Assim sendo, há uma indissociabilidade, por ora teórica, entre turismo e educação em Aparecida. As novas e outras gerações podem (e devem?) ser educadas e reeducadas sob novos paradigmas. O mundo mudou – e muda – rapidamente. Os valores e crenças que alimentaram a prática do turismo em Aparecida de outros tempos perdem celeremente a capacidade de dar as respostas para as necessidades que as mudanças impõem. E a educação em todos os níveis – e não apenas escolar – é indispensável.
O turismo de Aparecida encontrará uma nova forma de fazer-se, queiram ou não os conservadores. A questão que resta é: quem serão os beneficiários das mudanças? Uma resposta é evidente: o sol não nascerá para aqueles que insistirem em permanecer na sombra.
Como se pode averiguar, os dados não dizem por si, mas uma vez inseridos no contexto ganham força explicativa e podem, se adequadamente interpretados, contribuir para o aperfeiçoamento do modo de fazer turismo em Aparecida nos próximos anos.
Sem dúvida, a atividade turística é a principal fonte de recursos da cidade, movendo a economia local através da geração de emprego e renda. Muitos são os que financeiramente ascenderam – e de forma rápida – através da prática do comércio e atividades correlatas.
São incontáveis as histórias de pessoas que aportaram em Aparecida sem nenhum recurso e nela tiveram a oportunidade de constituir e/ou sustentar suas famílias constituindo patrimônios de dimensões variadas.
Sendo o turismo o principal pilar de sustentação econômica da vida local é fundamental que a ele sejam direcionadas as atenções. É preciso olhar com carinho para o turista. Mais que isso: é preciso tratá-lo com o respeito que ele merece dada a importância que ele tem. É preciso compreender que nenhum negócio ou empreendimento se sustenta se suas bases não forem preservadas e renovadas.
É preciso entender que o desenvolvimento da cidade depende do movimento global e também das ações adotadas em âmbito doméstico. É preciso que a sociedade se organize e participe da definição de seus próprios destinos. É preciso, enfim, uma consciência arejada, mas não rarefeita, de que não mais é aceitável a passividade – preconizada por muitos – daqueles que sempre esperam que alguém faça em seu lugar adotando a cômoda atitude de incumbir o Poder Público e/ou o Santuário Nacional de todas as realizações, eximindo-se de qualquer responsabilidade.
Desconsiderar estas ponderações é optar por um turismo visto como atividade econômica predatória, sem qualquer possibilidade de autosustentabilidade.
Empresários do setor de hospedagem, alimentação e comércio estabelecido e ambulante não podem fechar os olhos ao que acontece da porta para fora de seu estabelecimento. Aparecida não está protegida por uma bolha. Os grandes investidores e conglomerados financeiros não tem limites para saciar sua ânsia cada vez maior por dinheiro e lucro. Será que Aparecida suportaria a chegada destes “piratas modernos”?
Consciência, organização e participação são, doravante, palavras e atitudes fundamentais ao futuro da cidade e de todos que dela dependem. Não se trata de alimentar corporativismos cegos aos problemas gerais. É o contrário que se deve nutrir. E essa visão de popa que vislumbra horizontes se obtém com uma educação que também pauta sua qualidade nas exigências nascidas da organização local da sociedade.
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