Nº 34 | Julho/ agosto de 2010
Especial

Aparecida, Santuário e 40 anos de peregrinações: 40 anos de dados

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A meio caminho, a administração municipal varia entre atender a uma e outra lógica ou tentar um termo médio que concilie os interesses nem sempre conciliáveis das partes envolvidas, incluídos os da própria administração.

Outra conclusão possível permitida pela análise do gráfico 1 é a de que megaeventos da igreja, com superexposição na mídia, causam efeito direto sobre o fluxo, mesmo que em menor dimensão.

A vinda do popularíssimo Papa João Paulo II, em 1980, representou uma elevação de 4,39% em relação ao ano anterior. Há que se considerar que esses valores não são desprezíveis se considerado o momento de pífio crescimento pelo qual passava a cidade e o Santuário.

O V CELAM é outro exemplo. Mesmo com a presença do Sumo Pontífice Bento XVI e a cobertura de 1.050 jornalistas de todo o planeta, adicionou 11,7%, o que representa 996.154 pessoas a mais em um ano.

Assim, tem-se dois tipos de incremento que funcionam como insumos vitais à maximização do número de turistas que visitam a cidade: infraestrutura e megaeventos.

E parece ser na direção da junção destes componentes que caminha a administração do Santuário. O próximo megaevento será em 2017, ano jubilar do tricentenário do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Grandes obras já estão a caminho: Centro de Eventos Culturais, Cidade do Romeiro e complexo hoteleiro. Até lá acontecerão a Copa do Mundo e as Olimpíadas. O Trem de Alta Velocidade é promessa para 2016. A parada em Aparecida já está definida em edital do Ministério dos Transportes. Seria o momento do turista internacional? E se for, como se preparar para ele?

Se considerada a média das últimas quatro décadas (49,66%), Aparecida terá um acréscimo de 4.226.926 pessoas em sua população flutuante, o que levaria os números para a casa dos 12.738.659. A considerar a média da última década (37,26%), os números chegariam a 11.661.074. Um cálculo de média permitiria alcançar 12.200.000 pessoas, não mais.

A estimativa de quinze milhões, inicialmente improvável, pode se concretizar se os investimentos forem feitos a tempo e a economia brasileira não sofrer mudanças abruptas nos próximos sete anos.

A oscilação da população flutuante que passa pela cidade (e seu Santuário), todos os anos, varia em função do desempenho das políticas econômicas. Tamanha vulnerabilidade, estabelecida por um forte vínculo de dependência, impõe a reflexão acerca de quais estratégias são as mais adequadas e a análise dos gráficos de evolução temporal é condição essencial, embora não suficiente, ao sucesso das medidas adotadas.

Planejar, pensar a médio e longo prazo, é uma forma de minimizar os efeitos colaterais indesejáveis da dinâmica global no âmbito local. O que e como fazer para que a cidade de Aparecida encontre alternativas que a tornem menos sensível à possíveis momentos de crise ou instabilidade? Como deve ou pode ser coordenada a relação público/privado para que, com prioridade, os interesses coletivos sejam contemplados? Como fazer para que o crescimento da liquidez monetária permitida pelo movimento de romeiros seja traduzido em desenvolvimento social, cultural e educacional dos munícipes?

São perguntas difíceis de serem respondidas, mas fato é que apatia, enquanto ausência de interesse, a abulia, enquanto ausência de vontade e a anomia, enquanto ausência de regras, pouco ajudarão a superar esta grande dificuldade.

A análise geral dos dados ao longo do período considerado mostra uma tendência geral ao crescimento com alguns pontos de acentuado decréscimo ou acréscimo. Em termos absolutos, o número de visitantes mais que decuplicou nos últimos quarenta e dois anos, saltando de 903.050, em 1968, para 9.554.485, em 2009.
Durante o período considerado, o gráfico mostra linha em crescendum durante 14 anos, para depois registrar, em 1983, a primeira queda no movimento em relação ao ano anterior, fato que se repetirá outras sete vezes até o ano de 2009.

Os movimentos de queda devem-se basicamente a quatro fatores:

  • o ano considerado segue outro de elevadíssima ascensão, tal como ocorreu em 1987 e 2006;
  • nuances conjunturais da economia provocam reduções menos intensas, mas significativas. A crise energética, e o conseqüente racionamento de energia, acompanhada da volatilidade dos mercados externos provocada pela crise econômica na Argentina e pelos ataques terroristas nos EUA, em 2000, tiveram seus efeitos em Aparecida;
  • pequenas quedas estatisticamente ligadas a um desempenho desfavorável da economia brasileira;
  • por fim, a queda singular e totalmente atípica representada por 1990, primeiro ano de vigência do Plano Collor, e que rompeu abruptamente a curva de tendência estabelecida para os quatro decênios considerados.

Por outro lado, os momentos de crescimento significativo no afluxo de peregrinos para Aparecida atrelam-se a duas variáveis historicamente bem posicionadas a mencionar:

  • a inauguração, em 1972, do viaduto federal (Passarela da Fé) conectando a Basílica Menor (Basílica Velha) à Basílica Maior (Basílica Nova). Neste ano, o movimento anual cresceu 32,22%, sustentando-se, em números absolutos, nos anos seguintes. Uma conclusão possível é a de que o investimento em estrutura de recepção transformado em atração turística seja a explicação para o fenômeno;
  • os efeitos positivos na ampliação da capacidade de consumo das classes trabalhadoras menos aquinhoadas gerados pela conjuntura econômica criada pelo Plano Cruzado, em 1986.

O impacto na curva de tendência, entretanto, foi distinto: se a construção da passarela levou a um aumento que se sustentou, a euforia permitida pelo congelamento de preços do primeiro plano de estabilização econômica da Nova República teve efeito efêmero e notado na sensível queda dos números no ano imediatamente posterior, para nova retomada do crescimento nos anos subseqüentes.

À exceção da construção da passarela, os números não permitem dizer que qualquer outra obra de grande porte tenha tido resultado imediato tão expressivo no movimento de romeiros em Aparecida. Ressalte-se a construção do Centro de Apoio ao Romeiro, inaugurado em 1998, e que representou um acréscimo de 11,66%, ou 723.300 visitantes. Em termos absolutos, o dobro do acréscimo ocorrido em 1972 (377.375), mas percentualmente, 1/3 do que representou a Passarela da Fé que, turisticamente considerada, foi um investimento com resultado imediato altamente positivo.

Outra grande obra de investimento em infra-estrutura de recepção e que, apesar de sua fundamental importância, não surtiu efeitos positivos imediatos nas estatísticas de fluxo para Aparecida foi a ampliação da praça de estacionamento diante da nave sul executada por ocasião da visita do Papa João Paulo II, em 1980. O crescimento do movimento anual de romeiros foi inexpressivo, não ultrapassando 2,5% nos primeiros anos da década e chegando mesmo a ter um sensível decréscimo (- 13%) em 1983.

Os primeiros anos da década de 1980, chamada por muitos especialistas de “a década perdida”, foram traumáticos para a economia brasileira e Aparecida, evidentemente, não poderia se constituir num oásis à revelia da conjuntura. O baque foi instantâneo e durou o primeiro qüinqüênio da década.

Isto coloca uma básica questão no centro dos debates: o investimento na estrutura física de recepção turística só gera os resultados pretendidos se a economia nacional estiver saudável?

São os próprios números que respondem. Apesar de determinados empreendimentos não implicarem em retornos financeiros imediatos, foram imprescindíveis na manutenção de uma linha ascendente de crescimento do movimento anual de peregrinos na cidade de Aparecida. São eles o esteio do crescimento.

Todavia, a evolução dos números contrapõe duas estratégias bastante distintas por parte daqueles que, direta ou indiretamente, sobrevivem do turismo religioso de Aparecida:

  • para alguns, o crescimento “natural” do movimento dispensa qualquer fermento e toda ação é desnecessária porque ineficaz. Tudo acontece segundo uma lógica fatalista que deixa na condição de espera. É a lógica do empreendedor individual, desorganizado e desprovido das informações e condições básicas para gerenciar seu negócio em conformidade com as projeções permitidas pelas tendências apontadas pelos estudos apurados;
  • para outros, o crescimento “natural” pode ser dimensionado e direcionado pela ação planejadora e executora visando impor uma lógica intervencionista que, ao mesmo tempo em que incrementa o movimento através de medidas incentivadoras, debruça-se sobre a prancheta para esquadrinhar as soluções consideradas mais adequadas ao tipo de desenvolvimento que se quer. É a lógica institucional, planejada, bem informada e de longo prazo adotada pelo Santuário Nacional.
 
 

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