Manoel de Barros, Poeta das Coisas Desúteis. Ângulo (Lorena), p. 10-11, 1999.
La parodia en la ficción de Clarice Lispector. In: Simpósio Internacional de Narratologia, 1998, Buenos Aires. Centros de Estudios de Narratologia. Buenos Aires: Editoral General, 2000.
Dossie Clarice Lispector: vinte anos. Ângulo (Lorena), p. 2-6, 1998.
A Bruxa do Vale: Ruth Guimarães. Ângulo (Lorena), v. 65, p. 9-12, 1996.
Eugênia Sereno e São Bento do Sapucai - A Mororó, Com Amor. Ângulo (Lorena), v. 64, p. 18-20, 1996.
Daniela Prado – Como surgiu o interesse por Clarice Lispector?
Olga de Sá – O interesse por Clarice Lispector foi, como já escreveu o Prof. Dr. Haroldo de Campos, por “afinidades eletivas”. Surgiu desde meu curso de Letras e Clarice tornou-se minha autora preferida.
Daniela Prado – Como a senhora avalia a recepção à obra de Clarice nos dias atuais? Acha que Clarice já conquistou um reconhecimento à altura de seu talento?
Olga de Sá – De início, a crítica não recebeu bem as primeiras obras de Clarice. Ela não era conhecida, não pertencia aos círculos literários. Casada com um diplomata, vivia fora do Brasil. Antonio Candido porém, foi o primeiro crítico que a descobriu e a valorizou, com a leitura de Perto do Coração Selvagem.
Hoje, Clarice é conhecida e traduzida, internacionalmente. As dissertações e teses acadêmicas, bem como os livros sobre sua obra se multiplicam. Clarice ou se ama ou se rejeita. Não dá para ficar em cima do muro.
Daniela Prado – De que forma o impacto da morte de Clarice a afetou na época da preparação do mestrado?
Olga de Sá – Na verdade, o impacto não foi por causa da preparação de meu mestrado. Foi pelo fato em si, pela imensa perda de sua presença na Literatura Brasileira.
Daniela Prado – Como foi a recepção ao livro "A escritura de Clarice Lispector"?
Olga de Sá – O livro A escritura de Clarice Lispector foi muito bem recebido pela Crítica, repetidamente citado nos estudos posteriores e até hoje é considerado um estudo crítico fundamental na recepção da obra clariceana. Levantou a primeira Fortuna crítica até, aquela época, focalizou os procedimentos estéticos, sobretudo dos romances, especialmente a epifania e o paradoxo, como recursos estilísticos.
Daniela Prado – Como a senhora avalia a produção literária do Vale do Paraíba hoje?
Olga de Sá – O Vale do Paraíba é uma região riquíssima em escritores e eventos culturais. Basta citar Monteiro Lobato, Cassiano Ricardo, Ruth Guimarães, Eugenia Sereno, Brito Broca, Péricles Eugenio da Silva Ramos. Levantei, num pequeno livro, Arte e Cultura no Vale do Paraíba – Literatura – os nomes e textos dos principais escritores do Vale na esperança de que alguém escrevesse um segundo livro, com outros escritores.
Temos ótimas Bibliotecas, muitas publicações em livros e revistas. O IEV (Instituto de Estudos Valeparaibanos) promove, todos os anos, um Congresso sobre aspectos diferentes do Vale. As figuras femininas são notáveis e, descobertas pouco a pouco, estão sendo objeto de estudos curiosos e significativos.
José Luiz Pasin muito escreveu sobre o Vale e seu nome é consagrado em muitas Instituições. A Arquitetura e as casas de fazenda já foram desenhadas e estudadas por Tom e Teresa Maia.
A Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, celebrada em prosa e verso, fez de Aparecida uma meta de peregrinações e o Rio Paraíba é célebre também por isso.
Daniela Prado – O que a senhora costuma ler? Quais seus autores favoritos?
Olga de Sá – Leio muito sobre Literatura, Filosofia, Psicologia, Semiótica e Educação. Gosto de culinária e receitas brasileiras. Autores? Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, Mia Couto, Cortázar, Cecília Meireles, Eça de Queiroz, José Saramago, Pierre Lévy, Bauman, romancistas e poetas modernos brasileiros e portugueses.
Entrevista concedida no dia 02 de agosto de 2010 a Daniela Prado.
Daniela Prado – Professora Olga, gostaria de saber das suas origens, formação, família.
Olga de Sá – Nasci em Iepê, cidade do interior paulista. Fiz o curso de Filosofia na Faculdade de São Bento (hoje Pontifícia Universidade Católica – SP) e o de Letras Clássicas, na USP.
O mestrado em Teoria Literária foi feito na PUC-SP e o doutorado em Comunicação e Semiótica também na PUC-SP.
Meu orientador do mestrado e doutorado foi o saudoso e querido Prof. Dr. Haroldo de Campos, que se tornou um grande amigo.
Lecionei e orientei teses durante 17 anos no Programa de Comunicação e Semiótica, depois passei para o Programa de Literatura e Crítica Literária, onde estou até hoje.
Sou religiosa salesiana e atualmente Diretora Geral das Faculdades Integradas Teresa D´Ávila e do Instituto Santa Teresa, em Lorena, SP.
1. A escritura de Clarice Lispector. 3ª ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2003, v.01. p. 360. Premio Nacional Brasília de Crítica e Ensaio Literário, 1981.
2. Clarice Lispector a travessia do oposto. 3a. ed. SP. Annablume, 2004, v.1, p. 272. Prêmio de melhor Ensaio pela APCA – SP, 1994.
3. Arte e Cultura no Vale do Paraíba – Literatura, 1998, v. 1. p. 157.
4. Coisas Caladas, Gráfica & Editora Santa Teresa, 2005, p.148.
1. A Paz a seu alcance - Pequeno Tratado sobre a paz do coração. 1ª ed. Aparecida, SP: Santuário, 1996, v. 1.
2. A Mulher Sacerdotal Ou O Sacerdócio do Coração. 1ª ed. Aparecida, SP: Edições Des Beatitudes, 1995, v.1. p.170.
3. A Morte Intima. Aparecida, SP: Santuário, 2004.
4. Dominguez, Xan López. A Terra é Sua. Cuide dela. Aparecida, SP: Santuário. Prêmio Malba Tahan, por tradução do melhor livro informativo sobre Ecologia.
Paródia e Metafisica In: A PAIXÃO SEGUNDO G.H. Ed. Paris : Association Archives de la littérature latino-americaine, des Caribes et africaine du XXe. siecle, 1988, v.1, p. 213-236.
Análise Literária: percursos básicos. Ângulo (Lorena), v. 110, p.15-19, 2007.
O tempo imaginário da ficção: Clarice Lispector. Ângulo (Lorena), v. 108, p. 04-08, 2007.
Somos seres úmidos e salgados: Clarice Lispector. Ângulo (Lorena), v. 111, p.126-133, 2007.
A Capela da PUC: uma leitura. Ângulo (Lorena) , v. 105, p. 01-06, 2006.
O homem sem Qualidades: Modernidade e Identidade. Ângulo (Lorena). , v. 104, p. 26-31, 2006.
O ovo e a galinha. Ângulo (Lorena), v.106, p.21-26, 2006.
Pode uma poética ser revolucionária e anti-autoritária. Ângulo (Lorena), p.29-33, 2006.
A "chamada" Literatura Feminina. Ângulo (Lorena), p.01-07, 2005.
Conceituação e aplicação mítica na literatura rosiana. Scripta (PUCMG), v. 9, p. 281-286, 2005.
Revista do Programa de Pós-graduação em Letras e do Cespuc. Edição Especial do III Seminário Internacional Guimarães Rosa.
Psicanálise e Literatura: A mediação da linguagem. Ângulo (Lorena), p. 20-25, 2005.
Cartomantes: Machado e Clarice. Ângulo (Lorena), p. 35-40, 2004.
Da Bíblia para a Literatura/From Bible to Literature. Religião e Cultura. , v.6, p.29 - 45, 2004.
Penélope: o eterno feminino. Ângulo (Lorena), p. 33-34, 2004.
Artigo republicado na edição comemorativa do nº 100 da Revista Angulo.
Uma metafísica da matéria ou uma poética do corpo. Cadernos de Literatura Brasileira, p. 280-291, 2004.
Publicação Semestral do Instituto Moreira Salles.
Roteiro do "Fazendeiro do Ar": Drummond. Ângulo (Lorena), p. 28-34, 2002.
A Marcha da Pantera: Clarice Lispector. Ângulo (Lorena), p. 28-32, 2001.
Cecília "Romanceira". Ângulo (Lorena), p. 21-26, 2001.
Psicanálise e Literatura: A Interpretação. Ângulo (Lorena), v. 83, p. 22-28, 2000.
Leia também: Céu Estrelado: percurso de Olga de Sá
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