É uma autobiografia ditada e assinada por ele mesmo ao Escrivão da Câmara Episcopal em janeiro de 1758.” (in Canonização do Servo de Deus Frei Galvão de Sant’Anna Galvão (Antônio Galvão de França, OFM.). Biografia Documentada. Vol. II. Pág. 54. Congregatio de Causis Sanctorum. Prot. Nº 1765. Roma. 1993).
6 – Comprovando local e batismo, no Mosteiro da Luz-SP, se encontra e pode ser lida uma biografia sumária de Frei Galvão, datada do século XVIII e publicada por Affonso de E. Taunay (in “Velho São Paulo”, vol. III – Companhia Editora Melhoramentos de S. Paulo p/ as comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo). Refere-se a Frei Antônio de Sant’Anna Galvão,
“que no Século se xamava Antônio Galvão de França, hé natural e batizado na Fregª de S. Antonio da Villa de Guaratinguetª do Bispado de S. Paulo, filho legítimo de Antonio Galvão de França, Capitão Mor da mesma Villa, natural da cidade de Faro, Reino do Algarve e de sua m.er D. Izabel Leite...”
7 – E, mais, ordenado sacerdote, em obediência aos ordenamentos franciscanos, Frei Galvão celebrou a “missa primicial” em sua terra natal – Guaratinguetá – em julho de 1762, na Matriz de Sto. Antônio, daí seguindo para o Convento de São Francisco, em São Paulo, onde se matriculou a 10 de julho para os estudos de filosofia, e onde viveria por sessenta anos. (in “Frei Galvão O frade menor que São Paulo Aprisionou”, de autoria de Frei Carmelo Surian – O.F.M. p. 60. Editora Santuário, Aparecida-SP, 1987).
8 – E, ainda, com seu falecimento em 1822, a Câmara Municipal de Guaratinguetá, seguindo o costume da época, no ano de 1865 deu seu nome – Rua do Frei Galvão, à então Rua do Hospital, porque ali estava e está a casa onde ele havia nascido, que hoje é visitada pelos milhares de seus devotos de todas as partes do mundo, declarada por lei de 1998 Monumento Municipal de Guaratinguetá.
Sendo Frei Galvão o primeiro Santo não apenas de Guaratinguetá, mas de São Paulo, do Brasil e de todo o Mundo – um Santo do universo católico – este Museu sugere uma visita ao site www.casadefreigalvão.com.br, onde são encontradas todas as referências ao Santo, com sua biografia em português, em inglês, em espanhol e em italiano, tendo um resumo em esperanto. Aí são completados os seus dados que, neste expediente, se acham relatados de modo sintético.O Jornal da Cidade, de Pindamonhangaba, datado de 25 de outubro último, [...], publicou o artigo “Frei Galvão um cidadão de Pinda”, onde se lê que Frei Galvão “pode realmente ter nascido e ter sido batizado em Pindamonhangaba”.
Trata-se de uma dúvida levantada que, contudo, não deveria ter existido. Com efeito, já a 10 de janeiro do distante ano de 1758, o jovem Antônio Galvão de França – futuro Frei Galvão, aos dezenove anos de idade, em Processo de Justificação de estado para o casamento de seu irmão mais velho José Galvão de França junto à Câmara Eclesiástica de São Paulo, declarou expressamente, e assinou de seu punho:
“Antonio Galvam de França, natural da Villa de Goaratingueta de idade que disse ser de dezanove annos, testemunha a quem o dito Reverendo...” (in Dispensas Matrimoniais e Casamentos – Estante 4 – Gaveta 67. Livro 458. F 17v. no ACMSP).
Assim, esclarecida pelo próprio Santo a dúvida, que talvez resulte do fato desse seu irmão José, que foi o primeiro filho do casal, ter nascido em Pindamonhangaba e ter, de início, também seguido a carreira religiosa, este Museu, para ciência [...] de todos os interessados, reuniu os seguintes esclarecimentos:
1 – O primeiro filho do casal Capitão Mor Antônio Galvão de França e D. Isabel Leite de Barros chamava-se José. Nasceu e foi batizado em Pindamonhangaba em nove de março de mil setecentos e trinta e quatro (09-03-1734), e também se destinava ao estado sacerdotal;
2 – Em 1758, entretanto, solicitou à Câmara Eclesial de São Paulo dispensa para se casar com sua prima Maria Xavier de Barros;
3 – Chamado a depor em 10-01-1758 (dez de janeiro de mil setecentos e cinquenta e oito), José Galvão de França nos forneceu depoimento importante: a mudança de sua família para a Villa de Guaratinguetá quando ele tinha apenas um ano, portanto em 1735. Somente depois dessa data nasceriam seus nove irmãos, todos já na Villa de Guaratinguetá, sendo Frei Galvão o quarto filho do casal e, assim, o terceiro a nescer em Guaratinguetá:
“com hum anno segundo ouvio dizer a Seus Paes foi em companhia de Seus Paes morar para a Villa de Guaratinguetá, e desta, tendo treze annos pouco mais ou menos foi estudar para o Seminário de Bethlem do Bispado da Bahya” (In Moura, Carlos Eugênio Marcondes de – Os Galvão de França no Povoamento de Santo Antônio de Guaratinguetá – 1733-1972 – Capítulo 2 – Sargento Mor, Licenciado José Galvão de França c/c Maria Xavier de Barros – pág. 36 – Ed. do Autor – São Paulo – 1972);
4 – Nestes mesmos Autos de Justificação de Estado Livre a favor de José Galvão de França, vem também o valioso testemunho de Antônio Galvão de França (Frei Galvão), seu irmão e mais moço. Comparecendo como justificante, declarou e assinou a favor do irmão José. Repetindo:
“Antonio Galvam de França, natural da Villa de Goaratinguetá, de idade que disse ser de dezanove annos, testemunha a quem o dito Reverendo Senhor differio o Juramento dos Santos Evangelhos em hum Livro delles...” etc.
5 – Referindo-se a esse depoimento do próprio Santo Irmã Célia Cadorin, Postuladora da Beatificação e da Canonização de Frei Galvão, observou:
“Na falta da certidão de batismo, este documento é a melhor prova de dados pessoais de Frei Galvão, pois ele mesmo declara quem é, sua idade etc.
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