Dos preceitos apontados nasce uma epistemologia de base empirista que direciona o método como uma infalível disposição de etapas com ordenamento invariável, tal como uma receita testada, aprovada e, portanto, justificada em seu pré-estabelecimento.
“... os geógrafos brasileiros, devidamente orientados pelos mestres franceses junto aos cursos de geografia criados no Brasil a partir de 34, já contavam com todo um receituário metodológico para desenvolver as tarefas necessárias a um conhecimento empírico mais amplo e em moldes mais sistemáticos do território nacional. E é claro que esse contexto se dava em função dos interesses e das necessidades das classes dominantes que se encontravam, na época, absorvidas no processo de levantamento das potencialidades brasileiras e da consolidação do poder político do Estado sobre o espaço geográfico nacional. Portanto, combinou-se a disposição dos recursos metodológicos com as necessidades práticas, resultando, assim, no aperfeiçoamento do ensino, na divulgação dos métodos e na execução dos trabalhos empíricos. É, pois, de todo esse contexto [...] que surgiu a obra de Aroldo de Azevedo e a produção geográfica dos membros de sua geração acadêmica, todos empenhados num amplo trabalho de reconhecimento dos fatos da paisagem geográfica brasileira.” (Santos, 1984, p. 60)
Nesse contexto, o savoir-faire que define o ofício de geógrafo é assim esclarecido por Aroldo de Azevedo:
“ [...] a Geografia Moderna é uma Geografia muito mais real e exata. Depois de localizar, descreve e interpreta a paisagem, com tudo quanto a caracteriza, por mais simples que seja. Interessa-se por detalhes do relevo ou da vegetação. Focaliza o homem na sua vida rotineira e naquilo que a luta pela existência o levou a construir [...] realiza um estudo real da paisagem terrestre”. (Dez anos de ensino superior de Geografia. Revista Brasileira de Geografia, VIII, n. 2, Rio de Janeiro, 1946, p. 231)
Em outro artigo, reitera:
“[...] a Geografia moderna [...] não se contenta em descrever, ela explica. E na ânsia de explicar a paisagem, que nos cerca e onde nos movemos, o geógrafo é obrigado a ir para o campo a fim de verificar e analisar os fatos, completando suas próprias pesquisas com as observações de outros especialistas e com a interpretação minuciosa de levantamento aerofotogramétrico, que muitas vezes mostram o que os nossos olhos, no terreno, não podem ver [...]” (Em defesa da Geografia. Boletim Geográfico n. 168, Rio de Janeiro, 1962, p. 292-293)
Alexandre Marcos Lourenço Barbosa é pós-graduado en Geografia Humana pela Universidade de São Paulo.
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“O geógrafo moderno tem no centro do seu pensamento
a busca das respostas, já que os porquês o cercam permanente.”
Aroldo de Azevedo
O pensamento geográfico de Aroldo Edgard de Azevedo, proeminente nome da Escola Paulista de Geografia, compreende-se a partir do rasgo acadêmico e pedagógico trazido de ultramar pelos geógrafos franceses por ocasião da instalação do ensino universitário no Brasil, em 1934.
A influência da escola francesa de geografia sob os auspícios teórico-metodológicos propalados por Paul Vidal de La Blache é fato inconteste que acompanha o alvorecer do primeiro curso superior de Geografia do país, criado na Universidade de São Paulo, e lhe dita o tom ao longo das quatro décadas seguintes.
Durante esse período, expressivos nomes como Pierre Deffontaines, Pierre Monbeig, Emmanuel De Martonne, Roger Dion, Le Lannou, Pierre Gourou, Louis Papy, Francis Ruellan, entre outros, amoedaram a geografia brasileira com o cunho descritivo, mecanicista e funcionalista que inspirava uma ciência pretensamente objetiva e neutra a guiar os procedimentos investigativos de uma “Geografia Moderna”.
Ao discorrer sobre as linhas de pesquisa do Departamento de Geografia da USP, Antonio Carlos Robert Moraes salienta:
Fundado por mestres franceses, tendo por modelo a estrutura dos departamentos/cátedras em que estes se formaram e por doutrina o possibilismo lablacheano, o DG jamais conseguiu sair da órbita de influência da geografia produzida em França. Sequer conseguiu assimilar, mesmo que marginalmente, outras orientações teóricas. Do mesmo modo que a geografia francesa, a geografia brasileira pensou-se como uma extensão da Escola Normal, tendo por público-alvo o docente do ensino fundamental. Também como esta incorporou fenomenal simpatia pelo empirismo, elegendo por modelo básico de pesquisa a monografia regional. (Moraes, 1994)
Em acurado estudo acerca da obra de Aroldo de Azevedo, Wilson dos Santos aponta os preceitos positivistas-funcionalistas da “moderna geografia francesa” atuando como centro de gravidade da produção geográfica e didática do geógrafo lorenense e seus contemporâneos.
Do arcabouço positivista, Santos (1984) extrai três lineamentos:
Da inspiração funcionalista, o mesmo autor evidencia outros três:
Leia também: Bibliografia de Aroldo de Azevedo
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