal.

É hora das lideranças regionais ocuparem posição de avant-garde, na qual a sabedoria conduza a técnica e os valores regrem a administração.

Do contrário, uma vez mais veremos aviltada, pela força, a democracia brasileira, visto que diante da perda da lucidez, o que impera é o interesse que se prevalece do Poder. Quando isso ocorre, a corrupção - que tem seu nascedouro na perda do sentido de humanidade - aflora como o mais indesejável acinte ao interesse público.

Um lado da moeda definirá que ganhará o jogo. Resta saber qual.

A transposição das águas do Rio Paraíba do Sul para a Macro-Metrópole paulista é a tradução espacial não apenas de um problema de natureza econômica, social e ambiental como fazem crer os termos do decreto governamental de São Paulo. É, sobretudo, um problema político a exigir uma profunda discussão (teórica antes que técnica) sobre os fundamentos de nosso modelo sócio-econômico (anárquico em certo sentido), que definem o modo e os rumos daquilo que se tem chamado “desenvolvimento sustentável”, para que as medidas de hoje não sirvam apenas para   procrastinar os problemas, fazendo-os ressurgir agravados mais adiante.

Se a implementação do programa ocorrer dentro do prazo estabelecido pelo Decreto 52.748/06, em dez anos estarão concluídas as obras que permitirão uma sobrevida de abastecimento às regiões metropolitanas envolvidas. Mas a questão de fundo, que não é apenas uma querela acerca de propriedades naturais circunscritas em espaços regionais, é um planejamento de maior estofo, amplo, integrado e de longo prazo, que não aparece contemplado no conciso texto do decreto, até mesmo porque não é o que lhe cabe.

Todavia, devem compor a pauta de debates, entre inúmeros outros, estudos complementares sobre:

- a criação e manutenção de significativas áreas de mananciais;

- os custos, o alcance e a duração dos efeitos das campanhas publicitárias como instrumento de auxílio para a racionalização do uso da água;

 
 


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