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Nº 32 | Março/ abril de 2010
Republicando

História da Corporação Musical “Aurora Aparecidense” | Belmiro Bustamante Reis*

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Na data de 15 de maio de 1962 faleceu o maestro Oscar Lorena com 80 anos completados em janeiro. Grande dor e imenso vácuo sentiu a cidade de Aparecida e seus moradores em vista desse acontecimento. Com tanta dor e luto a banda estava fadada também a se extinguir. Porém Deus, na sua infinita sabedoria, iluminou o espírito de alguns dos nossos homens públicos e autoridades, que trocaram idéias e resolveram em reunião do dia 23 de julho de 1963, no prédio onde funcionava a antiga Câmara Municipal (Rua Oliveira Braga), reorganizar a Corporação Musical “Aurora Aparecidense”, como sociedade de caráter cultural, artístico e recreativo, com estatutos próprios, registro em Cartório e tudo o mais necessário para que ela funcionasse como uma Entidade de utilidade pública. Passou então a Corporação na sua parte musical a ser dirigida pelos músicos senhores: Melcíades de Andrade e João Antônio de Oliveira e Silva Filho, este ainda ativo em nossa banda até o presente, dando aos músicos mais jovens o exemplo de perseverança e grande amor pela arte musical.

Depois de alguns anos esta direção foi passada para o senhor Joaquim Ribeiro Tostes, bom trombonista e muito dedicado como regente e professor de música. Em abril de 1982, por motivos particulares, transferiu residência para o Estado de Minas Gerais, ficando a diretoria da Corporação empenhada em arranjar outro bom maestro.

Com a contratação, logo em seguida, do maestro Landulfo Bispo de Alcântara, músico de larga experiência e retidão para ocupar este cargo, a nossa Banda tomou um grande impulso e animada pela Diretoria vigente, sócios colaboradores e autoridades municipais que nos deram grande apoio, nossa Banda Aurora, até princípios de 1985, teve uma fase de trabalho intenso e brilhante, fazendo retretas semanais, tocando nas festas religiosas da Paróquia e de outras cidades. Tomando parte no Concurso “Vamos bagunçar o coreto” de iniciativa da Secretaria de Esportes e Turismo do Estado de São Paulo e saindo vencedora deste Concurso Regional em 1984 e 1985, representou a região valeparaibana em São Paulo, capital, nos meses de janeiro e fevereiro dos anos acima citados.

Seria uma grande falha, se deixássemos de mencionar neste histórico, os presidentes que, desde 1963, empunharam com amor e coragem a bandeira da Corporação Musical “Aurora Aparecidense” a saber: Wilson Pereira de Lima, Nilo Miguel Mathias, de julho de 1963 até dezembro de 1971; Guilherme Bittencourt Ferraz, de janeiro de 1972 até dezembro de 1977; Francisco de Salles Souza, de janeiro de 1978 até agosto de 1980; Belmiro Bustamante Reis, de agosto de 1980 até dezembro de 1983 e Antônio Márcio de Siqueira, cuja gestão iniciada em janeiro de 1984 irá até dezembro de 1985.

Também será uma falha, deixarmos de registrar aqui neste trabalho, o esforço e dedica-ção de muitos músicos de Guaratinguetá e Lorena, que como leais amigos têm colaborado com a nossa Banda Musical.

Para terminar, contrariando o que disse o articulista B.L. em seu trabalho publicado no Almanaque de N. S. Aparecida pág. 137 edição 1985, devo afirmar que embora sem os grandes baluartes Barreto e Lorena e suas famílias, o grande órgão da Basílica não emudeceu. Surgiram novos organistas, outros regentes e algumas vozes permanecem firmes entoando cânticos e hinos à Virgem Maria, e a nossa Banda Musical “Aurora Aparecidense” (que é o principal motivo deste trabalho) também continua apesar das dificuldades a serem vencidas.

Continuaremos lutando por essa sobrevivência e com a ajuda dos Poderes Públicos, sócios colaboradores e músicos idealistas e de corações nobres, pretendemos comemorar neste ano de 1986, com várias solenidades, o 1º centenário da Corporação Musical “Aurora Aparecidense”.

Belmiro Bustamante Reis (in memoriam). Texto originalmente publicado na Revista Ecos Marianos, 1986, p. 110-2.

Com grande alegria comemoramos, neste ano, o centenário de fundação desta entidade tão querida pelo povo aparecidense e pelos devotos de Nossa Senhora Aparecida que já a conheceram desde longa data. Na oportunidade queremos registrar aqui mais alguns dados interessantes sobre a existência da nossa “Banda Aurora”, que faz parte de nossa tradição e de nossa história.
Antes mesmo da vinda dos Reverendíssimos Padres Redentoristas para Aparecida em 1894, os antigos vigários muito trabalharam pela devoção do povo católico de todas as partes do Brasil, que para cá afluíram para conhecer a veneranda imagem.

Em meados do século passado, havendo o costume das missas do Santíssimo às quintas-feiras, surgiu a necessidade de um coral religioso para a Capela e de uma banda musical para as festas externas.

O maestro Isaac Júlio Barreto, que naquela época já era organista e mestre-capela, cuidou dessa parte fundando a banda musical “Aurora Aparecidense”, em 22 de junho de 1886, no recinto da sacristia da igreja e com a presença do Pároco Padre Miguel Martins da Silva, do encarregado da construção do corpo da igreja, o Cônego Dr. Joaquim de Monte Carmelo, do qual era grande amigo, e numerosos músicos.

Na chegada dos Padres Redentoristas a Aparecida, na noite de 28 de outubro de 1894, diz a história que os mesmos foram recebidos pela população com foguetes e música tão vibrante, melódica e alegre só podia ser tirada dos instrumentos de nossa Banda “Aurora Aparecidense”.
Vitimado por insidiosa moléstia, o maestro Isaac veio a falecer em 04 de janeiro de 1895, sendo convidado para exercer o cargo de organista e regente do Coral, a título precário, o maestro José Catarina Gonçalves, que achou por bem formar outra banda com músicos de Aparecida e Guaratinguetá.

Entretanto havia nessa época, aqui na povoação mais uma banda de música dirigida por um mulato baiano de nome Crescêncio, que por residir na localidade, contava com a simpatia de muitos aparecidenses.

Devido às constantes altercações entre os músicos das duas Bandas, o então Vigário Padre Gebardo Wiggermann resolveu encerrar as atividades da banda que tocava para o Santuário, passando o maestro Catarina a exercer a regência de sua banda somente em Guaratinguetá, onde residia.

No ano de 1899 o mesmo vigário Padre Gebardo resolveu reorganizar a orquestra e o Coral do Santuário e formar uma banda musical à altura do bom nome que Aparecida já possuía como centro religioso de fé católica.

Informando-se com uns e outros, descobriu que havia em Cachoeira Paulista, cidade próxima daqui, um músico de fama, compositor executor e eficiente professor de música.

A seu pedido, o senhor João Maria de Oliveira Cesar, tesoureiro da Basílica, foi a Cachoeira Paulista e contratou o maestro Randolpho José de Lorena que logo em seguida foi nomeado Mestre-Capela do Santuário pelo bispo de São Paulo D. Antônio Cândido de Alvarenga.

Procurou organizar o Coral da igreja e com elementos das bandas extintas levantou a primeira “Banda Aurora” com o nome acertado de Corporação Musical “Aurora Aparecidense”, a qual desde julho de 1899 até o ano de 1962 foi considerada a banda do Santuário de Nossa Senhora com o apoio integral dos reverendíssimos, que arranjavam salões da paróquia para os ensaios, compravam instrumentos, acessórios e ajudavam na sua manutenção.
No ano de 1914, com o falecimento do maestro Randolpho Lorena foi nomeado como 2.º Mestre-Capela o regente do Coral do Santuário e da Banda de Música o maestro Benedito Júlio Barreto, que além de dirigir o Coral e Banda, dedicava grande parte do seu tempo à formação de novos músicos.

Com bastante esforço e sucesso conseguiu formar uma banda só de adolescentes que por algum tempo tocaram a contento, alegrando nossas ruas e praças. Passados alguns anos, por motivo de saúde o maestro Barreto viu-se na contingência de dividir seu trabalho. Ficou com a responsabilidade do Coro e orquestra do Santuário, passando a direção da Banda ao Senhor Oscar Randolpho Lorena, filho do falecido Maestro Randolpho.

Por muitos anos o maestro Oscar Lorena dirigiu nossa Banda contando certo com a cooperação dos seus filhos Randolpho, Juca, Julico e Angito e mais os músicos que aqui residiam das famílias: Arantes, Monteiro Amaral, Souza, Oliveira e Silva, Pereira Lima, Pedro Salgado, Lino, Pompeu, Castro, Bustamante e outras. Esses músicos entrosavam-se também com o Coral e orquestra da Basílica, sendo na minha opinião, o melhor tempo da música em Aparecida. Muitas composições de hinos a N. Senhora e aos Santos aqui venerados, ofícios, missas, canções, dobrados, valsas e outras músicas populares foram compostas pelos membros das famílias Barreto e Lorena e executados no Coro da Basílica nas procissões, nos teatros e nas retretas em praças públicas.

 
 

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