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Nº 31 | Janeiro/ fevereiro de 2010
Ágora

Frei Galvão nasceu em Guaratinguetá | Thereza Regina de Camargo Maia e Tom Maia

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5 – ainda, a relação dos “Portugueses em Cunha” (in in Carlos Eugênio Marcondes de Moura – Os Galvão de França no Povoamento de Santo Antônio de Guaratinguetá) não traz o nome de Antônio Galvão de França, o Capitão-Mor, que era português natural de Faro, capital do Algarve. Esta é a relação: Lopes Figueira (1714), Gomes de Siqueira (1722), Santos Souza (1735), Silva Reis (1742), Monteiro (1747), Nogueira (1768), Pires Querido (1779), Castro (1787) e Brito (1797). Somente!

6 – os Galvão de França só constam em Cunha a partir do ano de 1767, pelo casamento de Ana Joaquina Galvão de França, em 31 de julho de 1767, com o alferes das Ordenanças Felix Gomes de Siqueira, estabelecido como fazendeiro na Freguesia do Facão (atual Cunha).

Nascida a 09 de março de 1744, cinco anos depois de Frei Galvão, era a sexta filha do Capitão-Mor Antônio Galvão de França. Na data do seu casamento em Guaratinguetá, em 31-7-1767, Frei Galvão já era frade, tinha 28 anos e residia em São Paulo, no Convento de São Francisco;

7 – Como do costume da época, no falecimento do Vigário Martiniano a Câmara Municipal, em sua homenagem, deu à rua em que ele morava o nome de Rua do Vigário Martiniano. De igual modo, quando Frei Galvão morreu, em sua homenagem, à rua em que ele havia nascido (pois morreu em São Paulo) a Câmara Municipal, em 1865, deu o nome de Rua do Frei Galvão;

8 – A força da tradição confirma todos os elementos apurados.

Na edição número 30 do Jornal O Lince, no espaço Agora, a matéria intitulada “A Pátria de Antônio de Sant’Anna Galvão” sugere a possibilidade do primeiro Santo Brasileiro ter nascido ou em Pindamonhangaba ou em Cunha.

Por respeito aos dignos Diretores de O Lince e aos leitores do Jornal, é grato informar que inexiste qualquer dúvida sobre o local de nascimento de nosso Santo. Frei Galvão nasceu em Guaratinguetá, na casa de seus pais, na esquina da Rua da Cadeia com a Rua do Teatro (atuais ruas Frei Galvão e Frei Lucas). A “morada em seis lanços” do Capitão-Mor subia a rua da Cadeia, descendo depois da esquina pela Rua da Figueira, atual Rua Visconde, alcançando o Ribeirão dos Mottas, cuja ponte era chamada de Ponte do Galvão.

Sobre o nascimento em Pindamonhangaba, a matéria em anexo, já publicada na imprensa daquela cidade, esclarece e anula em definitivo a questão.

Sobre o nascimento em Cunha, hipótese nunca antes aventada, levamos as seguintes informações:

1 – Antônio Galvão de França não era o terceiro filho do Capitão-Mor Antônio Galvão de França, mas sim seu quarto filho, o terceiro nascido em Guaratinguetá. O primeiro filho do Capitão-Mor e sua mulher Isabel Leite de Barros era José Galvão de França, o único que foi nascido em Pindamonhangaba;

2 – outro dos equívocos da matéria diz que “a localidade de seu nascimento seria então. Como era costume (a história comprova esse costume) a sede da fazenda da família, na Freguesia do Facão”.

3 – informamos que o Capitão-Mor Antônio Galvão de França jamais teve qualquer fazenda, seja em Cunha ou em outro lugar. Homem de grande riqueza, tinha, sim, em Cunha “devedores na Freguesia do Facão, no local conhecido como Aparição”. Com sua fortuna, o Capitão-Mor era o prestador de dinheiro por toda a região, tendo deixado longa dívida ativa. E, mais,

4 – no Mosteiro da Luz, em São Paulo, a biografia sumária lá existente, datada do século XVIII, também publicada por Affonso de E. Taunay (in Velho São Paulo, vol. III – Cia. Ed. Melhoramentos) narra textualmente, de forma clara e definitiva, sobre Frei Antonio de Sant’Anna Galvão:
“... no Século se xamava Antonio Galvão de França, hé natural e batizado na Freguesia de S. Antonio da Vila de Guaratingta (grifo nosso)do Bispado de S. Paulo, filho legítimo de Antônio Galvão de França, Capitão Mor da mesma Villa, natural da cidade de Faro, Reino do Algarve e de sua mulher Izabel Leite...”, documento complementado com mais detalhes e registros in Congregatio de Causis Sanctorum. Canonização do Servo de Deus Frei Antonio de Sant´Anna Galvão. Volume II – Biografia Documentada – Roma – 1993.

 
 


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