Nº 34 | Julho/ agosto de 2010
Especial

Aparecida, Santuário e 40 anos de peregrinações: década por década

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Curiosamente, após a implementação do Plano Collor II, em janeiro de 1991, do Plano Marcílio, em maio do mesmo ano, e do retorno da ciranda inflacionária, o fluxo de turistas voltou a crescer, e significativamente, em 1991. Foram 2.302.200 em relação ao ano anterior, uma retomada de 78% no crescimento que recolocou o “movimento” na linha de crescimento de anos anteriores.

Esta retomada de crescimento perdura, entre taxas de 3,04% a 15,09%, até 1994, ano de início do Plano Real. No primeiro ano de vigência do novo plano e da nova moeda, averiguou-se um aumento de 5,07% (mais de 300.000 turistas) no movimento seguido de dois anos de baixa, sendo que os índices do ano de 1996 são 16,62% inferiores ao ano anterior, ou seja, uma redução de mais de um milhão de turistas no quadro geral de movimento.
O ano de 1997 praticamente repõe a perda percentual (16,21%) em relação ao ano anterior, mas não recupera os números absolutos. Porém, o saldo final da terceira década foi altamente positivo: quase três milhões (2.973.500) de pessoas a mais passaram a visitar a cidade no final desta década considerados os números do início da década. Um incremento de 70,6%, a maior média por década em quarenta anos.

A última década aqui considerada compreende o período 1998-2007. Neste intervalo de tempo, os resultados apresentados são quantitativamente inferiores em relação à década anterior tanto em números relativos quanto em números absolutos. Foram 2.310.633 turistas a mais em dez anos, o que traduz um aumento de 37,26%, ou seja, pouco mais que a metade da evolução obtida na década anterior.

Como nas outras décadas, é notória a oscilação nos números com momentos favoráveis e desfavoráveis. De início, a tendência de alta se sustenta em relação ao último ano do decênio anterior (11,66%) para logo a seguir despencar para 0,75% em 1999 e –13,54% em 2000, ou seja, uma redução da ordem de um milhão de pessoas que se explica pela desaceleração econômica provocada pela crise de energia elétrica, com conseqüente racionamento no fornecimento, e a volatilidade dos mercados provocada pela crise econômica argentina e pelos atentados terroristas nos Estados Unidos. Nem as festividades da igreja relacionadas ao Jubileu Católico em virtude dos 500 anos de descobrimento do Brasil contiveram o processo em Aparecida.

Houve uma tímida retomada do crescimento em 2001 e uma recomposição de números no ano de 2002 (17,62%) em patamares aceitáveis por projeções anteriores. No final de 2002, a vitória da oposição nas eleições presidenciais geraram instabilidade e desconfiança quanto aos rumos a serem adotados pela nova política econômica. A saída de capitais e a redução do crédito externo em virtude do aumento do risco Brasil, fizeram o dólar começar o ano de 2003 a R$3,44. Estas fortes pressões inflacionárias interromperam a escalada crescente que se iniciava e o movimento de turistas em Aparecida retrocede 4,51% desfalcando a economia local de mais de 330.000 turistas.
No biênio que se seguiu (2004-2005), Aparecida uma vez mais vê crescer a movimentação turística na cidade. As cifras sobem, respectivamente, 11,96% e 4,54% adicionando quase um milhão e duzentas mil pessoas ao montante.

A estagnação econômica de 2006 gerou pequena retração (1,07%) logo recuperada em 2007 (4,95%).
Em média, a quarta década apresentou um crescimento em torno de 231.000 visitantes/ano, quase 70.000 visitantes/ano a menos que na década anterior.

Expressivo foi o aumento em 2008, mas o impacto da crise econômica mundial em 2009 estagnou a tendência esboçada. Os números de Aparecida confirmam que o Brasil resistiu bem à crise.

Ao longo de quarenta anos, em apenas oito deles houve queda em relação ao ano anterior (1983, 1987, 1990, 1995, 1996, 2000, 2003 e 2006).

Consideradas cada uma das quatro décadas quantificadas (1968-2007), torna-se notória a variação do fenômeno da peregrinação religiosa à cidade de Aparecida a cada dez anos, evidenciando avanços e recuos mais ou menos intensos.

A primeira década (1968-1977) apresenta a distribuição do movimento na seguinte conformidade: 39,41% dos turistas visitaram a cidade no primeiro semestre e 60,59% freqüentaram a cidade no segundo semestre. Ao final da década, registrou-se um acréscimo de 1.304.980 turistas, o que significa um incremento de 57,23%.

É de se notar que o escalonamento foi progressivo e ininterrupto, com um destaque a ser atribuído ao ano de 1972. Em março deste ano era descerrada a placa de inauguração da popularmente conhecida Passarela da Fé com os seguintes dizeres: “Homenagem e gratidão do Santuário de Aparecida ao Marechal Arthur da Costa e Silva e ao Senhor Presidente da República General Emílio Garrastazzu Médici, doadores deste viaduto sendo Ministro dos Transportes o Coronel Mário David Andreazza. 1972 – Sesquicentenário da Independência”. A grande obra fazendo uso de recursos federais seguia o modelo já anteriormente adotado quando da doação da estrutura da Torre Brasília, em 1960, por Juscelino Kubitschek. Não há dados de peregrinação desta época, portanto, não é possível mensurar os efeitos sobre o fluxo.

A passarela, por sua vez, transformou-se em grande atração turística, promoveu um “boom” na visitação à cidade, como também contribuiu para a sustentação do movimento a partir do patamar que gerou.

Durante o período, 11,15% foi a taxa média de crescimento assim distribuído: no primeiro qüinqüênio, foram 13,43%, o que correspondeu a aposição de 153.618 turistas ao ano, em média; e no segundo qüinqüênio, 8,88%, apondo ao montante, em média, 175.350 turistas ao ano.

A segunda década (1978-1987) começou com um saldo negativo em seus primeiros cinco anos. O movimento retraiu em 0,74% no primeiro qüinqüênio. Nem a visita papal conseguiu reverter os efeitos de um ciclo econômico negativo que começou a se esboçar em 1979 e culminou em 1983. Foi uma sucessão de quedas no PIB que levaram o Brasil de 4,5% em 1981, para 0,5% em 1982 e, finalmente, -3,5% em 1983. A severa crise 1981/1983 trouxe queda de 12% no PIB per capita. Em outras palavras, o brasileiro ficou mais pobre e isso afetou sobremaneira as camadas populares que definem o perfil do turista-romeiro de Aparecida. O segundo qüinqüênio apresentou outro alento, especialmente em razão do fôlego permitido pela experiência do Plano Cruzado, em 1986. O movimento cresceu 15,27% e equilibrou as contas ao final da década, trazendo um acréscimo de 1.742.870 pessoas ao final de dez anos. Se percentualmente considerados, os 33,55% de aumento trazidos com a segunda década estão bem distantes dos 57,23% da primeira década.

Um considerando que não pode ser esquecido é o de que uma outra tendência se estabeleceu na distribuição semestral do movimento: o primeiro semestre respondeu por 45,11% do total, aumentando a sua participação no cômputo anual, enquanto o segundo semestre teve uma redução para 54,89%.

O Plano Cruzado lançado pelo governo Sarney, em 28 de fevereiro de 1986, atuou como grande redentor da economia local. Dentre as medidas lançadas, o congelamento de preços e serviços nos níveis do dia 27 de fevereiro, o congelamento da taxa de câmbio, os reajustes automáticos de salário a partir do “gatilho salarial”, e a alteração da unidade monetária de cruzeiro para cruzado foram mudanças que marcaram este período. Houve maciço apoio popular e o relativo sucesso desta experiência de contenção dos altos índices inflacionários levaram a uma corrida para o consumo da qual Aparecida também foi beneficiária. O movimento de romeiros deu um salto de 73,56% em relação ao ano anterior e a cidade viu aumentar 2.089.900 visitantes naquele ano. Sem dúvida, um recorde na história registrada do fluxo de romeiros a Aparecida. A considerar que o ano anterior teve um crescimento inferior a 1%, a cidade viveu um agradável frisson em 1986.

O fechamento da década, em 1987, assistiu a um decréscimo de quase um milhão no movimento (19,87%). Algo plenamente aceitável se admitido que o plano cruzado, em meados de 1986, começa a dar sinais de fragilidade com a crise de abastecimento e a ameaça do retorno da inflação. Ainda assim, o governo o sustenta até as eleições, em 15 de novembro. Seis dias depois, em 21 de novembro de 1986, é lançado o Plano Cruzado II, na verdade um pacote fiscal liberando os preços de produtos e serviços, aumentando impostos, tarifas e a carga fiscal, e reindexando a economia. Os preços dispararam e a inflação retornou aos dois dígitos ao mês (16,8% em janeiro de 1987). O Plano Cruzado II resistiu até junho, tornando-se mais um fracasso dos planejadores econômicos.

A terceira década (1988-1997) inicia-se com boas perspectivas de crescimento. Sob a égide do Plano Bresser, lançado em 16 de junho de 1987, a política de congelamento de preços, aluguéis e salários passa a ser adotada como medida de contenção da ciranda inflacionária. A inflação, que era de 27,7% em maio, caiu para 4,5% em agosto, tornando aos dois dígitos em outubro. Os dois anos que se seguem (1988 e 1989) apresentam, respectivamente, volumes 5,74% e 16,68% maiores em relação aos anos anteriores.

Todavia, a partir da implantação do Plano Collor, em 16 de março de 1990, e a determinação do confisco do dinheiro aplicado em caderneta de poupança de todo cidadão brasileiro, o mercado sentiu uma drástica queda na liquidez monetária que imediatamente se refletiu em Aparecida. Neste ano, o movimento de peregrinos foi reduzido em 39,7%. Isto representa que mais de dois milhões de turistas deixaram de visitar a cidade neste fatídico ano.

 
 
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